15ª Lavagem do Cais do Valongo celebra a memória e a ancestralidade africana, no RJ
Além do tradicional ritual de homenagem aos ancestrais, a programação incluiu apresentações de dança, música, capoeira e atividades culturais para diferentes públicos

O Cais do Valongo, na região da Pequena África, no centro do Rio de Janeiro (RJ), recebeu, no último sábado (25/7), a 15ª edição da Lavagem do Valongo. A cerimônia reuniu centenas de participantes em um momento de celebração da ancestralidade africana, valorização da memória e fortalecimento da resistência do povo negro. O evento foi promovido pelo Instituto Ilê Odara, com apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Reconhecido como Patrimônio Mundial Cultural pela Unesco desde 2017, o Cais do Valongo guarda o maior vestígio material da chegada de africanos escravizados nas Américas. A cerimônia da lavagem teve início em 2012, após a descoberta de vestígios arqueológicos e restos mortais de africanos escravizados durante escavações no local. Desde então, a lavagem das pedras com água de cheiro e flores tornou-se um dos momentos mais simbólicos da programação, em homenagem aos ancestrais e à preservação de sua memória.
Assim como em todas as edições, a lavagem deste ano foi conduzida pela Iyalorixá Edelzuita de Oxaguian, que liderou o ritual de abertura. Ao longo do dia, a programação reuniu o Projeto Infantil Erê Mi, o Samba de Kubata, os balés afro As Filhas de Iya Omin e Izo Dan, a apresentação do Afoxé Filhos de Gandhi, a roda de samba Banho de Fé e uma roda de capoeira, reafirmando a riqueza e a diversidade das manifestações culturais de matriz africana.
Para a arquiteta e técnica do Iphan, Letícia Pimentel, o patrimônio só tem sentido de ser quando é apropriado pelas pessoas, e a manifestação da Lavagem do Cais do Valongo é uma expressão muito genuína dessa relação.
“O território nos arredores do Cais é um exemplo de como a mobilização da sociedade é capaz de direcionar a ação do Estado para o atendimento das demandas de interesse dos grupos sociais”, avaliou a arquiteta.
Segundo ela, a manutenção do sítio arqueológico do Cais do Valongo na paisagem urbana e o tombamento do Armazém Docas André Rebouças como patrimônio nacional, bem como a chancela desse conjunto pela Unesco em nível mundial, é resultado dessa mobilização e da atuação ativa da sociedade civil organizada junto às instituições, o que foi fundamental para esses reconhecimentos.
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