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Iphan inaugura coleção editorial com livro sobre o restauro do Palácio Gustavo Capanema
Foto: Mariana Alves/Iphan
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) lançou, na noite de terça-feira (10), no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, o livro Restauro - Palácio Gustavo Capanema: O Patrimônio Cultural no Novo PAC. A publicação inaugura a coleção Restauro, dedicada a documentar e apresentar ao público intervenções de preservação do patrimônio cultural brasileiro conduzidas pelo Iphan no âmbito do Novo PAC. A obra foi produzida com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), por meio de Projeto de Cooperação Técnica Internacional.
O evento, que reuniu mais de 300 pessoas, contou com a presença do presidente do Iphan, Leandro Grass; da superintendente do Iphan no Rio, Patrícia Wanzeller; do diretor do Departamento de Ações Estratégicas e Intersetoriais (DAEI) do Iphan, Daniel Sombra; da presidenta da Funarte, Maria Marighella; e da secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura do Ministério da Cultura, Roberta Cristina Martins.
Durante a cerimônia, que contou com apresentação musical de chorinho do grupo carioca Boêmios da Rua do Rosário, exemplares do livro foram distribuídos aos presentes. A versão digital do livro está disponível gratuitamente aqui.
Leandro Grass destacou o caráter coletivo da entrega do restauro do Capanema. “Estamos num momento muito feliz e emocionante dessa história. Nada se faz sozinho; tudo se faz coletivamente. Deixo um especial agradecimento aos servidores do Iphan, fundamentais nesse processo”, afirmou.
Daniel Sombra, responsável pela produção da obra, destacou que este é apenas o começo de um projeto editorial amplo. “Tivemos o privilégio de mostrar neste livro um pouco dessa história e de como foi o processo do restauro. Essa é a primeira etapa de uma coleção que contará o que o Iphan vem realizando por todo o Brasil”, explicou Sombra.

- Evento reuniu cerca de 300 pessoas no Hall de Recepção do segundo pavimento. Foto: Mariana Alves/Iphan
Patrimônio, história e trabalhadores
O livro apresenta, de forma inédita, o processo de restauração do edifício conduzido pelo Iphan entre 2019 e 2025, com investimento de mais de R$ 84 milhões por meio do Novo PAC.A intervenção foi considerada uma das mais complexas conduzidas pelo Iphan, com um projeto que seguiu o princípio “menos é mais”: uma modernização profunda, porém quase imperceptível.
A superintendente do Iphan no Rio, Patrícia Wanzeller, ressaltou o empenho técnico por trás da obra. “Tivemos uma equipe extremamente qualificada que conduziu esse restauro. Fizemos acontecer e superamos esse desafio enorme para devolvê-lo à população brasileira”, declarou.
Entre as principais intervenções realizadas estão a implantação de novas redes elétrica, hidráulica e sanitária, sistemas de climatização e combate a incêndio, além de tecnologias de segurança e monitoramento. Também foram restaurados elementos originais do prédio, como os painéis de azulejaria de Cândido Portinari e Paulo Rossi Osir, os pisos de linóleo, o mármore do térreo, as luminárias Holophane, o jardim projetado por Roberto Burle Marx, entre outros. A obra também incluiu detalhes sobre o restauro do mobiliário modernista original das décadas de 1930 e 1940, com peças desenhadas por nomes como Oscar Niemeyer.
Além de documentar o processo do restauro, o livro apresenta a história do edifício e seu papel na cultura brasileira. Construído entre 1937 e 1945, o Capanema foi concebido durante a gestão do ministro Gustavo Capanema e projetado por uma equipe de arquitetos brasileiros coordenada por Lucio Costa, com participação de Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Jorge Machado Moreira e Ernâni de Vasconcellos, além da consultoria do arquiteto franco-suíço Le Corbusier. Tombado pelo Iphan em 1948, o prédio tornou-se um símbolo da integração entre arte, arquitetura e políticas culturais no Brasil.
Um dos destaques da publicação é o capítulo “Trabalhadores do Patrimônio”, dedicado a homenagear os profissionais que atuaram no canteiro de obras. A seção apresenta fotografias e os nomes de alguns desses operários que participaram da restauração, reconhecendo o seu papel na preservação da memória cultural brasileira.

- Durante a cerimônia, exemplares do livro foram distribuídos aos presentes. Foto: Mariana Alves/Iphan
A coleção Restauro
A coleção visa registrar e divulgar obras de restauração conduzidas pelo Iphan no âmbito do Novo PAC. Ao documentar os desafios técnicos e as soluções adotadas, a série busca ampliar o acesso ao conhecimento sobre preservação do patrimônio e valorizar o trabalho de especialistas, técnicos e trabalhadores envolvidos nesses processos.
Para a coordenadora editorial do livro, Marina Simon, o desafio foi transformar uma obra de engenharia complexa em uma narrativa acessível. “Nossa intenção foi criar uma publicação que dialogasse tanto com o especialista quanto com o cidadão que admira o prédio. Queríamos que o leitor se transportasse para o canteiro de obras e conhecesse a relevância de cada detalhe do restauro”, pontuou.
O volume sobre o restauro do Capanema contou com projeto gráfico do Carlos Drumond e fotos de Oscar Liberal, Mariana Alves, Jessika Lima e Marcos Gusmão.