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HU-UFGD recebe reunião do Conselho Municipal de Saúde em meio ao avanço da chikungunya na Reserva Indígena de Dourados
O auditório do Hospital Universitário da UFGD recebeu, nesta quarta-feira (11), a reunião ordinária do Conselho Municipal de Saúde de Dourados, que reuniu conselheiros, gestores e representantes de instituições de saúde para discutir temas prioritários da saúde pública no município. Entre os assuntos centrais esteve o avanço da Chikungunya na Reserva Indígena de Dourados.
Representando o hospital universitário, o superintendente Hermeto Paschoalick destacou a importância do espaço de deliberação do controle social do Sistema Único de Saúde. “O HU-UFGD faz parte do Conselho Municipal de Saúde há alguns anos já nessa última gestão e a gente tem levado para as deliberações e participado de todas as decisões do controle social do SUS. Essa reunião foi muito importante, pois estamos vivendo aqui na nossa região, especialmente muito próximo de nós, nas aldeias indígenas de Dourados, uma epidemia de chikungunya”, destacou.
Dados apresentados pelo município durante a reunião indicam um cenário preocupante. De acordo com o secretário municipal de Saúde de Dourados, Márcio Grei Figueiredo, o número de notificações entre a população indígena segue em crescimento. “Nós temos hoje mais de 250 notificações dentro do território indígena, dessas 250 nós temos mais de 100 casos positivos. Nós sabemos que esses são os casos positivos notificados, mas nós sabemos que há muita gente dentro das suas casas que não conseguem ir, inclusive, ao posto de saúde. Então, esses números podem ser muito maiores. E também nós temos um óbito confirmado e dois óbitos em investigação que podem ser que sejam positivos. Então, isso é uma situação muito grave”, explicou.
Papel do hospital universitário
Durante a reunião, foi reforçado o papel do HU-UFGD no atendimento especializado e no apoio à rede de atenção à saúde indígena. “É aqui [no HU-UFGD] que a gente realiza o atendimento das mulheres gestantes e das crianças. É dentro do nosso Pronto Atendimento Pediátrico Referenciado que agora estamos com ação direta com a atenção primária da Saúde Indígena. Além disso, estamos diretamente em contato com o polo base de Dourados, com o Dsei-MS e com a Sesai através da UFGD e da Ebserh para prestarmos todo o apoio necessário em insumos, de equipamentos de pessoas pra que essa epidemia seja enfrentada sem mais nenhuma morte, sem mais nenhuma pessoa sofrendo na nossa população indígena de Dourados”, ressaltou o superintendente.
O presidente do conselho, Genivaldo Dias, enfatizou a função do colegiado na formulação e acompanhamento das políticas públicas de saúde.“O Conselho Municipal de Saúde, a respeito, se tratando da chikungunya, tem um papel fundamental. Ele fomenta as políticas públicas de saúde. O secretário Municipal de Saúde é um membro do colegiado e por mais que tenha as suas limitações relacionadas ao combate a chikungunya, a informação, a inserção do agente comunitário de saúde, a questão do saneamento básico, a educação da população, influenciam no número gritante que se apresenta na nossa comunidade de Dourados.”
A conselheira municipal do Fórum dos Usuários, da etnia Terena, Sueli Luzia Molinari, destacou a importância da participação indígena no conselho para levar as demandas das aldeias ao poder público. “Quando a gente participa dessas reuniões a gente já traz o que tá acontecendo dentro do território porque a gente é de lá, sabe tudo que acontece no dia a dia e sabe como resolver. Então, a gente tem hoje a cadeira no Conselho Municipal de Saúde para trazer as demandas indígenas para o município”, disse.
Representante do polo base da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Adalberto Araujo também ressaltou a importância de manter o conselho informado sobre a situação na reserva. “Então é bom que o Conselho Municipal de Saúde esteja ciente disso, do nosso trabalho, e que tenha essa preocupação dessa situação dentro da Reserva Indígena que é considerada praticamente um bairro dentro da cidade.”
Articulação da rede de saúde
Representantes do HU-UFGD já haviam participado de reunião na última sexta-feira (6) na Secretaria Municipal de Saúde após alerta emitido pelo município diante do aumento expressivo de casos de chikungunya na Reserva Indígena de Dourados.
Participaram da reunião o superintendente, Hermeto Macario Amin Paschoalick, a médica infectologista Andyane Tetila, o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, além de representantes de diversas instituições ligadas à saúde indígena, médicos que atuam nas aldeias, agentes de endemias e lideranças indígenas. O encontro discutiu estratégias para conter o avanço da doença, considerada relativamente recente nas comunidades indígenas, mas que preocupa devido à intensidade dos sintomas e ao longo período de recuperação.
A médica infectologista Andyane Tetila, do HU-UFGD, realizou a condução técnica do grupo para organização da rede assistencial, com promoção de palestra, construção de protocolo clínico e orientações. Ela explicou aos gestores sobre a doença e a atual situação de epidemia “nunca enfrentada em nosso município”. “É necessário que todos os profissionais de saúde estejam capacitados para manejar adequadamente esta doença, que diferente da dengue, é uma arbovirose que traz uma grande incapacidade física que pode durar meses”, ressaltou.
Paralelamente, o município de Dourados iniciou na segunda-feira (9) um mutirão para eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. A ação ocorre em parceria com o Governo do Estado, Prefeitura de Dourados, Prefeitura de Itaporã, Sesai, Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (Dsei-MS) e lideranças das aldeias Jaguapiru e Bororó.

O que é a chikungunya
A chikungunya é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo responsável pela transmissão da dengue e da zika. Os sintomas mais comuns incluem febre alta, dores intensas nas articulações, dores no corpo, dor de cabeça, náuseas, cansaço e manchas na pele.
Embora a maioria dos pacientes se recupere em algumas semanas, em muitos casos as dores articulares podem persistir por meses ou até anos. Há registros de pacientes que necessitam de acompanhamento e tratamento por até dois anos devido às complicações provocadas pela doença.
O tratamento é feito principalmente com medicamentos para aliviar os sintomas, hidratação e repouso, já que não existe um antiviral específico contra o vírus. Por isso, a principal forma de prevenção continua sendo a eliminação de locais com água parada, onde o mosquito se reproduz.
Rede Ebserh
O HU-UFGD faz parte da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Rede Ebserh) desde setembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.