Brasil e Suriname avançam em cooperação para fortalecer setor marítimo e portuário
Parceria prevê troca de experiências, modernização portuária e incentivo ao transporte sustentável

Representantes do Ministério de Portos e Aeroportos e do governo do Suriname assinaram, nesta terça-feira (26), uma carta de intenção para ampliar a cooperação marítima entre o Brasil e o país sul-americano. A iniciativa prevê ações conjuntas para modernizar portos e embarcações, além de facilitar o comércio, o intercâmbio técnico e a integração logística entre as duas nações.
“Em portos e hidrovias, queremos trocar experiências para construir uma sinergia entre dois países irmãos. Levamos nossas melhores práticas e também aprendemos com o Suriname”, afirmou a secretária Executiva Adjunta do MPor, Thairyne Oliveira, responsável pela assinatura do documento.
Durante a reunião, o ministro dos Transportes, Comunicação e Turismo do Suriname, Raymond Landveld, reiterou o interesse do país em fortalecer laços com o Brasil e conhecer mais profundamente a experiência brasileira em portos e hidrovias.
“O Nordeste brasileiros desempenha um papel estratégico para o transporte aquaviário surinamês, especialmente pela circulação frequente de pequenas embarcações entre os dois países. Nesse sentido, formalizar uma parceria nessa área seria um passo relevante para aproximar mais os dois países e para desenvolver iniciativas conjuntas no setor hidroviário”, ressaltou Landveld.
Segundo o chefe da Assessoria Internacional do MPor, Lucas Beltrão, um Memorando de Entendimento para cooperação marítima entre os dois países já está em análise. É este documento que oficializa a parceria bilateral. “A partir daí, teremos reuniões técnicas frequentes para discutir possibilidades de corredores marítimos e novas frentes de cooperação portuária entre Brasil e Suriname”, explicou.
As relações comerciais entre os países vêm ganhando relevância. Em 2025, as exportações brasileiras para o Suriname somaram US$ 54,9 milhões, enquanto as importações alcançaram US$ 19,8 milhões. Entre os principais produtos exportados pelo Brasil estão carnes de aves e tubos. Já o país sul-americano vende ao mercado brasileiro charutos, cigarros, máquinas e rolamentos.
Aliança pelo Transporte Sustentável
A aproximação entre Brasil e Suriname também está alinhada às iniciativas regionais de desenvolvimento sustentável da Amazônia. Durante a COP30, realizada em novembro de 2025, países amazônicos passaram a integrar a Aliança pelo Transporte Sustentável, Resiliente e Integrado na Amazônia, liderada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pelo Banco Mundial.
O grupo reúne Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname com o objetivo de enfrentar desafios históricos da região, como baixa conectividade, infraestrutura limitada, altos custos logísticos e vulnerabilidade a eventos climáticos extremos.
A proposta é desenvolver soluções que conciliem eficiência logística, inovação tecnológica e preservação ambiental, promovendo um modelo de transporte mais moderno e sustentável para a região amazônica. “Nesse contexto, o Brasil reafirma o compromisso com a integração regional amazônica e com a descarbonização do transporte hidroviário, além do interesse em aprofundar a cooperação com os países membros, especialmente com o Suriname agora”, destacou a secretaria executiva do MPor.
Cooperação no ar e na água
Brasil e Suriname mantêm parceria histórica no setor de transportes. Em 1980, os dois países firmaram um Acordo sobre Serviços Aéreos (ASA), que estabeleceu direitos recíprocos para cooperação na aviação. Com a necessidade de atualização do documento, o MPor encaminhou ao Congresso Nacional, no ano passado, uma proposta de modernização do acordo.
Durante a reunião, Thairyne ressaltou que a intenção do governo brasileiro é ampliar essa relação também para os setores portuário e hidroviário. “Nosso acordo aéreo é de céus abertos, e estamos trabalhando na sua atualização. Agora, queremos expandir essa parceria para portos e hidrovias, reproduzindo no setor marítimo o mesmo espírito de integração já existente na aviação”, afirmou.
Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos