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CULTURAS TRADICIONAIS E POPULARES
Maceió reúne representantes de todo o Brasil na abertura do Encontro de Mestras e Mestres do Notório Saber
Mestre Capitã Pedrina / Foto: Nathália Calazans
Maceió (AL) tornou-se, nesta quarta-feira (1º), ponto de encontro de mestras e mestres das culturas tradicionais e populares de todas as regiões do país. Representantes das 27 unidades da Federação participaram da abertura do Encontro de Mestras e Mestres do Notório Saber no Brasil, iniciativa do Ministério da Cultura (MinC) que, até sexta-feira (3), reúne detentores de saberes ancestrais, pesquisadores, docentes, estudantes e gestores públicos em torno de um objetivo comum: ampliar o reconhecimento dos conhecimentos tradicionais como parte fundamental da produção de conhecimento no Brasil.
A cerimônia de abertura reafirmou o compromisso do MinC, por meio da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC), com a valorização das culturas tradicionais e populares e com o reconhecimento das mestras e dos mestres como protagonistas da produção de conhecimento no país. O encontro é realizado em parceria com o Instituto Federal do Ceará (IFCE), por meio do Consórcio do Notório Saber.
Para a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg, o encontro representa um marco para o fortalecimento das políticas públicas de cultura e para o reconhecimento dos saberes construídos nos territórios.
"Venho do SUS, da luta pelos direitos fundamentais, e vejo hoje, em Maceió, o embrião do Sistema Nacional de Cultura. A cultura é um direito de todos, está na Constituição, e as fontes desse conhecimento estão exatamente onde vocês estão”.
Cultura que acolhe e representa o Brasil
A noite começou com uma homenagem a Mozart Viana da Silva, referência da cultura popular alagoana, integrante da Federação das Organizações da Cultura Popular e do Artesanato Alagoano (Focuarte) e defensor das tradições culturais brasileiras, falecido no último mês.
Em seguida, o grupo Guerreiro Comigo Ninguém Pode levou ao palco uma das mais tradicionais manifestações da cultura popular alagoana. A solenidade também foi marcada pela execução do Hino Nacional em uma emocionante interpretação do mestre Lula Sabiá, ao som da sanfona.
Além de representantes do poder público, participaram da abertura mestras e mestres, pesquisadores, docentes, universidades, institutos federais e organizações culturais de todas as regiões do país, reafirmando a diversidade de conhecimentos que compõem o patrimônio cultural brasileiro.
Mesa de honra
Compuseram a mesa de honra a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg; o diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares da SCDC, Tião Soares; o vice-reitor do Centro Universitário Cesmac, Douglas Apratto Tenório; a pró-reitora de Extensão do Instituto Federal do Ceará, Ana Uchôa; o presidente da Federação das Organizações da Cultura Popular e do Artesanato Alagoano (Focuarte), João Lemos; a representante dos Mestres do Patrimônio Vivo de Alagoas, Mestra Cícera Leite Paz de Freitas; o mestre da Cultura Tradicional do Jongo, Gil do Jongo de Piquete; a presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural de Maceió, Miryel Cavalcante Melo Neto; e o presidente da Associação dos Folguedos Populares de Alagoas (Asfopal), Ivan Barsand.
Ao receber o encontro, o vice-reitor do Centro Universitário Cesmac, Douglas Apratto Tenório, destacou a importância da aproximação entre os conhecimentos tradicionais e o ambiente acadêmico.
"Receber este encontro no Cesmac reafirma o compromisso da instituição com uma educação aberta ao diálogo entre diferentes formas de produção do conhecimento. As mestras e os mestres das culturas tradicionais e populares carregam saberes fundamentais para a formação do país, e é uma honra contribuir para aproximar esses conhecimentos do ambiente acadêmico."
Saberes que transformam a educação
Após a solenidade de abertura, a programação prosseguiu com a conferência ministrada pela Mestra Capitã Pedrina, professora do Programa de Notório Saber da Universidade Federal da Bahia (UFBA), abrindo oficialmente os debates que serão realizados ao longo dos três dias de encontro.
Nos próximos dias, a programação abordará experiências do Notório Saber nas universidades brasileiras, a relação entre cultura e educação, os direitos autorais dos conhecimentos tradicionais e a criação da Rede Nacional de Universidades e Institutos para o Notório Saber de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares, iniciativa que busca ampliar a articulação entre instituições de ensino, pesquisadores e detentores dos saberes ancestrais.
Segundo o diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares da SCDC,Tião Soares, o encontro representa um passo importante para ampliar o reconhecimento institucional das mestras e dos mestres.
"Quando falamos em ancestralidade, reconhecemos que muitos vieram antes de nós. Este encontro não pretende reinventar a roda, mas reconstruir caminhos para que esse reconhecimento aconteça de forma efetiva. Mais do que uma certificação, buscamos o reconhecimento do Notório Saber para pessoas que, ao longo da história, foram subalternizadas e que hoje reivindicam o lugar que lhes pertence: o de professoras e professores doutores dos espaços onde a educação acontece”.
Próximas atividades
A programação continua nesta quinta-feira (2) com mesas dedicadas aos diálogos entre cultura e educação, às experiências do Notório Saber desenvolvidas em instituições de ensino superior, aos desafios relacionados aos direitos autorais e à salvaguarda dos conhecimentos tradicionais, além de apresentações culturais e da solenidade de concessão do Título de Notório Saber promovida pelo Cesmac.