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Ministra Rachel Barros é homenageada em cerimônia do Batuque, no Rio Grande (RS)
Foto: Caetano Manenti
A prefeitura municipal do Rio Grande fez uma homenagem à ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, que cumpriu agenda nesta quinta-feira (30), no encontro “Café com Batuque”, realizado no Salão Nobre Deputado Carlos Santos, no Rio Grande do Sul.
Iyalorixás, babalorixás e outras referências históricas da religiosidade afro-gaúcha receberam junto votos de louvor da Câmara Municipal. O reconhecimento público e oficial também foi concedido para o 1º Conselho Municipal do Povo de Terreiro do Brasil, órgão criado para reconhecer, valorizar e proteger as religiões de matriz africana, além de garantir o acesso a políticas públicas que completa dez anos de atuação.
Na ocasião, o Ministério da Igualdade Racial concedeu a entrega de 20 certificados de reconhecimento social para lideranças religiosas dos Batuques da região, como estratégia de incidência institucional, valorização cultural e defesa dos direitos dos povos de matriz africana e de terreiros.
A agenda, que conta com a articulação da Diretoria de Articulação Interfederativa (DAI) do MIR, em parceria com a Diretoria de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e de Terreiros (DPTMAT), tem como eixo central o avanço do processo de repatriação dos bens culturais do Batuque, que está atualmente sob guarda de instituições internacionais, especialmente em museus localizados em Berlim, na Alemanha. Trata-se do reconhecimento do valor sagrado, histórico e cultural desses elementos para os povos de terreiro, bem como da reparação de processos de retirada e deslocamento que marcaram a história dessas comunidades. A iniciativa dialoga com debates internacionais sobre restituição de patrimônios e descolonização de acervos. O início das tratativas foi feito via Programa Rotas Negras, em parceira com a Assessoria Internacional do Ministério.
Luzi Borges, diretora de Políticas Públicas para os Povos Tradicionais de Matriz Africana e Povos de Terreiros, destaca que a agenda reafirma o compromisso do Governo do Brasil com o reconhecimento institucional dos terreiros, “especialmente do povo do Batuque, ao mesmo tempo em que avança na repatriação de bens sagrados e garante a salvaguarda e a proteção de um patrimônio vivo e ancestral”, coloca.
O encontro reuniu representantes do Governo do Brasil, municipais e lideranças comunitárias para um momento de diálogo, reconhecimento e fortalecimento cultural.
Batuque – Expressão religiosa de matriz africana consolidada no sul do Brasil, com raízes em tradições africanas, o Batuque estrutura-se no culto aos orixás, na centralidade do tambor como elemento ritual e na organização comunitária em terreiros. Mais do que prática religiosa, constitui um importante sistema de memória, identidade e resistência das populações negras no estado.
Personalidade destacada – Sindicalista, jornalista e político brasileiro – que dá nome ao Salão Nobre em que a ministra Rachel Barros recebeu a homenagem – Carlos da Silva Santos é reconhecido por ser o primeiro negro a presidir a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e a assumir o governo estadual. Trabalhador metalúrgico, fundou o Sindicato dos Metalúrgicos de Rio Grande e foi um respeitado deputado estadual e federal (MDB) entre as décadas de 1950 e 1980.