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DEBATE
Painéis sobre ações afirmativas e impactos da Aldir Blanc nos territórios encerram seminário de avaliação da política
Foto: Juliana Uepa/ MinC
O papel das ações afirmativas na Aldir Blanc e os impactos da política na vida dos agentes culturais e em seus territórios nortearam os debates dos últimos painéis do I Seminário de Avaliação de Resultados da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, na tarde desta quarta-feira (1º), no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.
A mesa Ações Afirmativas na Política Nacional Aldir Blanc abordou seus efeitos na ampliação da participação das pessoas que acessam o fomento e a valorização de expressões historicamente à margem das políticas públicas. A mediação ficou a cargo da coordenadora-geral de Instrumentos Técnicos e Jurídicos na Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, Laís Alves Valente.
Na atividade, a coordenadora de Indicadores Culturais do MinC, Juliana Almeida, apresentou a pesquisa Ações Afirmativas na Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura - Uma Análise da Implementação pelos Estados, DF e Capitais entre 2023 e 2025.
Ela salientou que as ações afirmativas foram instituídas pela Instrução Normativa Nº 10/2023, espécie de caixa de ferramentas para os gestores efetivarem essas iniciativas.
“Nos estudos nós olhamos para os percentuais e adoção de editais específicos para verificar como se deu a implementação das cotas. Alcançamos todos os percentuais mínimos obrigatórios, o que é bastante surpreendente para o primeiro ciclo da Aldir Blanc”, observou Juliana.
O painel também possibilitou que agentes culturais contassem um pouco sobre os projetos desenvolvidos em seus territórios com apoio da Aldir Blanc. Representante do Coletivo Soure - Laboratório de Projetos Culturais em Caucaia (CE), Jessica Anacé, exibiu vídeos de ações com crianças das comunidades indígenas dos povos Anacé e Tapeva, que produziram filmes de animação.
“Obter reconhecimento com esse projeto é muito importante. Animação não é um trabalho fácil”, comentou Jessica.
Na sequência, a representante Bumba Meu Boi da Floresta, do Quilombo Liberdade, em São Luís (MA), Talyene Cruz, falou sobre as atividades do grupo, gerido por mulheres negras, e do impacto da Aldir Blanc.
“Quando a Política Aldir Blanc chega nesse lugar ela reforça nossas ações. No primeiro ciclo fomos contempladas em premiação da política pelo tambor de crioula. Tínhamos uma ação com crianças que foi ampliada com o recurso. Nós fazemos atividades tentando estudar como a cultura popular pode chegar nesses territórios”, frisou.
Já Fillipe Costa, idealizador do projeto Eficientes - Arte, Cultura Hip-Hop Inclusiva e Combate à Violência no Ambiente Escolar em Brasília (DF), destacou o papel da iniciativa que promove oficinas de grafite, rima e break para crianças.
“Esse é o sonho de um menino periférico que transformou a vida através do movimento Hip-Hop”, salientou ele, que tomou contato com essa cultura aos 7 anos de idade.
A chefe da Assessoria de Participação Social e Diversidade do MinC, Mariana Braga, salientou a importância das ações afirmativas. “Elas se fundamentam num direito fundamental de todo o povo brasileiro, expresso na nossa Constituição, que o de ter acesso à cultura”, reforçou.
Histórias de vida
Já o painel Histórias de vida da Política Nacional Aldir Blanc trouxe dados e trajetórias de agentes culturais contemplados pela iniciativa. A mediação ficou a cargo da diretora de Fomento Direto, Teresa Cristina de Oliveira.
Na abertura, a coordenadora-Geral de Avaliação de Políticas Culturais do MinC, Giuliana Kauark, trouxe os dados e indicadores da pesquisa Resultados do Primeiro Ciclo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura: Recursos Distribuídos, Agentes Contemplados e Ações Fomentadas.
Também um estudo, Diálogos sobre o Primeiro Ciclo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura: Vozes de Gestores, Agentes e Pontos de Cultura, foi detalhada pela professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Sophia Rocha.
O trabalho teve como objetivo realizar uma avaliação qualitativa com reflexos nos agentes culturais e nas experiências em gestões municipais e estaduais de cultura.
No painel que buscou dar voz aos rostos por trás da Política Nacional Aldir Blanc, a representante do Festival Varadouro, em Rio Branco (AC), Karla Martins, enfatizou a força da cultura e a retomada do evento de música independente após um hiato de 15 anos graças à iniciativa.
“A coisa mais importante que esse país tem é a cultura, e isso que muda o pensamento. As ações culturais transformam o seu entorno e fazem o enfrentamento à violência”, sublinhou.
Também participaram do debate o representante da Mostra Itinerante Cinema de Sala em Corumbá (MS), projeto de difusão e formação de público, Salim Haqzan, e o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).