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Educação do Campo
Curso de graduação em Agronomia marca retomada de ações do Pronera no Ceará
Os 50 estudantes são assentados, quilombolas, beneficiários de Crédito Fundiário e acampados - Foto: Incra/CE
Jovens e adultos de comunidades rurais do Ceará iniciaram, em 24/2/2026, a formação de nível superior em Agronomia, em uma parceria do Incra com a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e contribuição do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A iniciativa faz parte do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), cujas ações estão sendo retomado no Estado após oito anos.
São 50 estudantes matriculados, entre assentados da reforma agrária, quilombolas, beneficiários de Crédito Fundiário e acampados. O objetivo da capacitação é preparar profissionais para atuar em áreas reformadas e comunidades, promovendo o fortalecimento da agroecologia e o apoio aos trabalhadores rurais. São cinco anos de aprendizado - entre ensino em sala de aula e prática no período de estudo no campo.
O início do ano letivo foi marcado por uma extensa programação durante o dia, com Mesa de Abertura, Rodas de Diálogos sobre agroecologia, Reforma Agrária e a graduação, além de Aula Inaugural com a palestra: “Diálogo de Saberes na Agronomia da Terra: quando a luta vira educação e o sonho vira conhecimento que emancipa”.
A oportunidade de acesso ao ensino superior proporcionada pela ação foi destacada pelo superintendente do Incra/CE, Erivando Santos, em sua fala na mesa de abertura. “O Incra no Ceará se orgulha de mais uma vez ser protagonista dessa política pública aqui no Estado, que é o de garantir a universidade aos povos tradicionais do campo, que estão tendo essa oportunidade por meio do Pronera”, disse.
O recomeço do programa educacional da autarquia no Estado é destacado pela coordenadora nacional da ação, Clarice Santos. “É um marco na retomada do Pronera no Ceará, já tivemos historicamente muitos cursos aqui e estamos agora demarcando esse novo momento. Mais um passo nos avanços que estamos construindo com o Programa em todo o país, com a recuperação da ação por meio da recomposição orçamentária e de servidores”, disse.
A importância do curso como fator de desenvolvimento dos agricultores e dos territórios em que vivem foi ressaltado pelo pró-Reitor da Unilab, Thiago Moura de Araújo. “Vai ser um momento muito rico de vocês na Unilab, pela troca de experiências, pelos debates e, acima de tudo, pra mudar, cada vez mais, a nossa região, o cenário onde vocês estão, os territórios, com esse olhar agora acadêmico, mas não perdendo a essência de vocês”, disse.
Oportunidade
Para três assentados cearenses da Reforma Agrária, a presença na faculdade representa uma oportunidade de qualificação, aquisição de conhecimentos sobre novas técnicas e tecnologias e realização de um sonho.
Na visão da estudante Fagna Sousa - do projeto de assentamento Aragão, localizado no município de Miraíma (CE) -, a graduação em Agronomia ajuda a fortalecer sua atuação na área e para ampliar a participação das mulheres nesse campo do conhecimento. “Venho atuando como técnica em Agronomia e o curso é uma oportunidade de qualificação, além de contribuir para ampliar a participação feminina nessa área, que tem uma presença masculina muito forte”, disse.
Já o assentado Paulo Magalhães - de Córrego do Quixinxé, também conhecido como Antônio Conselheiro, em Ocara (CE) -, ressalta o aprendizado em formas modernas de lidar com a terra como um dos fatores para o ingresso na universidade. “O acesso a novas técnicas e tecnologias proporcionado pelo curso potencializa outros conhecimentos que os camponeses já têm, o que pode vir a ajudar na resolução de grandes gargalos que impactam na produção”, disse.
Apesar da formação superior em Contabilidade e técnica em Administração, Fabiene Martins - do assentamento Lagoa do Mineiro, em Itarema (CE) -, tinha o desejo de ser agrônoma. “Quando soube do edital já vi a oportunidade de realizar esse sonho, de estudar Agronomia e de poder levar esse conhecimento adquirido para as pessoas da comunidade”, disse.
Pronera
O programa educacional do Incra possui forte presença no Ceará. Entre 1998, ano em que a ação foi criada pela autarquia, até 2018, foram formados 10,6 mil estudantes no Estado, por meio de 22 cursos. Foram realizadas formações nos níveis fundamental e médio para jovens e adultos, de ensino superior nas áreas da Pedagogia, Jornalismo e Serviço social, além de pós-graduações em Residência Agrária e Magistério.
O Pronera surgiu por meio de articulações da sociedade civil e conta com a parceria de universidades e dos movimentos sociais. Tem o objetivo de oferecer projetos de ensino a jovens e adultos de assentamentos criados ou reconhecidos pela autarquia, além de comunidades quilombolas e atendidos pelo Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF). A ação age ainda na capacitação de professores e educadores.
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