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Construção de protocolo de ética é destaque do terceiro dia da comitiva brasileira na reunião do FWG15
Foto: FWG15/UNFCCC
Nesta quinta-feira (4), a delegação brasileira que está em Bonn, na Alemanha, para a reunião do FWG (Facilitating Work Group, no original em inglês) 15 da Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas (LCIPP), seguiu compartilhando suas vivências a partir da perspectiva quilombola, cigana, de povos de terreiro e matriz africana, acadêmica e governamental.
Os egressos do Kala-Tukula que integram a comitiva detalharam semanticamente, neste terceiro dia de reunião, as sugestões que irão compor um protocolo de ética. O grupo especificou, a partir de suas vivências, vocabulários que contemplam, de forma precisa, as necessidades das comunidades.
"Trazer como a gente se expressa, a partir dos nossos territórios, individual e coletivamente, facilita o modo como irão entender nossas perspectivas nesses espaços", coloca a ambientalista egressa do Kala-Tukula, Ana Beatriz Barros.
Além de Ana Beatriz, cinco egressos do programa Kala-Tukula de Lideranças Globais, do Ministério da Igualdade Racial (MIR) integram a comitiva: Rosecler Winter, pelos ciganos; Baba Luciano Costa, dos povos e comunidades tradicionais de terreiro e de matriz africana; e Gilmara Tiju e Thatiele Monic, pelos quilombolas. A ida dos estudantes foi facilitada pela iniciativa "Inglês para Comunicar", que apoiou a formação dos participantes no idioma.
Perspectivas como o reconhecimento de que uma planta não é somente medicinal, mas sagrada, por exemplo, foi um dos saberes trazidos pelo grupo, que também utilizou o espaço para detalhar seus ecossistemas e como eles são percebidos pelos residentes.
A partir dos conhecimentos compartilhados pelos participantes, a organização do encontro acredita que será possível construir um protocolo de ética para os negociadores das reuniões do Clima e da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês). "Esse protocolo não vai para negociação, mas é uma salvaguarda para as pessoas e seus sistemas de conhecimento que são partilhados conosco", informou a mesa coordenadora.
Metodologia de trabalho – Ao longo das discussões, o grupo usou seis abordagens coletivas para organizar o plano de trabalho. Elas consistem em atividades de engajamento e promoção de trocas; entregas para enriquecer os intercâmbios de saberes; e resultados que tecem conceitos coletivos e terminologias que representem o conhecimento, valores e perspectivas dos povos representados nos espaços, partilhando das perspectivas das comunidades locais.
As seis abordagens são a união dos detentores de conhecimento; o engajamento regional; a mesa-redonda da 7ª geração; a colaboração com as instituições e fluxos de trabalho da UNFCCC; a melhoria na conexão com os negociadores; e um planejamento estratégico sistêmico.
Ocupação de espaços internacionais – O secretário de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos, Ronaldo dos Santos; a secretária Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Edel Moraes; e o diplomata Marco Túlio Cabral, que atua na Secretaria de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores (MRE) se reuniram, no início da manhã, com o oficial de relações públicas da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNDCC), Marcos Montoiro.
"Temos, em nosso país, muita experiência na aliança entre povos tradicionais. Acredito que seja uma vanguarda, inclusive. A partir disso, podemos incidir para colocar de forma política e estratégica nossas perspectivas, chegando, inclusive, a subsidiar, qualificadamente, a construção de documentos nas convenções", colocou o secretário Ronaldo.
Em busca de soluções conjuntas, o grupo discutiu oportunidades e estratégias para a participação do Brasil e da sociedade civil brasileira na convenção sobre desertificação. "Apesar de não termos desertos, há áreas sujeitas a desertificação em nossos biomas. Então atuamos para sensibilizar e mobilizar nossas comunidades internamente para que participem dessa conferência extremamente importante, mas ainda pouco conhecida no país", acrescentou a secretária Edel.
Valorização do conhecimento tradicional – A LCIPP é uma plataforma da UNFCCC, facilitada pelo FWG (Grupo de Trabalho Facilitador, em tradução livre), que inclui, ao lado das Partes – os negociadores do clima –, representantes dos povos indígenas indicados pelo Fórum Internacional de Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas (Caucus Indígena).
A Plataforma tem como objetivo promover o intercâmbio de experiências e boas práticas para o enfrentamento das mudanças climáticas de maneira holística; fortalecer capacidades para a participação e o engajamento; e reunir diversas formas de conhecimento para a elaboração e implementação de políticas e ações climáticas, valorizar, trocar e proteger conhecimentos, além de fortalecer a participação de povos indígenas e comunidades locais na UNFCCC e em seus processos, contribuindo também para o desenvolvimento de políticas e ações climáticas.