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Casa da Igualdade Racial Fortaleza une acolhimento e luta antirracista
Foto: Francisco Barbosa/Casa da Igualdade Racial - CE
A Casa da Igualdade Racial Fortaleza celebra seu primeiro mês de funcionamento como ponto focal na luta contra o racismo na capital cearense. Inaugurada no dia 23 de abril, ela tem funcionado como espaço de acolhimento e troca de saberes, tendo sido procurada para atendimento, especialmente por mulheres, além de receber visitas de estudantes, movimentos sociais e lideranças comunitárias.
O advogado e coordenador interino da Casa, Paulo do Vale afirma que “as visitas são essenciais e primordiais para que as pessoas entendam o papel da Casa na nossa sociedade. Com elas, a população também sabe um pouco mais como buscar ajuda e auxílio. Esses são momentos de potência e compartilhamento de experiências.”
Troca de saberes – Além de acolher as dores das vítimas de racismo, a Casa da Igualdade Racial também é um espaço de troca de saberes e de valorização da cultura das pessoas negras e Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs).
O professor Francisco Marcelino, visitou a Casa da Igualdade Racial Fortaleza no dia 21 de maio, juntamente com um grupo de aproximadamente 45 estudantes da EEMIT Eunice Weaver, do município de Maranguape. Marcelino explica que ficou sabendo da inauguração da Casa por meio da divulgação na mídia e a partir daí fez toda uma articulação para a realização da visita ao equipamento. “A gente viu a possibilidade de troca de informações e a busca por mais conhecimento para os alunos por meio do projeto Escola Antirracista, do governo do estado, que a gente está concorrendo. Com isso, decidimos visitar a Casa para a realização desse momento. Eu levei a proposta para a direção da escola que foi muito solícita, e eu agilizei com os meus contatos a nossa visita a esse equipamento”.
De acordo com o professor, o objetivo da visita foi fazer com que os estudantes conhecessem de perto a Casa da Igualdade Racial de Fortaleza. “É importante eles saberem que existe esse equipamento público para verem que o combate ao racismo está sendo visto como uma política pública. É necessário que a gente procure desestruturar esse racismo que está na nossa sociedade e, assim, contribuir para a criação de uma sociedade antirracista”, defendeu.
Ao fim da visita, Marcelino afirmou que outras turmas estão se organizando para visitarem a Casa. “A gente planeja outras visitas. Inclusive, o terceiro e o segundo anos querem marcar uma agenda para vir, porque eles acharam muito interessante esse projeto e esse equipamento. Eles querem conhecer mais sobre os serviços oferecidos pela Casa”, explicou.
Atendimentos e cuidados –Vanessa de Holanda, responsável pelo atendimento psicológico da Casa, aponta que nesse primeiro mês de funcionamento, a Casa registrou que, em sua maioria, o público que procurou atendimento foi de mulheres. Para a psicóloga, as mulheres têm mais facilidade em procurar certos cuidados e acompanhamento do que os homens. “O homem, muitas vezes, cai nesse lugar de que consegue lidar com tudo e de que ele consegue superar as coisas, mas quando a gente fala de uma situação de racismo, é muito delicado, porque a gente sabe como o racismo pode ser adoecedor e cruel”, afirma.
Holanda ressalta que o ato de procurar ajuda não representa fragilidade, pelo contrário, representa auto-cuidado. “A gente tem muita dificuldade de se priorizar, mas a gente também precisa e pode ser cuidado. Não só quando a gente está fragilizado. Essa relação do cuidado vai parar além do sofrimento, da dor, de uma violência”, pondera.
Casa da Igualdade Racial de Fortaleza – Localizada na Rua Jaime Benévolo, 21, 2º andar, no bairro Centro, o equipamento é o primeiro do gênero da Região Nordeste e conta com uma equipe multidisciplinar formada por advogada, psicóloga, assistente social e agente territorial. A Casa oferece orientação jurídica e apoio psicossocial a vítimas de racismo, articulando encaminhamentos para serviços de saúde, educação, assistência social, direitos humanos e cultura, por meio da integração com o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir).
O atendimento acontece das 8h às 17h. Os casos e denúncias podem ser informados por meio da plataforma da Casa da Igualdade Racial. Além do formato on-line os registros também podem ser feitos de forma presencial, sem necessidade de agendamento prévio.
Também é possível entrar em contato com a Casa por meio do número da Coordenadoria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Coppir): (85) 2028-0480.
>> Acesse a plataforma da Casa: casa.igualdaderacial.gov.br/