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Dados, plataformas e valor da cultura no século XXI pautam debate no Rio2C
Foto: Felipe Torres
A cultura como ativo estratégico para o desenvolvimento contemporâneo esteve no centro do debate da mesa Dados, plataformas e o valor da cultura no século XXI, realizada na manhã desta quinta-feira (28), durante o Rio2C. Mediado pela secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura (MinC), Cláudia Leitão, o encontro reuniu representantes da Firjan e da Fundação Itaú para discutir como dados, plataformas digitais e inteligência informacional podem fortalecer ecossistemas criativos, qualificar políticas públicas e ampliar o reconhecimento econômico e simbólico da cultura.
O debate abordou desafios relacionados à soberania de dados, mensuração da economia criativa, governança informacional e impactos das plataformas digitais na mediação cultural.
Na abertura, Cláudia Leitão celebrou o momento vivido pela política cultural brasileira e destacou a criação da Política Nacional de Economia Criativa – Brasil Criativo, que será lançada oficialmente com assinatura de decreto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no sábado, dia 30/5, também no Rio2C.
“Viva o Brasil Criativo que nasce com a presença e a assinatura do decreto pelo próprio presidente da República. Essa é uma conquista de todos nós que lutamos por essas relações entre cultura e desenvolvimento”, afirmou.
A secretária também destacou o fortalecimento institucional da Secretaria de Economia Criativa do MinC e a criação do Observatório Celso Furtado, iniciativa voltada à produção de dados e evidências sobre a economia criativa brasileira.
“Estamos constituindo institucionalmente a Secretaria da Economia Criativa. Ela não existia mais e foi retomada pela ministra Margareth Menezes para pensar a dimensão econômica do desenvolvimento a partir da cultura”, ressaltou.
Segundo Cláudia, a produção de dados confiáveis é fundamental para transformar informações em políticas públicas efetivas. “Precisamos produzir dados confiáveis para transformar esses dados em políticas públicas e fazer uma gestão realmente baseada em evidências”, disse.
Falando da importância de reconhecer o setor da economia criativa como vetor de desenvolvimento econômico, Júlia Zardo, gerente de Ambientes de Inovação da Firjan, destacou o papel histórico da Firjan no mapeamento da economia criativa brasileira. “A gente trabalha com a economia criativa como uma economia da sustentabilidade das ideias e da cultura. Durante muito tempo, não se falava de números nem do potencial econômico da cultura”, afirmou.
Júlia explicou que o estudo desenvolvido pela Firjan desde 2008 utiliza dados da Rai e do IBGE para mapear o impacto econômico das atividades criativas no Brasil. Segundo ela, o setor representa atualmente 3,6% do PIB brasileiro, movimentando R$ 393 bilhões e empregando mais de 1 milhão de trabalhadores.
“A criatividade é um ativo econômico. Ela traz competitividade, diversificação econômica e valor para diversas cadeias produtivas”, destacou. A gerente também chamou atenção para os limites das métricas tradicionais e para a necessidade de “humanizar” os dados culturais, considerando as dinâmicas reais do trabalho criativo.
“Como é que a gente traduz esses dados? A economia criativa é marcada por vínculos frágeis, informalidade e pejotização. Muitas vezes os trabalhadores atuam sem proteção, e isso precisa entrar no debate”, alertou.
Outro ponto abordado por ela foi a soberania tecnológica e a necessidade de infraestrutura digital nacional para armazenamento e gestão de dados. “Precisamos discutir data centers, soberania de dados e infraestrutura tecnológica. Hoje muitos dos nossos dados estão fora do país”, afirmou.
Na mesma linha, Allan Valadares, do Itaú Cultural, pontuou que os dados precisam gerar conhecimento e orientar decisões estratégicas para o setor cultural. “Dado hoje é igual água. Estamos submersos em dados, mas o importante é transformar isso em conhecimento e tomada de decisão”, afirmou.
Valadares destacou que os levantamentos atuais já ajudam a demonstrar a potência econômica da cultura, mas ainda há desafios importantes, especialmente na mensuração de impactos simbólicos e territoriais.
“A gente já consegue mostrar que a indústria criativa emprega milhões e movimenta bilhões. Mas ainda precisamos avançar em pesquisas sobre pertencimento, impacto social e transformação de vidas”, pontuou.
Ao longo do encontro, os participantes reforçaram que o avanço da economia criativa depende não apenas da produção de estatísticas, mas também da capacidade de conectar dados à realidade dos territórios, dos trabalhadores da cultura e das transformações sociais promovidas pelo setor.
A mesa integrou a programação do Rio2C, maior encontro de criatividade e inovação da América Latina, que reúne representantes da cultura, tecnologia, audiovisual, música, inovação e economia criativa.