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CULTURA AFRO-BRASILEIRA
Ministério da Cultura participa de encontro internacional em Cabo Verde para fortalecer cooperação cultural com a África
Foto: Guilherme Bruno/ Fundação Cultural Palmares
O Ministério da Cultura (MinC) participa, em Cabo Verde, do Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica, realizado entre os dias 28 e 30 de maio, na Universidade de Cabo Verde, na cidade da Praia. Promovido pela Presidência da República de Cabo Verde, o encontro reúne representantes de governos, organismos internacionais, pesquisadores, artistas e especialistas de diferentes países para debater as dinâmicas históricas, culturais e linguísticas que conectam África, Américas, Caribe e Europa no espaço atlântico.
Com o tema Edificar pontes, construir um futuro melhor, a programação propõe uma reflexão sobre os aspectos que compõem a chamada “crioulidade atlântica”, conceito proposto por Cabo Verde, a partir das experiências históricas da diáspora africana, da diversidade cultural, das línguas crioulas, da memória transatlântica e da diplomacia cultural.
A participação brasileira ocorre a convite do governo de Cabo Verde, com o apoio da Embaixada do Brasil em Praia, e integra a política de fortalecimento das relações culturais entre o Brasil e os países africanos, uma das prioridades da atuação internacional do Ministério da Cultura.
Para o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais (AEAI) do MinC, Bruno Melo, a presença brasileira no encontro reforça a estratégia de reaproximação do país com o continente africano. “Estamos aqui em Cabo Verde para o evento Crioulidade Atlântica, a convite do governo de Cabo Verde, pouco mais de um mês após a visita oficial da nossa Ministra ao país. Essa presença brasileira aqui, a presença especialmente do Ministério da Cultura, é um reforço à nossa política de reaproximação com os países de África e valorização da cultura afro-brasileira”, afirmou.
Segundo Bruno, os debates ampliam o diálogo sobre as contribuições das culturas de matriz africana na formação das sociedades da diáspora.
“Estamos discutindo toda a questão da influência das culturas de matriz africana dentro das culturas da diáspora nas Américas e a importância da diversidade linguística, da pluralidade de pensamentos também”, destacou.
Ele também ressaltou que o encontro contribui para uma agenda internacional de valorização da diversidade e enfrentamento ao racismo e à xenofobia.
“É uma contribuição importante para o debate, para o diálogo e para o aprofundamento também da construção da paz e do combate ao racismo, em todo o mundo”, completou.
Brasil no debate sobre diáspora e crioulidade
A programação do encontro inclui painéis sobre temas como Crioulidade e suas especificidades, Genealogia, História, Resistência e Modernidade, As Dinâmicas Históricas da Diasporização Atlântica, Memórias Transatlânticas e Patrimônio Vivo, Governança, Cooperação e Diplomacia Crioula e Crioulidade, Inovação e Indústrias Criativas.
Representando o Brasil, o professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e ex-presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, integrou a mesa As Dinâmicas Históricas da Diasporização Atlântica, ao lado de especialistas dos Estados Unidos e de Cabo Verde.
“Estou aqui em Cabo Verde participando do encontro Crioulidade do Atlântico, promovido pelo governo de Cabo Verde e que trata da língua crioula e da possibilidade dessa expansão no que ele chama de crioulidade”, disse Zulu.
Em sua fala, o professor abordou as relações entre a diáspora africana, os processos de formação cultural nas Américas e o papel das políticas públicas de cultura voltadas à população afrodescendente. Para ele, compreender a diáspora exige reconhecer a centralidade da África e a diversidade das manifestações culturais negras nos diferentes territórios atravessados pela experiência atlântica.
Zulu também destacou a importância da Fundação Cultural Palmares na construção desse diálogo. Muito do que eu falei aqui hoje, muito do que eu pude compartilhar com a plateia, tinha a ver com o trabalho da Fundação Cultural Palmares, o que revela a importância dessa instituição não apenas para a comunidade negra brasileira, mas para o diálogo do Brasil com o continente africano”, pontuou.

- Foto: Guilherme Bruno/ Fu dação Cultural Palmares
Fundação Cultural Palmares como ponte entre Brasil, África e diáspora
A missão brasileira em Cabo Verde conta ainda com a presença da Fundação Cultural Palmares, instituição vinculada ao Ministério da Cultura e responsável pela promoção, preservação e difusão da cultura afro-brasileira.
“A Fundação Cultural Palmares é primordial, porque é ela a responsável pela preservação, pela difusão e pela valorização das manifestações negras no Brasil”, afirmou Zulu Araújo.
Também presente no encontro, Guilherme Bruno, coordenador-Geral do Centro de Informação e Acervo da Memória e da Cultura Afro-brasileira (CIAM), departamento da Fundação Cultural Palmares (FCP), responsável pelas políticas de disseminação de informações culturais e pelo fomento a estudos e pesquisas da cultura afro-brasileira, enfatizou que a atuação da instituição ultrapassa as fronteiras brasileiras e se conecta diretamente à cooperação internacional com países africanos e da diáspora.
“A Fundação Palmares tem a missão de promover a cultura afro-brasileira através da valorização do patrimônio histórico, mas não só no Brasil. A Palmares tem a missão de fazer isso ao redor do mundo e está aqui hoje em Cabo Verde, prestigiando o Encontro da Crioulidade Atlântica, procurando enriquecer o diálogo, e diante de tudo o que está sendo discutido aqui, fica muito evidente que é importante que a Palmares se coloque nesses cenários de discussão internacional e se faça presente na disseminação, valorização e fomento da cultura afro-brasileira ao redor do mundo".
A presença da Fundação no encontro reforça o papel da instituição como elo entre o Brasil, a África e a diáspora, contribuindo para políticas de memória, valorização das matrizes africanas, intercâmbio cultural e construção de parcerias internacionais.
Reaproximação com o continente africano
Desde 2023, o Ministério da Cultura tem ampliado iniciativas de cooperação com países africanos, com foco em memória, patrimônio, audiovisual, economia criativa, intercâmbio artístico e fortalecimento de redes institucionais.
Entre as ações recentes estão a participação brasileira no Mercado de Artes do Espetáculo de Abidjan (MASA), na Costa do Marfim; a assinatura de acordos de cooperação cultural com Angola; a implementação da cooperação cultural com o Benin; a aproximação com a Nigéria no campo do audiovisual; e a retomada do Programa CPLP Audiovisual, com participação de países africanos de língua portuguesa, como Angola, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
A agenda em Cabo Verde também dialoga com a participação brasileira em fóruns internacionais dedicados às relações entre África e diáspora, fortalecendo a cultura como instrumento de cooperação, justiça histórica, desenvolvimento e aproximação entre os povos.
Para o Ministério da Cultura, retomar e aprofundar a cooperação cultural com a África é reconhecer que Brasil e continente africano compartilham histórias, matrizes civilizatórias e possibilidades concretas de construção conjunta.
Como sintetiza o discurso institucional da pasta, fortalecer os laços com a África é, também, fortalecer o Brasil.