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AN recebe documentos do Centro de Informações do Exército produzidos na ditadura militar
O Arquivo Nacional recebeu, na tarde do dia 22 de junho, parte da documentação produzida pelo Centro de Informações do Exército (CIE) durante a ditadura militar brasileira. A cerimônia, realizada na sede da instituição, no Rio de Janeiro, marcou a incorporação de 23 pastas contendo cerca de 3 mil páginas de documentos ao acervo público federal.
O conjunto documental permaneceu durante décadas em posse do coronel Cyro Guedes Etchegoyen, que chefiou a seção de contrainformações do Exército entre 1969 e 1974, período considerado um dos mais violentos da ditadura militar. Segundo as investigações divulgadas pelo projeto Bandidos de Farda, do ICL Notícias, o material integrava originalmente o acervo do Exército Brasileiro e foi mantido fora dos arquivos oficiais por muitos anos.
A documentação foi entregue pelo Instituto Fernando Santa Cruz e pela jornalista Juliana Dal Piva, responsável pela série de reportagens que revelou a existência do acervo.
Durante o ato, a diretora-geral do Arquivo Nacional, Monica Lima, destacou a importância da devolução dos documentos ao Estado brasileiro e parabenizou a iniciativa da jornalista Juliana Dal Piva, responsável por encaminhar o material para guarda permanente da instituição. Segundo Monica, a incorporação do acervo amplia o acesso da sociedade a documentos de interesse público e reforça o papel do Arquivo Nacional na preservação da memória do país.
Ao falar sobre a entrega, Juliana Dal Piva, jornalista responsável pela série Bandidos de Farda, do ICL Notícias, ressaltou que os documentos foram confiados à equipe responsável pelo projeto investigativo e que, desde o início, havia o propósito de garantir seu retorno ao Estado. A jornalista também fez um apelo para que pessoas que possuam documentos relevantes para a história do país contribuam para sua preservação e devolução aos arquivos públicos.
Segundo Juliana, documentos dessa natureza devem retornar ao Estado para que possam ser preservados, organizados e acessados pela população. Ela destacou ainda que esses registros fazem parte da história do país e são fundamentais para a construção da memória coletiva.
Também participaram da cerimônia o diretor de Processamento Técnico, Preservação e Acesso ao Acervo do Arquivo Nacional, Thiago Vieira; o chefe do Centro de Referência Memórias Reveladas, Thiago Mourelle; e o procurador da República Paulo Thadeu Gomes da Silva.
A entrega foi intermediada pelo Centro de Referência Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional, cujo objetivo é reunir, preservar e difundir a documentação produzida durante a ditadura militar. O acesso a esses registros é peça central do direito à memória e à verdade, contribuindo para o esclarecimento de violações de direitos humanos, a identificação de vítimas e a reparação às famílias de desaparecidos políticos.