Projeto

Barraginhas transformam uso da água em comunidades rurais de Chapada dos Guimarães (MT)

Publicado em 10/06/2026 17:53
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Porção concentrada de água cercada por terra e pela vegetação.
A tecnologia social de retenção hídrica foi implantada com o envolvimento do Incra. Foto: Incra/MT

Com apoio do Incra e de parceiros, produtores rurais do município de Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, vêm adotando a tecnologia social das barraginhas para aumentar a retenção de água no solo e minimizar os efeitos da seca na região. O projeto piloto – voltado para assentamentos e comunidades rurais em geral – foi implantado em 2024 no Sítio Monjolinho, na cabeceira do Coxipó do Ouro, e já apresenta resultados positivos no armazenamento de água e fortalecimento de nascentes e córregos.

As barraginhas são pequenas escavações feitas no solo para captar e infiltrar a água da chuva, evitando perdas por enxurradas e ajudando na recarga do lençol freático. Elas podem armazenar até 300 mil litros de água a cada recarga durante o período chuvoso.

Segundo o perito federal territorial do Incra/MT, Samir Curi, o envolvimento do instituto com o projeto teve início ao constatar os desafios enfrentados por famílias de assentamentos rurais de Cáceres e da Baixada Cuiabana no acesso hídrico, tanto para o consumo humano quanto para as atividades produtivas. “O papel do Incra tem sido justamente apoiar essa construção, articulando parcerias, mobilizando comunidades e fortalecendo iniciativas que permitam conservar a água, recuperar nascentes e aumentar a infiltração das águas da chuva no solo”, destacou.

O perito explica ainda que a região da Chapada dos Guimarães exerce papel estratégico para todo o estado. “Muitas pessoas associam a localidade apenas às suas paisagens, cachoeiras e nascentes, mas ela é uma das principais áreas de recarga hídrica de Mato Grosso. Quando preservamos a água na Chapada, ajudamos também a proteger a Baixada Cuiabana e o Pantanal”, afirmou.

O trabalho desenvolvido na região faz parte de uma iniciativa criada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e executada, em Mato Grosso, com a parceria entre Incra, Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer/MT), prefeituras e instituições locais.

Para o técnico da Empaer/MT, Nivaldo Ponciano, o sucesso das barraginhas depende diretamente da participação do produtor rural. “É ele que conhece a realidade, o lugar e sabe por onde as águas andam pela propriedade. A junção do conhecimento do produtor com a parte técnica faz com que a gente defina a estrutura e a localização delas”, ressaltou.

No Sítio Monjolinho, o produtor rural Marcos Antônio Sguarezi afirma que, antes da implantação do projeto, o córrego da região secava durante a estiagem, causando transtornos para os agricultores. “Agora, durante o ciclo de secas, as culturas continuaram sendo irrigadas com água do manancial. É uma certificação de todo esse trabalho. Imagino o que pode ser feito quando o projeto avançar para outras cabeceiras e mananciais”, disse.

Projeto Cisternas
A proposta agora é ampliar, gradativamente, a adoção das tecnologias sociais voltadas à segurança hídrica. Uma dessas iniciativas é o projeto chamado Segunda Água, com foco na construção de cisternas de produção de até 100 mil litros. A ideia é, posteriormente, expandir a experiência para um universo estimado de cerca de 14 mil famílias da Baixada Cuiabana.

A expectativa do Incra e de parceiros é que os empreendimentos bem-sucedidos sirvam de referência para novas comunidades e fortaleçam ações permanentes de conservação hídrica em Mato Grosso. Para isso, a mobilização entre produtores e setor público é fundamental.

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Assessoria de Comunicação Social do Incra em Mato Grosso
imprensa.mt@incra.gov.br

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Agricultura e Pecuária
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