PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Quatro sítios arqueológicos são identificados em obras de duplicação da BR-153, no Paraná

Descobertas incluem objetos do Ciclo do Café; também contemplados no estudo estão desenhos gravados em rocha na Gruta do Criminoso, sítio com mais de 30 anos de pesquisa

Publicado em 26/10/2026 16:15
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Louça encontrada durante monitoramento arqueológico das obras de duplicação da BR-153, no Paraná
Foto: Acervo/Iphan

Quatro sítios arqueológicos foram identificados durante o monitoramento arqueológico das obras de duplicação da BR-153, que passa entre os municípios de Jacarezinho e Santo Antônio da Platina, no Paraná. O acompanhamento é feito desde 2024 pela empresa Autonomia Arqueologia, contratada pela concessionária responsável pelas obras, a EPR Litoral Pioneiro, por recomendação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A indicação se deu em razão do alto potencial da região para a existência de vestígios de pessoas que viveram na região no passado.

Louça encontrada durante monitoramento arqueológico das obras de duplicação da BR-153, no Paraná
Foto: Acervo/Iphan

No início dos trabalhos de monitoramento, os responsáveis encontraram, embaixo da terra, pedaços de louça, porcelana, vidro e restos de construções antigas. A equipe de arqueologia que acompanha as obras comunicou ao Iphan essas descobertas e o Instituto confirmou a identificação de sítios arqueológicos. Foram batizados de Sítio Arqueológico Histórico do Paranapanema 1, 2, 3 e 4 — o nome faz referência ao tipo de material encontrado e à proximidade com o rio Paranapanema, e a numeração segue a ordem em que os sítios foram identificados, todos com as mesmas características.

Ao todo, o levantamento indicou 1.788 objetos encontrados, sendo a maioria vidro e louça.

Esses objetos são do século 19 e do início do século 20, e mostram a chegada dos primeiros cafezais à região, quando migrantes de outras partes do Brasil e imigrantes de países como Japão, Itália e Alemanha ajudaram a formar a diversidade cultural do Norte Pioneiro do Paraná. Todo o material encontrado vai para a Universidade Estadual de Maringá (UEM), mais especificamente para o Laboratório de Arqueologia, Etnologia e Etno-história (LAEE).

“Os quatro sítios identificados ajudam a reconstituir a história da ocupação do Norte Pioneiro do Paraná durante o Ciclo do Café, e o material será preservado pelo laboratório da UEM, garantindo que esse conhecimento fique à disposição de pesquisadores e da sociedade”, relatou a superintendente do Iphan no Paraná, Fabiana Moro Martins.

Local das obras de duplicação da BR-153, no Paraná
Foto: Acervo/Iphan

A Gruta do Criminoso

Durante o monitoramento, a equipe também investigou a Gruta do Criminoso, um sítio com desenhos gravados em rocha. Ele já havia sido encontrado na década de 1990 pela arqueóloga Érika Marion Robrahn González, e o Iphan estava atualizando as informações sobre o local. A gruta fica perto de onde o rio Fartura encontra o rio Paranapanema, e tem desenhos como triângulos, losangos, círculos e zigue-zagues por quase toda a parede de pedra.

“A Gruta do Criminoso exige um cuidado especial, por reunir gravuras rupestres e sinais de degradação anteriores às obras. Por isso o Iphan recomenda medidas de registro, conservação e um projeto de visitação para que o sítio seja preservado e ao mesmo tempo se torne acessível à população, valorizando também a história pré-colonial”, ressaltou a superintendente. Entre as ações indicadas pelo Instituto estão: fazer o registro fotográfico completo do sítio, fotografar em alta resolução e escanear em 3D os desenhos na rocha, limpar a pedra e cuidar da conservação do espaço.

Próximos passos

O trabalho de proteger esses sítios continua com o acompanhamento do Iphan e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que fiscaliza a concessionária responsável pelas obras. A Lei Federal nº 3.924/1961 proíbe destruir ou danificar sítios arqueológicos. Por isso, obras em áreas como essa só podem avançar com o acompanhamento do Instituto.

Na Gruta do Criminoso, as ações recomendadas precisam ser concluídas antes de qualquer nova obra perto da rocha. O material encontrado nos quatro sítios segue para triagem e catalogação.

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