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LARC39
Conferência da FAO reúne autoridades em Brasília para debater segurança alimentar, agricultura sustentável e cooperação regional
Foto: Elio Rizzo - Ascom/MDA
Em meio aos desafios enfrentados pelo Governo do Brasil para combater a fome e a desnutrição, ministros e autoridades da América Latina e do Caribe estão reunidos em Brasília para a 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (LARC39), que segue até a próxima sexta-feira (6) e se firma como principal fórum regional da FAO para definição de prioridades e alinhamento estratégico das ações da organização no biênio 2026-2027.
A abertura oficial da Reunião Ministerial da LARC39 ocorreu na manhã de hoje (4) com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e co-presidente do evento, Paulo Teixeira, do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, entre outras autoridades.
Ao iniciar seu discurso, Lula fez críticas aos governantes dos países que estão em conflito. Para o presidente, os investimentos que são feitos em guerras seriam suficientes para acabar com a fome de mais de 600 milhões de pessoas em todo no mundo. “Para fazer uma discussão muito clara, o que vai resolver o problema da humanidade é mais guerra ou mais paz? Se é a construção e a produção de mais armas, cada vez mais sofisticadas e caras, ou aumento da produção, distribuição e o aumento da renda do povo, para que a gente pudesse fazer a alimentação necessária?”
Ele também defendeu que os países se unam em torno de um debate que seja capaz de executar ações concretas para garantir alimento na mesa da população. “A questão da fome tem que ser tratada com uma questão de prioridade. Prioridade sempre! É um direito sagrado, todo mundo tem que tomar café, almoçar e jantar todo dia. A questão da fome está ligada ao fato de que os pobres do mundo são invisíveis ao olhar das máquinas burocráticas. Enquanto a gente não os tornar visíveis, a gente vai continuar brigando, lutando e gritando”.
Para o ministro Paulo Teixeira, os incentivos direcionados à agricultura familiar foram decisivos para que o país deixasse o Mapa da Fome, evidenciando o impacto direto das políticas públicas no prato da população brasileira. “Com base em dados da própria FAO, a agricultura familiar é parte essencial da solução para as grandes crises do nosso tempo, da fome, da pobreza e do meio ambiente. Por isso, é fundamental apoiar a agricultura familiar com políticas de acesso, terra, crédito, assistência técnica, extensão rural, compras públicas, de incentivo ao cooperativismo e do fortalecimento da autonomia econômica das mulheres, dos jovens, dos povos e comunidades tradicionais. A experiência brasileira demonstra que investir na agricultura familiar é decisivo para o combate à fome. O Brasil saiu do Mapa da Fome em 2014 e voltou a sair novamente em 2025 com a volta do presidente Lula, após anos de retrocesso, graças a um conjunto de políticas públicas nas quais a agricultura familiar desempenhou o papel central”, declarou.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ressaltou que a América Latina e o Caribe figuram entre os maiores produtores de alimentos do mundo e afirmou que a erradicação da fome depende, sobretudo, da efetivação de decisões políticas concretas. “A América Latina e o Caribe desempenham um papel estratégico na segurança alimentar global. Somos grandes produtores de alimentos e uma potência agroalimentar inovadora, conectada à terra, às aguas e às florestas. Somos a primeira região a assumir o compromisso coletivo de erradicar a fome. A fome resulta de desigualdades, de exclusões e de escolhas políticas. E, portanto, pode e deve ser superada por meio de decisões políticas firmes e ação coletiva coordenada”, disse.
LARC39
A Conferência Regional da FAO é um fórum oficial no qual os Estados Membros da região se reúnem para debater os desafios e questões prioritárias relacionadas à alimentação e à agricultura, com o objetivo de promover a coerência regional em temas políticos de alcance global.
Como principal órgão de governança da Organização em nível regional, a Conferência Regional é essencial para garantir a eficácia do trabalho da FAO em apoio aos Estados Membros, além de definir as áreas prioritárias de atuação para cada biênio.
Por decisão adotada pelos países-membros da região no 38º Período de Sessões, o Brasil foi eleito o anfitrião da 39ª Conferência Regional da FAO, por ter demonstrado grande interesse e compromisso em promover os esforços regionais para combater a fome e a má nutrição.
Mapa da Fome
Em julho de 2025, o Brasil comemorou a saída do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU). O avanço está relacionado ao resultado da implementação de políticas públicas eficazes que têm garantido o direito à alimentação das famílias brasileiras. Segundo a ONU, ao atingir a marca de menos de 2,5% da população em risco de subnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente, o Brasil saiu, pela segunda vez, do Mapa da Fome. O índice classificou o país fora da zona de insegurança alimentar grave.
A recriação do MDA, em 2023, foi fundamental para impulsionar as políticas públicas voltadas à segurança alimentar e à promoção da agricultura familiar no Brasil. Políticas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA), contribuem para o aumento da produção de alimentos beneficiando diretamente milhões de famílias no país.
Texto: Isabella Melo - Ascom/MDA

