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ABRIL INDÍGENA
Podcast do HU-UFGD/HU Brasil destaca o protagonismo de meninas e mulheres indígenas na construção de saberes científicos
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O mais recente episódio do podcast Ensina Aí!, do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), integrante da Rede HU Brasil, promoveu um debate sobre o projeto “Meninas e Mulheres Indígenas, criando ciências: arte e saberes tradicionais no cuidado materno-infantil”. A edição, realizada ao vivo na Gerência de Ensino e Pesquisa do hospital, reuniu pesquisadoras em saúde para discutir como a ciência e a ancestralidade podem caminhar juntas na assistência à saúde.
A mediação do encontro ficou a cargo de Thayssa Maluff, comunicadora da Fiocruz/MS, que destacou a relevância de fortalecer o vínculo entre as instituições e as comunidades originárias. Durante o debate, as pesquisadoras indígenas Ângela Gonçalves Bogarim e Bruneide Benites de Souza relataram como o projeto desenvolvido pela Fiocruz permitiu o resgate e a valorização de conhecimentos tradicionais que, por vezes, estavam sendo deixados de lado.
“Com esse projeto, eu comecei a me lembrar novamente dos saberes indígenas, como o uso das plantas medicinais que as antepassadas usaram muito. Quero que as crianças indígenas, que hoje em dia já não sabem mais essas coisas, voltem a aprender”, afirmou Ângela. Para Bruneide, o projeto também funcionou como uma ferramenta de empoderamento: “A gente consegue enxergar a diferença, valorizar a cultura e a medicina tradicional. Eu vi que, como mulher indígena, posso conseguir as coisas que quero, ser reconhecida”.
Humanização e Diálogo Intercultural
A enfermeira Indianara Machado, integrante do Comitê de Saúde Indígena do HU-UFGD, pontuou que o hospital tem avançado significativamente na abertura para práticas tradicionais, como a presença de parteiras e benzedeiras no ambiente hospitalar. “Nós avançamos muito na importância de se conhecer e valorizar as medicinas indígenas. O nosso desafio é pensar em ações que dialoguem com os sistemas biomédicos. Não que uma seja mais importante que a outra, mas são sistemas médicos que caminham juntos quando se pensa no cuidado para os povos indígenas”.
O projeto, que conta com o apoio estratégico da Fiocruz e do HU-UFGD, está desenvolvendo materiais educativos, incluindo uma cartilha com ilustrações feitas pelas próprias participantes, que visa orientar o cuidado materno-infantil a partir da perspectiva indígena. Conforme ressaltou Thayssa Maluff, o material busca ser uma referência para o SUS, permitindo que mulheres de diversos territórios se enxerguem nas orientações de saúde.
O Legado da Pesquisa
O encontro reforçou que a ciência não deve ser um campo restrito, mas um espaço de construção coletiva. A parceria entre a Fiocruz e o HU-UFGD, pautada pelo respeito e pela escuta ativa, demonstra um compromisso com o bem viver dos povos originários. “Muitas vezes, nós sempre fomos vistos como algo a ser pesquisado, e não como sujeitos nesses processos. Hoje já é diferente, e a Fiocruz trouxe para nós a oportunidade de estarmos juntos nessa caminhada”, concluiu Indianara.
O episódio completo está disponível no YouTube, e as ações do Abril Indígena continuam sendo divulgadas nas redes sociais do HU-UFGD/HU Brasil.
Sobre a HU Brasil
O HU-UFGD faz parte da Rede HU Brasil desde setembro de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.