Edição 2023

Banner do 36º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade

Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade - Edição 2023

O Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, de caráter nacional, é promovido pelo Iphan desde 1987, como mecanismo de fomento às ações de preservação e salvaguarda do Patrimônio Cultural brasileiro que, em razão da sua originalidade, relevância e caráter exemplar, mereçam registro, divulgação e reconhecimento público.

Em 2023, o Prêmio teve como mote “20 anos da Lei nº 10.639/2003: Educação, Democracia e Igualdade Racial”. Com inspiração na referida Lei, de 9 de janeiro de 2003, que incluiu no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", foram premiadas 15 ações de excelência no campo do Patrimônio Cultural brasileiro realizadas entre os anos de 2019 e 2022, por meio de uma abordagem transversal de temas da educação, da democracia e da igualdade racial.

A 36ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade recebeu um total de 374 inscrições, das quais 286 propostas foram habilitadas para a etapa estadual. Após reuniões das 27 Comissões Estaduais, 121 ações foram classificadas para a etapa nacional, cuja Comissão Técnica indicou, dentre essas, as 30 finalistas. Na última fase de avaliação do concurso, foram então selecionadas 15 ações vencedoras, contempladas com a premiação de R$ 25 mil cada.

CONHEÇA OS PROJETOS VENCEDORES

 Categoria 1 - Pessoas físicas ou grupos e coletivos não formalizados

História e Memória do Quilombo Peropava (SP)

ANDRÉIA REGINA SILVA CABRAL LIBÓRIO

A iniciativa promoveu a escrita coletiva e publicação de livro intitulado Memória e História do Quilombo Peropava, que preserva e amplia a cultura dos povos quilombolas. A publicação apresenta as principais atividades da comunidade, como a roça, o plantio de espécies nativas e a produção da farinha de mandioca com o uso de saberes africanos tradicionais, como a roda manual e o ralador motorizado. O livro contribui para uma educação antirracista sobre a diversidade étnico-cultural.

Gestão Compartilhada do Acervo Nosso Sagrado no Museu da República (RJ)

MARIA DO NASCIMENTO

Formado a partir de batidas policiais em terreiros de candomblé e umbanda do Rio de Janeiro nas primeiras seis décadas da República, o acervo reúne 519 itens, dos quais 126 foram tombados pelo então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), em 5 de maio de 1938, constituindo o primeiro tombamento etnográfico do país. Inclui vestimentas, rituais, guias, estatuetas, espadas, instrumentos musicais, aves taxidermizadas e muitas outras pertenças religiosas. Um acervo de grande relevância para as nações do candomblé e da umbanda e suas interações com as culturas indígena e muçulmana.

Projeto Cantando Marabaixo nas Escolas (AP)

JOÃO CARLOS DO ROSÁRIO SOUZA

 O Marabaixo é uma forma de expressão que traz as vivências das histórias e o legado do povo preto amapaense, que foi fundamental para a construção e afirmação da identidade afro-brasileira no estado. É ainda um instrumento de devoção e resistência, que representa a tradição e o costume local, deixando seu legado nas histórias das comunidades, como herança ancestral. O projeto é voltado para professores e alunos dos ensinos fundamental I e II, médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no estado do Amapá.

Rotas Afro (SP)

JULIA MADEIRA

 Movimento de valorização da memória afro-brasileira que realiza caminhadas turísticas e culturais para contar as histórias negras de quatro cidades do interior paulista. Tem o objetivo de criar imaginários positivos sobre a história do povo negro no Brasil e promover espaços de descoberta de uma nova cidade. Desde 2019, desenvolve roteiros periódicos e abertos ao público, além de parcerias com instituições culturais e associações.

Caretas do Mingau: Heroínas da Independência do Brasil na Bahia (BA)

HERIBERTO GREGÓRIO DOS SANTOS

 O projeto dá visibilidade às mulheres do município de Saubara (BA) que defenderam maridos e filhos durante as lutas em prol da Independência do estado (1822-23). Foram realizadas atividades nas escolas públicas para ressaltar a participação feminina no marco histórico, neste caso, as Caretas do Mingau. A ação parte do pressuposto de que os atuais moradores do município desconhecem a história de resistência dos saubarenses e os que conhecem mudaram o sentido de heróis para uma versão folclorizada.

Acervo Plataforma projeto Curas (MG)

ANA MARIA DE PAULA CRUZ

 A plataforma digital arquiva narrativas, memórias, práticas e bens imateriais das culturas tradicionais sul-mineiras de matrizes africanas e indígena. O objetivo é assegurar a transmissão dos saberes de geração em geração para as comunidades tradicionais, detentores culturais, a população negra e, de uma forma geral, toda a população do sul e do estado Minas Gerais de maneira mais ampla.

Categoria 2 - Cooperativas e associações, microempreendedor individual (MEI) ou microempresa (ME)

Largo do Rosário Patrimônio Cultural de Belo Horizonte: Do arraial dos Pretos à cidade dos homens brancos (MG)

MAURO LUIZ DA SILVA

 Na criação de Belo Horizonte, o Arraial do Curral Del Rey, povoado pobre e de população primordialmente negra, foi demolido para que a nova capital fosse construída, e não houve nenhum tipo de reconhecimento da localidade como patrimônio histórico. A ação busca reparar essas memórias e promover a disseminação das referências da história e cultura negra no Largo do Rosário,

por meio de visitas guiadas, rodas de reflexão criativa e oficinas focadas em diferentes linguagens artísticas.

Projeto Vereda (TO)

ASSOCIAÇÃO DE ARTE NINHO CULTURAL

 Projeto de educação patrimonial que protege o Patrimônio Cultural do Tocantins por meio da salvaguarda de instrumentos musicais tradicionais do estado, como a viola de buriti, tambores de barro e madeira, pandeiro e caixa de folia, aliados a cantos e danças tradicionais. Foi criado em 2016 na Escola Municipal Crispim Alencar, em Taquaruçu, distrito de Palmas (TO). Mais de 200 alunos já passaram pelo Vereda. Os estudantes têm entre 12 e 15 anos de idade e são majoritariamente pretos e pardos, com renda média de um a dois salários mínimos por família.

Inventariamento Participativo da Cultura Alimentar dos Povos Tabajara do Sertão dos Inhamuns e Tremembé da Barra do Mundaú (CE)

ASSOCIAÇÃO SLOW FOOD DO BRASIL

 A ação fortalece identidade cultural, saberes e memórias de dois povos indígenas que reconhecem a presença de elementos da cultura de matriz africana em suas práticas culturais agroalimentares. Em 2021, o projeto realizou pesquisas na Terra Indígena Tremembé da Barra do Mundaú e Tabajara para registrar os elementos que constituem o sistema agrícola tradicional afroindígena nestes territórios.

Museu Quilombola da Picada (RN)

CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E COMUNICAÇÃO POPULAR – CECOP

 O museu realiza entrevistas e registro audiovisual com antigos e novos integrantes da comunidade para registro da memória coletiva local, além de ações de educação patrimonial com alunos e professores da escola pública, colaborando na aprendizagem e inserção de conteúdos afro-brasileiros na sala de aula. Para a comunidade Quilombola da Picada, localizada a 300 km da capital do estado, o espaço é a possibilidade de registrar memórias e difundir saberes e fazeres locais.

Revista Memórias e Histórias da Comunidade Quilombola de Pimenteiras do Oeste (RO)

ASSOCIAÇÃO CULTURAL, EDUCAÇÃO, MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DIVERSIDADE AMAZÔNICA (ACEMDA)

 A iniciativa valoriza a cultura dos remanescentes quilombolas de Santa Cruz ao documentar as tradições, conhecimentos e experiências da população. A revista assegura que saberes e práticas sejam transmitidas para as futuras gerações, evitando o esquecimento e a perda de elementos culturais. Através da revista, a comunidade quilombola de Pimenteiras do Oeste se apropria de sua própria narrativa, rompendo com estereótipos e preconceitos historicamente associados aos povos tradicionais.

Escola Afro-Amazônica (AM)

INSTITUTO CULTURAL AJURI (INCA)

 Buscando alternativas de superação do racismo estrutural através da cultura e da educação baseada nos bens culturais, sobretudo os produzidos pelos diferentes povos e comunidades tradicionais, o negro, cientista político e presidente do Instituto Cultural Ajuri (INCA), Marcos Moura, idealizou a “Escola Afro-Amazônica”, projeto de educação antirracista e popular voltado para a valorização da identidade afro-brasileira e indígena nas escolas, periferias, aldeias e quilombos do Amazonas.

Categoria 3 - Entidades da administração pública direta e indireta municipal, estadual ou federal

Projeto BH é Quem? BH é Nóis! (MG)

ESCOLA ESTADUAL DIVINA PROVIDÊNCIA

 O projeto ofereceu aos estudantes da Escola Estadual Divina Providência a oportunidade de conhecer in loco alguns centros culturais, históricos, turísticos e ocupações em Belo Horizonte. Foi o primeiro tour escolar a visitar o Largo do Rosário, patrimônio imaterial da cultura negra reconhecido recentemente pelo município. Promove o direito à cidade, educação patrimonial e reparação histórica. O projeto ofereceu a possibilidade de os estudantes da periferia da capital ocuparem e reivindicarem a sua própria cidade.

Casa de Cultura Negra de Ouro Preto (MG)

DIRETORIA DE PROMOÇÃO DE IGUALDADE RACIAL / PREFEITURA MUNICIPAL DE OURO PRETO

 O local foi idealizado para abrigar linguagens artísticas, estabelecendo um diálogo entre o passado e o presente, com o compromisso de valorizar, preservar e divulgar a herança da cultura afro-brasileira e indígena em suas mais ricas e expressivas vertentes. O espaço propicia a realização de atividades sociais e educativas, o fortalecimento da cultura e tradições do município, abrindo oportunidades e valorizando a história do negro na cidade.

Categoria 4 - Demais empresas e institutos privados

T.E.R.R.A - Teatro, Educação e Responsabilidade com as Raízes Afro-Brasileiras (Mostra de Teatro Afro Cena, Festa Afro Literária e Festival Vozes Pretas) (GO)

ONG T.E.R.R.A - TEATRO, EDUCAÇÃO E RESPONSABILIDADE COM AS RAÍZES AFRO-BRASILEIRAS

 Criada em 2009, a ONG TERRA surgiu como demanda de uma pesquisa intitulada “Memórias e identidades Kalunga em Cena: o ensino do teatro em comunidades negras rurais”. Durante 2021 e 2022, a ONG promoveu as ações Mostra de Teatro Afro Cena, Festa Afro-Literária e Festival Vozes Pretas, na cidade de Cavalcante (GO), um dos maiores territórios quilombolas do país. O projeto reforça a identidade e a autoestima, além de promover debates sobre a cultura afro-brasileira junto à população quilombola local e a turistas vindos de diversas regiões do Brasil e do mundo.

Resultads 36º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade
Comissões
Edital do 36º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade
Documentos PRMFA 2023
Revista do 36º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade
Manual de Identidade Visual do 36º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade

Acompanhe o lançamento do edital

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