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Educação do Campo
Alagoas tem os primeiros bacharéis em Agroecologia formados pelo Pronera no país
Em 10 de abril (quinta-feira), aconteceram as solenidades de colação de grau e formatura de 28 estudantes que concluíram bacharelado em Agroecologia pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). Os eventos ocorreram na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em Maceió. O Incra financiou o curso, cujas atividades foram realizadas em parceria com a universidade. O investimento da autarquia foi de R$ 1,7 milhão.
Técnicos e gestores do Incra e da Ufal participaram dos eventos, além de familiares dos concludentes do curso. Destinado ao público da reforma agrária, este é o primeiro bacharelado em Agroecologia pelo Pronera no Brasil e a primeira graduação direcionada à população do campo em Alagoas.
“O Incra tem um importante papel em levar políticas públicas que visam promover a inclusão e a educação do campo”, destacou o superintendente regional do Incra em Alagoas, Júnior Rodrigues, ao citar o Pronera como uma das ações executadas pelo instituto.
Os recursos repassados pelo Incra à Ufal foram empregados em estrutura, logística e apoio acadêmico, como alojamento, alimentação e auxílio financeiro aos estudantes e professores. Os cursos do Pronera têm uma peculiaridade: são organizados sob a pedagogia da alternância, de modo que os estudantes conciliam vida, trabalho e estudos e mantêm o vínculo com a terra. As atividades são concebidas não apenas no ambiente universitário, mas também em campo, nas comunidades onde eles residem.
O reitor da Ufal, professor Josealdo Tonholo, enfatizou a repercussão coletiva do curso, com a produção de mais alimentos saudáveis nas comunidades onde os agroecólogos da reforma agrária irão atuar. “Essas pessoas farão uma transformação da produção rural, trabalhando com assentamentos para fazerem a produção chegar às nossas mesas”, pontuou.
O coordenador do curso, professor Rafael Vasconcelos, salientou a importância do Pronera e do curso como uma importante política pública de inclusão. “É uma turma pioneira também porque grande parte dos estudantes são os primeiros de suas famílias a ingressarem numa universidade. A gente espera que esses profissionais possam fazer a diferença nos seus territórios, levando a agroecologia, uma produção mais sustentável e saudável”, disse.
Em dezembro de 2024, o Ministério da Educação (MEC) reconheceu o curso e atribuiu conceito quatro, numa escala que vai até cinco - o que representou uma grande conquista. O anúncio fortaleceu a parceria entre Incra e Ufal, formalizada em 2017 para este bacharelado, cujas aulas iniciaram no ano seguinte. Em razão da pandemia, o calendário atrasou, mas foram mantidas as atividades remotas ou híbridas.
Além dos 28 educandos que agora se formaram, mais dez ainda prosseguem suas atividades acadêmicas. Ao todo, o curso possuiu uma carga horária de 4,1 mil horas, distribuída em dez períodos letivos.
Os novos agroecólogos estão aptos a atuarem em diversos campos, como assistência técnica e extensão rural, desenvolvimento rural sustentável, transição agroecológica e certificação orgânica. Assim como estão capacitados para qualificarem suas próprias dinâmicas de produção e comercialização.
Vidas transformadas
Quilombola da comunidade Cajá dos Negros, localizada no município de Batalha (AL), Tiago da Silva é um dos profissionais formados pelo Pronera. Em suas terras, ele já adota práticas agroecológicas no cultivo de alimentos tradicionais, como feijão, milho e hortaliças. Segundo ele, o curso lhe possibilitou o aprendizado teórico e técnico que almeja empregar em prol da coletividade.
“Quero contribuir com práticas sustentáveis de produção, que respeitem o meio ambiente e fortaleçam a segurança e a soberania alimentar da comunidade. Pretendo estimular o uso de tecnologias sociais, incentivar a organização coletiva e promover a valorização do conhecimento ancestral aliado à ciência”, planeja.
A concludente Maria Cavalcante, do assentamento Flor do Bosque, situado no município de Messias (AL), pontuou a troca de saberes entre os agricultores e a academia e frisou que os profissionais formados serão disseminadores dos novos conhecimentos. “É muito importante para o filho e a filha do assentado trazer esse aprendizado para as nossas bases, as nossas agroflorestas e nossos sistemas agroecológicos. Para nós, é motivo de orgulho”, diz. Ela é produtora orgânica e agroecológica: possui um viveiro de mudas nativas e frutíferas e mantém cultivos variados em seu lote, como laranja, banana, açaí, cupuaçu, hortaliças e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC).
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Assessoria de Comunicação Social do Incra em Alagoas
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