AQUICULTURA

Aquicultura em águas da União bate recorde e movimenta R$ 1,47 bilhão em 2025

Boletim divulgado pelo MPA aponta produção de 179,6 mil toneladas, crescimento de 20,9% em relação ao ano anterior e geração de mais de 4,2 mil empregos

Publicado em 04/11/2026 17:29Modificado em 06/11/2026 15:10
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A aquicultura desenvolvida em águas da União alcançou, em 2025, o maior volume de produção desde o início da série histórica, em 2019. Foram 179.618,45 toneladas de organismos aquáticos produzidos, um crescimento de 20,9% em relação a 2024. A atividade movimentou R$ 1,47 bilhão e gerou 4.239 postos de trabalho em todo o país. Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (4), em Brasília, durante o lançamento do Boletim da Aquicultura em Águas da União de 2025, publicado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA).

O evento contou com a presença do ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, da secretária Nacional de Aquicultura, Fernanda de Paula, da secretária substituta do Patrimônio da União, Alessandra D'Avila Vieira, representando o Ministério da Gestão, Inovação e Serviços Públicos (MGI), do superintendente de Regulação de Uso de Recursos Hídricos, Marcos Neves, representando a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e da capitã de corveta da Marinha do Brasil, Helenilde de Lima Silva Gomes. Também participaram representantes do setor produtivo da aquicultura continental, Rafaela Feller, e da aquicultura marinha, Vinicius Marcus Ramos, dentre outras autoridades do setor da pesca brasileira.

Durante a solenidade, o ministro Edipo Araujo destacou o crescimento da atividade e a importância de ampliar o reconhecimento dos produtores e fortalecer as políticas públicas voltadas ao segmento. “Aquicultura não é futuro, aquicultura é presente”, afirmou o ministro, ao ressaltar que os resultados apresentados no boletim demonstram a dimensão e o potencial econômico da atividade no Brasil. Edipo também destacou o avanço da produção em águas da União, "em comparação com 2024, o volume cresceu quase 21%. Desde 2019, primeiro ano da série histórica, a produção mais que dobrou".

Produção e distribuição regional

A piscicultura continental responde pela maior parcela da produção em águas da União, com 169.813,52 toneladas, o equivalente a 94,54% do total. Na sequência aparecem a malacocultura, com 8.807,37 toneladas (4,90%), e a algicultura, com 997,56 toneladas (0,56%).

Entre as espécies, a tilápia do Nilo se destaca, com aproximadamente 168 mil toneladas produzidas. A distribuição regional mostra a liderança do Sudeste, com 94,8 mil toneladas, mais da metade do volume nacional. São Paulo aparece na primeira posição entre os estados, com 64,5 mil toneladas, seguido por Minas Gerais, com 30 mil toneladas, e Paraná, com aproximadamente 18 mil toneladas.

O levantamento também registrou 1.551 contratos de cessão de uso vigentes em 2025, ante 1.422 no ano anterior. Desse total, 784 correspondem a áreas de interesse social, 764 a áreas de interesse econômico e três a áreas destinadas à pesquisa e extensão.

Planejamento e adaptação às mudanças climáticas

A secretária Nacional de Aquicultura, Fernanda de Paula, ressaltou que o boletim vai além da apresentação dos números e contribui para orientar ações de planejamento, monitoramento ambiental e adaptação da atividade aos efeitos das mudanças climáticas.

A secretária destacou iniciativas desenvolvidas pelo MPA para identificar os impactos de eventos climáticos, como chuvas intensas e enchentes, sobre as cadeias produtivas, permitindo a elaboração de estratégias para reduzir prejuízos aos produtores. “Com base no monitoramento das condições ambientais e na identificação dos impactos dos eventos climáticos, é possível elaborar planos de adaptação e estabelecer estratégias para minimizar os efeitos sobre a cadeia produtiva”, destacou.

Fernanda também chamou atenção para a diversidade da aquicultura brasileira, que vai além da produção de tilápia e contempla diferentes sistemas e espécies. Como exemplo, mencionou a criação de peixes nativos, como matrinxã e tambaqui, observada em visita a uma piscicultura no Amazonas. A secretária reforçou a importância de ampliar a visibilidade dessas atividades e considerar as particularidades regionais na formulação de políticas públicas.

Elaborado pelo Departamento de Aquicultura em Águas da União (DEAU), vinculado à Secretaria Nacional de Aquicultura, o boletim reúne informações declaradas pelos cessionários nos Relatórios Anuais de Produção (RAPs). A publicação apresenta dados sobre produção, valor econômico, geração de empregos, contratos, distribuição regional e perfil dos produtores. As informações contribuem para o planejamento e a gestão sustentável dos espaços aquáticos, além de permitir a identificação de oportunidades para ampliar a produção e fortalecer a aquicultura nacional.

Prêmio reconhece produtores e valoriza a aquicultura

A programação também contou com a entrega do 3º Prêmio Nacional de Fotografia – Olhares da Aquicultura, iniciativa do MPA que busca dar visibilidade aos cessionários e valorizar a produção desenvolvida em águas da União.

As fotografias foram encaminhadas pelos produtores por meio do Relatório Anual de Produção. Após seleção de dez finalistas por categoria, Aquicultura Continental e Aquicultura Marinha, as imagens foram submetidas à votação popular no portal do Ministério, que contabilizou 5.988 votos.

Na categoria Aquicultura Marinha, o primeiro lugar ficou com Vinícius Marcus Ramos, de Santa Catarina, que produziu 127 toneladas de ostras e quatro toneladas de mexilhões em 2025. A Associação dos Produtores de Ostras do Rio Grande do Norte (APROOSTRA) conquistou o segundo lugar, com 75 toneladas de ostras nativas, enquanto José Carlos da Costa ficou em terceiro, com sete toneladas de macroalgas Kappaphycus alvarezii.

A premiação também concedeu menções honrosas a duas mulheres com atuação de destaque no setor: Letícia Maria do Nascimento Gomes, representante da Associação Boa Esperança dos Piscicultores do Mari (ABEPIM), de Pernambuco, e Tatiana da Gama Cunha, liderança da maricultura catarinense.

Na categoria Aquicultura Continental, a primeira colocação foi conquistada pela Piscicultura Ipaussu, de São Paulo, com 2.236 toneladas de tilápia produzidas em 2025. Em segundo lugar ficou a Piscicultura Bathomarco, de Pernambuco, com 264 toneladas, e, em terceiro, João Antonio da Silva, produtor de Mato Grosso do Sul, com dez toneladas.

A iniciativa reconhece o trabalho dos produtores e evidencia, por meio da fotografia, a diversidade, o potencial e a contribuição da aquicultura em águas da União para a produção de alimentos, a geração de renda e o desenvolvimento regional.

À tarde, teve início o III Workshop Nacional de Pesquisa e Monitoramento Ambiental da Aquicultura, que terá sequência amanhã (05), no MPA, um momento de conversas sobre a nova CONAMA e impactos no licenciamento e monitoramento ambiental.

Élen Gorski
Ministério da Pesca e Aquicultura
imprensa@mpa.gov.br

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