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Conab sedia encontro entre países da América da Sul para impulsionar sistemas agroalimentares sustentáveis
Buscar soluções capazes de tornar os sistemas agroalimentares mais resilientes diante dos impactos da mudança do clima sobre a agricultura, o abastecimento de alimentos e a soberania e segurança alimentar e nutricional na América do Sul. Esse é um dos objetivos do seminário “Desafios e soluções para as mudanças climáticas: impactos na agricultura e nos sistemas agroalimentares do futuro”. O evento, realizado nesta quarta (11) e quinta-feira (12) em Brasília (DF), é promovido pela Rede de Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos (Rede SPAA) na América Latina e Caribe, atualmente presidida pelo governo brasileiro, por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e coordenada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO/ONU).
O seminário internacional ocorre em um contexto global de eventos do clima cada vez mais frequentes e intensos, como secas prolongadas, inundações e ondas de calor, que afetam diretamente a produção agrícola, a logística de distribuição e o acesso da população aos alimentos. “A Conab é uma grande referência hoje para esses países que compõem a Rede SPAA, pois veem na Companhia um modelo de gestão muito exemplar. Mas também, através do intercâmbio de experiência, temos aprendido muito com os outros 18 países com aquilo que cada um está realizando no âmbito da criação de sistemas agroalimentares resilientes e sustentáveis. Agora, neste seminário, nós estamos discutindo como nós vamos conjuntamente enfrentar os efeitos das mudanças climáticas que não tem fronteira de um país ao outro”, reforçou o presidente da Conab e da rede SPAA, Edegar Pretto, durante o início dos trabalhos realizado na manhã de quarta (11) no Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos (CDRH), uma das unidades da estatal em Brasília/DF.
Ainda estiveram presentes na cerimônia de abertura o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira; o diretor da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), embaixador Ruy Pereira; e o representante da FAO no Brasil, Jorge Meza. Também estiveram presentes na solenidade o diretor-executivo de Operações e Abastecimento da Companhia, Arnoldo de Campos.
Além de debater os desafios, o seminário busca identificar soluções inovadoras, promover o intercâmbio de experiências e fortalecer a cooperação regional, com foco em instrumentos como reservas públicas de alimentos, mercados institucionais e circuitos curtos de comercialização, considerados estratégicos para garantir o abastecimento e mitigar os efeitos sociais da crise climática. O encontro também se apresenta como uma oportunidade estratégica para consolidar um marco de políticas públicas e ações conjuntas voltadas ao fortalecimento da resiliência e da sustentabilidade dos sistemas agroalimentares da região, contribuindo para um desenvolvimento rural mais equitativo e mais preparado para enfrentar os riscos associados às mudanças climáticas.
A iniciativa integra o projeto “Ação regional para fortalecer as instituições públicas de abastecimento e comercialização de alimentos”, desenvolvido no âmbito da cooperação Sul-Sul entre o Brasil — por meio da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) — e a FAO, com apoio técnico e financeiro da Conab.
O evento acontece até o fim da tarde de amanhã (12) e reúne representantes de governos do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, organismos internacionais e especialistas para discutir políticas públicas, instrumentos de abastecimento e estratégias capazes de tornar os sistemas agroalimentares mais resilientes aos eventos climáticos extremos.
Criação de um sistema de abastecimento integrado em situações emergenciais - Ao final do primeiro dia do evento, o presidente da Rede SPAA e da Conab, Edegar Pretto, fez o anúncio de um aporte de US$ 1 milhão, recurso investido através de um projeto em parceria com a FAO e com incrementos financeiros dos países-membros a ser gerido pela Rede, para a construção de uma estratégia conjunta entre os 19 países da Rede SPAA, a fim de viabilizar, de maneira otimizada e rápida, as respostas conjuntas e o auxílio mútuo entre os membros da iniciativa à questões relacionadas ao abastecimento alimentar frente a fenômenos climáticos intensos.
A proposta da criação de um Fundo de Reserva Estratégica de Alimentos, baseado em estudos conjuntos dos países participantes da Rede, é para mapear onde estão posicionados os alimentos e identificar qual a capacidade de armazenamento, individual e conjunta das nações integrantes, para estoque de alimentos na região, além da construção de um protocolo de atendimento de resposta rápida para dar assistência mútua com celeridade à população latina-americana atingidas em situações de eventos climáticos extremos.
Fundamentado na expertise acumulada da Conab em mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, a partir de ações executadas pela Companhia para a criação de sistemas alimentares resilientes e sustentáveis, e também nas iniciativas que a estatal desenvolve na logística da doação de alimentos quando há necessidade de atender pessoas afetadas por eventos climatológicos graves, a Conab irá compartilhar sua experiência na geração de inteligência e conhecimento sobre esses temas para que a Rede tenha em sua base informações e dados que subsidiem de maneira ágil e fácil a tomada de decisões e elaboração de medidas em tempo hábil para socorro a comunidades afetadas em casos de ocorrências climáticas severas.
Visita de Campo à cooperativa sustentável - Já o segundo dia de atividades, nesta quinta (12), foi iniciado com uma visita de campo à Cooperativa da Agricultura Familiar de Produção Orgânica e Agroecológica (COOPERAF), no Assentamento Chapadinha, localizado no Lago Oeste, Zona Rural de Sobradinho/DF. Fundada em 2019, a COOPERAF possui hoje 67 famílias produtoras, cultivando uma área de 167,5 hectares, com a produção totalmente feita pela agricultura familiar, agroecológica e orgânica, com alimentos saudáveis e frescos. No local, os visitantes puderam conhecer as produções diversificadas como raízes, tubérculos, hortaliças, folhosas, temperos, ervas aromáticas, grãos, legumes, frutas, tanques para piscicultura, entre outros.
Também foi discutido em roda de conversa com os produtores locais e a delegação latino-americana o modo de comercialização dos produtos alimentícios cultivados pela Cooperativa, que além de abastecer as feiras livres da região e da Central de Abastecimento do Distrito Federal (CEASA/DF), ainda participa de programas governamentais e institucionais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), demonstrando como esses canais permitem fortalecer a agricultura familiar e garantir acesso da população a alimentos de qualidade.
Além disso, para garantir um sistema alimentar sustentável e resiliente, a entidade apresentou aos participantes da visita as ações que desenvolve para fortalecer a produção e a comunidade como, implantação de energia fotovoltaica para produção agrícola; instalação de kits de irrigação; capacitação para o empoderamento feminino; formação de jovens agricultores; e implementação de infraestrutura produtiva (máquinas e equipamentos).
Encerramento - À tarde, após a visita, a delegação retornou ao CDRH para fazer uma discussão sobre a agenda de cooperação dos países-membros da rede SPAA para atuação na América do Sul. Nesta atividade, os participantes fizeram a definição de uma agenda sub-regional de cooperação no âmbito da Rede SPAA, voltada a promover ações coordenadas e de longo prazo diante dos desafios das mudanças climáticas na agricultura e nos sistemas alimentares.
Por fim, foi feita uma revisão, balanço e conclusão das atividades realizadas durante os dois dias, que buscou consolidar uma abordagem participativa e multissetorial, permitindo a identificação de desafios, compartilhamento de soluções inovadoras e fortalecimento de capacidades para uma gestão mais resiliente e adaptada aos impactos das mudanças climáticas na América do Sul. Também foram traçados os próximos passos de atuação da Rede na sub-região.
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