Notícias
MIR e sociedade civil começam os trabalhos em Bonn, na Alemanha
Foto: Thaíse Torres/MIR
A comitiva brasileira que está participando do FWG (Facilitating Work Group, no original em inglês) 15, em Bonn, na Alemanha, começou suas atividades na tarde desta terça-feira (5). Em uma sessão introdutória, o Grupo abriu os trabalhos da com a apresentação dos representantes e suplentes eleitos para a Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas (LCIPP) da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), além de ter aprovado os planos para o encontro.
"Temos construído um caminho para que seja possível conseguir mais assentos para as comunidades tradicionais nessa instância. É importante estarmos aqui, especialmente ao lado da nossa sociedade civil", coloca o secretário de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos, Ronaldo dos Santos.
Cinco egressos do programa Kala-Tukula de Lideranças Globais integram a comitiva representando alguns dos públicos do MIR: Rosecler Winter, pelos ciganos; Baba Luciano Costa, dos povos e comunidades tradicionais de terreiro e de matriz africana; Gilmara Tiju e Thatiele Monic, pelos quilombolas; e Ana Beatriz Barros, pesquisadora da negritude.
"Estamos atuando num processo de formação e na luta contra qualquer racismo. Chegamos para somar e estamos aqui com todo gás e alegria para colaborar com as discussões", falou o Baba Luciano Costa, egresso do Kala Tukula e representante dos povos de terreiro.
Também compõem a comitiva institucional brasileira, a secretária Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Edel Moraes, e o diplomata Marco Túlio Cabral, que atua na Secretaria de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
"Atuamos para conquistar o espaço que ainda não foi dado para as comunidades tradicionais e continuar lutando pelos povos indígenas", disse Marco Túlio.
Durante a abertura do encontro, organização lembrou, ainda, as decisões de reuniões anteriores, como o tempo de mandato dos representantes da Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas da UNFCCC.
Trabalho continuado – O Governo do Brasil, por meio dos Ministérios da Igualdade Racial (MIR), do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e das Relações Exteriores (MRE), tem atuado internacionalmente desde 2023 para efetivar a participação dos povos e comunidades tradicionais nos grandes fóruns globais sobre meio ambiente e mudança do clima. Ações como o Kala-Tukula e a participação nos espaços da COP 29, em Baku; COP 30, em Belém; e a semana do meio-ambiente de Adis-Abeba, dentre outras ações, têm sido pensadas para articular frentes diversas que possam abrir caminho para as negociações.
Além das articulações nos espaços globais, o Governo do Brasil também lançou, em 2025, a Cúpula dos Povos, iniciativa que engloba a Comissão Internacional de Comunidades Locais, Povos Afrodescendentes e Agricultura Familiar e Comissão Internacional dos Povos Indígenas.
Valorização do conhecimento tradicional – A LCIPP é uma plataforma da UNFCCC, facilitada pelo FWG (Grupo de Trabalho Facilitador, em tradução livre), que inclui, ao lado das Partes – os negociadores do clima –, representantes dos povos indígenas indicados pelo Fórum Internacional de Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas (Caucus Indígena).
A Plataforma tem como objetivo promover o intercâmbio de experiências e boas práticas para o enfrentamento das mudanças climáticas de maneira holística; fortalecer capacidades para a participação e o engajamento; e reunir diversas formas de conhecimento para a elaboração e implementação de políticas e ações climáticas valorizar, trocar e proteger conhecimentos, além de fortalecer a participação de povos indígenas e comunidades locais na UNFCCC e em seus processos, contribuindo também para o desenvolvimento de políticas e ações climáticas.