CABOTAGEM

BR do Mar fortalece a cabotagem para uma logística mais eficiente e sustentável

Programa reduz custos de transporte e amplia alternativas para movimentação de cargas no país

Publicado em 03/06/2026 18:20Modificado há 2 dias
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Uma vista aérea panorâmica e diurna mostra um movimentado terminal portuário de contêineres à beira-mar, cercado por águas calmas e colinas verdes ao fundo sob um céu claro.
Programa BR do Mar é conjunto de medidas que busca fortalecer a cabotagem, aumentar a oferta de embarcações, ampliar a concorrência, reduzir os custos de transporte e, consequentemente, mitigar a emissão de poluentes e eventuais impactos ambientais relacionados à atividade de transporte. Foto: Divulgação/Portos do Paraná

Com mais de 8 mil quilômetros de litoral e dezenas de portos distribuídos ao longo da costa, o Brasil possui características geográficas favoráveis ao transporte marítimo entre portos nacionais. Apesar disso, a cabotagem, modalidade que movimenta cargas entre portos brasileiros, ainda ocupa uma parcela relativamente pequena da matriz logística do país.

Atualmente, as rodovias respondem por cerca de 65% do transporte de cargas no Brasil. Em seguida aparecem as ferrovias, com cerca de 20%, e o transporte aquaviário, que reúne cabotagem e navegação interior, com cerca de 15%. Quando são excluídos minérios e combustíveis da conta, a participação das estradas sobe para aproximadamente 85% da matriz de transporte de cargas.

Para ampliar as alternativas logísticas e reduzir a dependência do modal rodoviário, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) desenvolve o programa BR do Mar, conjunto de medidas que buscam fortalecer a cabotagem, aumentar a oferta de embarcações, ampliar a concorrência, reduzir os custos de transporte e, consequentemente, mitigar a emissão de poluentes e eventuais impactos ambientais relacionados à atividade de transporte.

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, diversificar a matriz logística é fundamental para aumentar a competitividade da economia brasileira. “A dimensão continental do Brasil exige soluções logísticas diversificadas e eficientes. O fortalecimento da cabotagem amplia as opções para o transporte de cargas, reduz custos, aumenta a competitividade das empresas e contribui para uma logística mais sustentável”, afirma.

Menos dependência das rodovias

Um maior equilíbrio da matriz de transporte é algo que pode reduzir os custos logísticos brasileiros, já que as estradas ficam mais expostas a congestionamentos, interrupções operacionais, oscilações nos custos de combustível, riscos de acidentes e desafios de manutenção; fatores aos quais o transporte por cabotagem está menos exposto.

Em países com matrizes logísticas mais equilibradas, o transporte marítimo de curta distância desempenha papel relevante na movimentação de mercadorias. Estudos sobre as chamadas “autoestradas do mar”, muito usadas na União Europeia, mostram que a integração entre portos, rodovias, ferrovias e hidrovias permite criar cadeias logísticas mais eficientes, reduzindo custos, ampliando a previsibilidade das operações e diminuindo a pressão sobre as estradas e meio ambiente.

Nesse modelo, o transporte marítimo funciona como uma extensão dos corredores terrestres, conectando diferentes regiões por meio de serviços regulares e integrados, com ganhos de escala, menor consumo energético e redução de emissões.

Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indicam que até 65% das cargas transportadas no Brasil poderiam utilizar a cabotagem em alguma etapa de sua movimentação, demonstrando o potencial de expansão do modal, integração e complementariedade entre os modos.

Logística eficiente e sustentável

Além de ampliar as alternativas para o transporte de cargas, a cabotagem apresenta vantagens econômicas e ambientais. Segundo estudos da Infra S.A., o custo médio do frete por cabotagem pode ser até 60% menor que o transporte rodoviário e cerca de 40% inferior ao ferroviário para determinadas operações. Além disso, a cabotagem tem potencial para reduzir os custos de frete em até 15%, gerando uma economia anual de até R$ 19 bilhões para empresas e consumidores.

Os ganhos também aparecem na área ambiental. Esse modelo pode reduzir em mais de 80% as emissões de gases de efeito estufa, em comparação com outros modais de transporte de cargas, além de apresentar menor intensidade de emissão por tonelada transportada.

Sobre o programa

O BR do Mar reúne medidas destinadas a aumentar a oferta de transporte marítimo no país, estimular a concorrência e criar novas rotas de navegação. Entre os instrumentos previstos está a ampliação das possibilidades de afretamento de embarcações estrangeiras por Empresas Brasileiras de Navegação (EBNs), especialmente quando associadas ao uso de navios com melhores padrões ambientais, as chamadas embarcações sustentáveis.

Na prática, quanto maior o uso de embarcações sustentáveis, maior pode ser a capacidade de expansão operacional das empresas. O modelo permite ampliar em até 50% a tonelagem da frota própria por meio do afretamento de embarcações estrangeiras. Esse percentual pode chegar a 100% quando as embarcações envolvidas forem sustentáveis e alcançar até 300% em determinadas combinações entre frota própria e navios afretados com características ambientais mais eficientes.

A iniciativa também busca ampliar o volume de contêineres movimentados pela cabotagem e aumentar a capacidade da frota dedicada ao transporte marítimo entre portos brasileiros, fortalecendo uma alternativa logística compatível com as dimensões territoriais do país.

Assessoria Especial de Comunicação Social

Ministério de Portos e Aeroportos

Categorias
Infraestrutura, Trânsito e Transportes
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