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DA TERRA À MESA
Agroecologia e inovação marcam projetos apoiados pelo Da Terra à Mesa
Foto: Portal Gov,br
Projetos apoiados pelo edital Da Terra à Mesa, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), têm demonstrado na prática como diferentes estratégias de inovação podem fortalecer a agricultura familiar nos territórios brasileiros.
De um lado, iniciativas que valorizam a diversidade da agricultura familiar. De outro, ações que incorporam tecnologias para ampliar a produtividade. Em comum, o foco na transição agroecológica, na inclusão produtiva e no fortalecimento das economias locais.
Um dos destaques é a atuação da Rede Sementes da Vida, coordenada pela AGROBIO – Associação Nacional de Fortalecimento da Agrobiodiversidade, que vem implementando corredores agroecológicos em nove estados brasileiros – Goiás, Pará, Pernambuco, Paraíba, Maranhão, Piauí, Sergipe, Bahia e Minas Gerais – e promovendo diversificação produtiva, conservação dos recursos naturais e fortalecimento comunitário.
Ao todo, já foram implantadas 59 áreas de corredores agroecológicos, somando 27,6 hectares, além da realização de capacitações e intercâmbios entre agricultores, fortalecendo a troca de conhecimentos e a construção coletiva de soluções produtivas. A iniciativa, que já beneficiou quase 300 unidades produtivas diretamente e mais de 600 indiretamente, também se destaca pelo perfil do público atendido, com participação expressiva de mulheres (60,1%) e envolvimento de mais de 100 famílias quilombolas.
Segundo Murillo Notine, coordenador-geral da Rede Sementes da Vida, os corredores agroecológicos funcionam como uma estratégia de equilíbrio ecológico e redução da dependência de insumos externos. Segundo ele, os impactos gerados são visíveis na avaliação do solo, qualidade e ampliação da quantidade de sementes colhidas, menor necessidade de insumos externos, aumento da geração de renda e da margem de lucro, além da redução da mão de obra e do uso de insumos para controle de insetos que causam danos à plantação. “Os Corredores Agroecológicos são motivados pela funcionalidade ecológica que desempenham no solo e no equilíbrio e harmonia que produzem nos agroecossistemas. São diferentes configurações possíveis para cada realidade e contexto climático, que atraem diversos agentes de controle biológico, aumentam o número de polinizadores e insetos que são amigos naturais que controlam insetos que podem causar impactos negativos na produção”, explica.
Murillo destaca ainda que a proposta recupera conhecimentos ancestrais das comunidades tradicionais e fortalece a autonomia produtiva das famílias agricultoras. “As comunidades tradicionais detêm o conhecimento ancestral de manejo do solo e de convivência com a natureza, sendo fundamentais para a difusão do conhecimento tradicional em cultivar, manejar, colher, beneficiar e dar os diferentes usos para cada espécie”, afirma.
Inovação
Em conjunto com ações voltadas à agroecologia, o edital fortalece projetos que apostam também na inovação tecnológica como estratégia de desenvolvimento. É o caso da Coapar, cooperativa que atua no fortalecimento da cadeia do leite por meio da transferência de embriões para melhoramento genético do rebanho.
A tecnologia permite ampliar a produtividade, melhorar a qualidade do leite e aumentar a renda das famílias agricultoras. Antes da implementação do projeto, os agricultores enfrentavam dificuldades relacionadas à baixa qualidade genética do rebanho e ao acesso limitado a tecnologias reprodutivas.
Com a adoção da transferência de embriões, os impactos já começam a ser percebidos nas propriedades atendidas. “Com a introdução do melhoramento genético por meio da transferência de embriões, observa-se um avanço significativo na qualidade do rebanho em um curto intervalo de tempo. Essa biotecnologia permite multiplicar características desejáveis de matrizes superiores, como alta produção leiteira, melhor conversão alimentar, precocidade sexual e resistência a doenças”, destaca a cooperativa.
A proposta busca democratizar o acesso à tecnologia na agricultura familiar por meio da atuação coletiva da cooperativa, assistência técnica e estratégias para redução de custos de produção. “Já se observam melhorias concretas, como maior uniformidade do rebanho, melhores índices reprodutivos e maior organização do sistema produtivo. Trata-se de uma política estruturante, que vai além do aumento dos índices produtivos, ao promover inclusão tecnológica, capacitação dos produtores e fortalecimento da organização coletiva. Nesse contexto, a cooperativa desempenha um papel central, ela atua como articuladora das ações do projeto, facilitando o acesso dos agricultores às tecnologias, insumos e assessoria técnica”, aponta Sônia Mara Chiquelero, Médica Veterinária na Coapar.
Para o secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia do MDA, Vanderley Ziger, o Da Terra à Mesa demonstra que a inovação na agricultura familiar acontece de diferentes formas, sempre conectada às realidades dos territórios. “O Da Terra à Mesa mostra que inovação na agricultura familiar não significa apenas tecnologia de ponta. Ela também está no resgate dos saberes tradicionais, na organização coletiva, na agroecologia e na construção de soluções adaptadas a cada território.”
Histórico
O edital consolidou-se como uma das principais estratégias de fomento à transição agroecológica no país. Após investir R$ 35 milhões em 2024, a iniciativa foi ampliada para R$ 160 milhões em 2025. O número de entidades apoiadas saltou de 10 para 45, alcançando atualmente 55 organizações em todos os estados brasileiros e quase 29 mil famílias da agricultura familiar.
Com forte participação de mulheres e jovens, ações de capacitação, assistência técnica e entrega de equipamentos produtivos, o Da Terra à Mesa evidencia como diferentes caminhos de inovação podem fortalecer a sustentabilidade, a autonomia produtiva e a geração de renda no campo.
Texto: Mariana Camargo, Ascom SAF/MDA
Edição: Marcelo Carota, Ascom MDA