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Fundação Casa de Rui Barbosa fortalece debate internacional sobre Cultura Viva Comunitária na 6ª Teia Nacional
Aracruz, no Espírito Santo, recebeu na última semana o principal encontro da Cultura Viva no país. Reunindo representantes de Pontos de Cultura, gestores públicos, pesquisadores, mestres e mestras da cultura, povos originários, coletivos e redes culturais de diferentes regiões do Brasil e de países da América Latina e da Ibero-América, o evento promoveu uma ampla programação dedicada à troca de saberes, à articulação entre territórios e ao fortalecimento das políticas culturais de base comunitária.
Neste contexto, a 6° TEIA Nacional contribuiu diretamente para o aprofundamento do debate sobre políticas culturais, democracia e cooperação internacional, articulando espaços de reflexão, intercâmbio e formulação voltados à Cultura Viva Comunitária como horizonte estratégico para a construção de políticas públicas participativas e conectadas às experiências dos territórios.
O principal destaque foi a realização da segunda edição do Seminário Internacional Cultura Viva Comunitária: Uma Escola Latino-americana de Políticas Culturais, promovido pela Fundação em parceria com a argentina Redes de Gestión Cultural. O encontro reuniu representantes do Brasil, Argentina, Colômbia e Espanha em torno de uma agenda comum voltada ao intercâmbio de experiências, ao fortalecimento de redes e à produção compartilhada de conhecimento sobre gestão cultural e políticas públicas.
Um ano após a primeira edição, realizada na Cidade do México, o seminário consolidou-se como espaço de referência internacional para o pensamento crítico sobre Cultura Viva Comunitária. Mais do que um encontro entre especialistas, a atividade colocou em diálogo experiências concretas desenvolvidas em comunidades, instituições culturais, redes independentes e iniciativas públicas que vêm formulando, na prática, novas formas de fazer política cultural na América Latina.
Os debates abordaram temas como participação social, mecanismos de financiamento, formação em gestão cultural, justiça climática, democracia cultural e cooperação regional. Ao reunir experiências de diferentes países, o seminário reforçou a Cultura Viva Comunitária como campo de produção de conhecimento e como ferramenta concreta de transformação social, capaz de conectar saberes comunitários, práticas culturais e formulação institucional.
Ao longo da programação, foi reafirmado o reconhecimento do como uma das experiências mais consistentes e inspiradoras das políticas culturais contemporâneas. Também ganhou centralidade o papel dos Pontos de Cultura como espaços permanentes de criação, memória, mobilização social e transmissão de saberes, fundamentais para a construção da cidadania cultural no Brasil.
Mediado por Alexandre Santini, presidente da Fundação e um dos idealizadores do seminário, o painel Cooperação, democracia e o futuro da Cultura Viva aprofundou o debate sobre os desafios atuais das políticas culturais e sobre os caminhos necessários para fortalecer a Cultura Viva Comunitária como política pública estratégica para a democracia, a diversidade cultural e a integração regional latino-americana.
A Fundação também integrou as atividades do Laboratório Nômade, plataforma internacional de pensamento crítico e ação coletiva que reuniu mais de 60 participantes de 13 países. O espaço promoveu debates sobre justiça climática, soberania digital, culturas como bens comuns e cooperação cultural regional, contribuindo para aproximar experiências e consolidar redes internacionais comprometidas com novos paradigmas de gestão cultural.
Durante as atividades, foi apresentado o Manifesto do Laboratório Nômade, elaborado no contexto da Mondiacult 2025, conferência mundial da UNESCO sobre políticas culturais. O documento reúne reflexões sobre direitos culturais, participação social, soberania tecnológica e democracia cultural, reforçando a Cultura Viva como referência internacional de organização comunitária, cooperação entre territórios e construção de políticas culturais a partir das experiências dos povos latino-americanos e ibero-americanos.
Outro marco importante da semana foi o retorno da Fundação Casa de Rui Barbosa ao pleno do CNPC, oficializado durante a Teia com a assinatura do Decreto nº 12.980/2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida também marcou o retorno da Setorial de Arquivos ao Conselho, recolocando a memória, os arquivos e o patrimônio documental no centro do debate público sobre cultura no Brasil.
A programação desenvolvida pela Fundação em Aracruz reforçou o papel da instituição como espaço de pesquisa, memória e formulação no campo das políticas culturais, aproximando a produção acadêmica e institucional das experiências vividas nas comunidades e dos processos culturais construídos coletivamente nos territórios.
Ao final da Teia, ficou reafirmada a existência de uma escola latino-americana de políticas culturais construída desde os territórios, alimentada pelos saberes comunitários, pelas redes de cooperação e pela capacidade dos povos de transformar experiências em conhecimento compartilhado. Em um tempo marcado por desafios globais e pela urgência democrática, a Cultura Viva Comunitária segue apontando caminhos que nascem do encontro, da escuta e da ação coletiva. Em toda a América Latina e na Ibero-América, são as comunidades que continuam conectando memória, diversidade e futuro.