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DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Diálogo e cooperação marcam oficina sobre desenvolvimento territorial em Vitória (ES)
MIDR promove oficina para fortalecer a resiliência territorial no Espírito Santo (Foto: Divulgação/MIDR)
Vitória (ES) – Territórios mais resilientes não se constroem de forma isolada. Exigem diálogo, cooperação e planejamento integrado. Com essa perspectiva, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) promove, nesta quarta (24) e quinta-feira (25), em Vitória (ES), a oficina "Territórios em Transformação", iniciativa que reúne diferentes atores para discutir desafios comuns e desenvolver soluções colaborativas voltadas ao desenvolvimento regional sustentável. A iniciativa é realizada por meio do Programa de Desenvolvimento de Capacidades para o Desenvolvimento Regional (PCDR) em parceria com o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e a Agência Estadual de Recursos Hídricos (AGERH).
A atividade reúne servidores públicos estaduais e municipais, representantes de comitês de bacia hidrográfica, usuários de recursos hídricos dos setores de saneamento, irrigação e indústria, além de pesquisadores e instituições que atuam na gestão pública, no planejamento territorial e na governança dos recursos hídricos. Trata-se de um desdobramento prático da trilha de formação em Resiliência Territorial desenvolvida pelo PCDR e ofertada gratuitamente na Escola Virtual de Governo (EV.G). Após a etapa de aprendizagem a distância, os participantes têm a oportunidade de aplicar os conceitos, ferramentas e abordagens estudados em um contexto territorial real.
Da formação à transformação do território
A oficina "Territórios em Transformação" foi customizada para a realidade de uma região do Espírito Santo e busca traduzir conceitos em experiências práticas de análise, planejamento e construção de soluções.
Para a coordenadora-geral de Fortalecimento de Capacidades dos Entes Federados do MIDR, Taciana Leme, o principal diferencial da iniciativa está na capacidade de reunir diferentes perspectivas em torno de desafios comuns. “A proposta é reunir diferentes atores que atuam sobre o mesmo território para discutir desafios concretos e identificar oportunidades de atuação conjunta, considerando temas como recursos hídricos, desenvolvimento regional e econômico, mudanças climáticas e governança territorial”, ressalta a coordenadora-geral.
“Mais do que discutir problemas setoriais, a iniciativa busca compreender como diferentes políticas públicas interagem no território e como sua integração pode contribuir para aumentar a capacidade de resposta das comunidades e instituições diante de transformações ambientais, econômicas e sociais”, observa Taciana Leme.
Os desafios enfrentados pelos territórios são cada vez mais complexos e interdependentes. Questões relacionadas à disponibilidade de água, ao desenvolvimento econômico, à ocupação do território e à adaptação às mudanças climáticas exigem a atuação coordenada de diferentes instituições e setores. Entretanto, políticas públicas e instrumentos de gestão frequentemente são planejados e implementados de forma isolada. Quando isso acontece, podem surgir conflitos, sobreposição de esforços ou perda de oportunidades para promover soluções mais eficientes e sustentáveis.
Nesse contexto, a oficina cria um espaço de diálogo entre gestores públicos, especialistas, usuários de recursos hídricos e representantes da sociedade para fortalecer a cooperação, a construção de consensos e a convergência de estratégias voltadas ao desenvolvimento do território.
Conexão com políticas públicas nacionais
A iniciativa dialoga diretamente com os princípios da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR) e da Política Nacional de Ordenamento Territorial (PNOT), reforçando a importância de abordagens integradas para enfrentar os desafios contemporâneos dos territórios. Ao aproximar diferentes agendas e atores, a oficina contribui para a construção de territórios mais resilientes, fortalecendo capacidades locais de planejamento, governança e tomada de decisão.
A programação inclui ainda a aplicação do "Desenvolvimento em Jogo", metodologia inovadora criada pelo MIDR para fortalecer capacidades relacionadas à governança e ao desenvolvimento territorial. Por meio de uma dinâmica colaborativa, os participantes exercitam competências essenciais para a gestão pública contemporânea, como escuta ativa, negociação, cooperação, mediação de interesses e tomada de decisão colegiada.
A experiência desenvolvida no Espírito Santo poderá gerar aprendizados e metodologias capazes de inspirar novas iniciativas em outras regiões do país. "A formação é fundamental, mas é na aplicação prática que o conhecimento ganha significado. A oficina Territórios em Transformação permite que os participantes utilizem ferramentas e conceitos da Resiliência Territorial para analisar desafios concretos e construir soluções colaborativas. Ao reunir diferentes políticas públicas e atores em torno de um mesmo território, fortalecemos capacidades essenciais para promover um desenvolvimento regional mais resiliente e sustentável”, concluiu a coordenadora-geral de Fortalecimento de Capacidades dos Entes Federados do MIDR, Taciana Leme.
Um dos coordenadores do projeto Segurança Hídrica e Desenvolvimento Regional Sustentável, o professor Engenharia Ambiental da UFES, Edmílson Teixeira, explicou como atua o Espírito Santo com relação ao tema. “Esse projeto do MIDR vem muito dentro do da filosofia mesmo do projeto que busca oferecer ferramentas, fundamentos para planejamentos territoriais, regionais fundamentados considerando os diversos atores relevantes do território respeitando e valorizando os diversos saberes e o que está acontecendo aqui é bem isso”, disse.
“A gente tem representante da Defesa Civil, tem representante de comitê de bacia, tem representantes de secretaria de Estado. É, um exemplo que é da de recuperação da bacia do Rio Doce, porção que faz parte do Espírito Santo, justamente o que teve o desastre de Mariana. Ou seja, só exemplificando, deixando claro assim, que é muito diverso, o público que está aqui e trabalhando com essa visão de integrar políticas, integrar setores sobre o território. Estamos muito felizes com essa parceria que está nascendo com o MIDR”, concluiu o professor Edmílson Teixeira.
Gerente de Planejamento, Projetos, Programas e Ações da Agência Estadual de Recursos Hídricos do Espírito Santo, Gisele Gavazza Lamberti, comentou a importância da oficina. “Estamos dando continuidade a um projeto que já vem sendo trabalhado desde o início do ano passado. E a gente vem construindo estratégias de governança aqui para o estado para gestão dos recursos hídricos e adaptação climática. Essa oficina contribui para essa visão de governança para a gente conseguir pensar em estratégias de tomada de decisão”, disse.
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