Território quilombola em Adrianópolis (PR) é reconhecido pelo Incra

O território quilombola Córrego do Franco, localizado no município de Adrianópolis, no Paraná, foi oficialmente reconhecido pelo Incra, por meio da Portaria nº 2.065, publicada em 21 de julho de 2026 (terça-feira) no Diário Oficial da União. O documento declara como terras da comunidade uma área total de 1,9 mil hectares.
A publicação da portaria é um ato administrativo pelo qual o Estado, por intermédio do Incra, reconhece oficialmente os limites territoriais tradicionalmente ocupados por comunidades quilombolas, conferindo-lhes segurança jurídica quanto à posse e ao direito coletivo sobre a terra.
É também uma etapa avançada da regularização fundiária da comunidade. A fase seguinte é a instrução processual visando a publicação de decreto presidencial de declaração de interesse social dos imóveis particulares. Com a publicação do decreto, segue-se a vistoria e avaliação dos imóveis rurais incidentes no território quilombola, para fins de proposição de acordo administrativo ou ajuizamento de ação de desapropriação. Por fim, o Incra realizará a titulação coletiva do território, em nome da associação da comunidade, legalmente constituída.
Histórico
Córrego do Franco integra o conjunto de comunidades tradicionais do Vale do Ribeira paranaense, região de relevante patrimônio ambiental, histórico e cultural. Sua origem remonta ao processo de ocupação associado à mineração e à agricultura com utilização de mão de obra escravizada, consolidando-se, por volta de 1846, com a ocupação realizada pelo casal Rita Morato e José Maria Messias e seus descendentes. O estudo territorial feito pelo Incra na área cadastrou 53 famílias quilombolas.
Ao longo de sua história, a comunidade teve parte de seu território reduzida em razão de vendas de terras por valores irrisórios, pressões de proprietários vizinhos, irregularidades fundiárias e migração de parte das novas gerações. Ainda assim, mantém forte vínculo com o território e mantém uma organização social baseada em laços de parentesco, solidariedade e cooperação, expressos em práticas coletivas de trabalho e ajuda mútua.
A agricultura familiar permanece como principal atividade econômica, desenvolvida por meio de práticas tradicionais e iniciativas agroflorestais. A comunidade também preserva conhecimentos tradicionais, manifestações culturais e religiosas próprias, conservando vivo o sentimento de pertencimento ao território historicamente ocupado e a busca pela garantia de seus direitos territoriais.
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Assessoria de Comunicação do Incra no Paraná
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