Alagoas

Agricultores assentados de Maragogi (AL) produzem polpa e café de açaí

Publicado em 19/10/2021 11:31Modificado em 31/10/2022 11:27
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Assentados de Maragogi, no litoral de Alagoas, produzem polpa e café de açaí
Vera Lúcia e o marido Adelson na colheita do açaí, no assentamento alagoano de Bom Jesus. Foto: Acervo pessoal

Agricultores de Bom Jesus, assentamento da reforma agrária no município alagoano de Maragogi, a 134 quilômetros de Maceió, estão produzindo polpa e café de açaí. O cultivo dessa fruta e a produção de café são uma novidade em assentamentos de Alagoas.

A família de Vera Lúcia da Silva já faz o plantio há dez anos. Começou produzindo polpa e, há alguns anos, passou a produzir o café.

Vera tira o sustento da família do lote. Ela é assentada há 21 anos. O marido, José Adelson, trabalha com ela. Eles também plantam graviola e limão.

Mais famílias passaram a se interessar e iniciaram o plantio em diferentes assentamentos do município e do estado. Técnicos do Incra identificaram a ocorrência de açaí nos assentamentos Itabaiana, Costa Dourada, Pau Amarelo, Buenos Aires e Aquidaban, todos também em Maragogi.

Assentamentos nos municípios de Flexeiras, Messias, Branquinha, São Luís do Quitunde, Porto Calvo e Joaquim Gomes também já fazem o cultivo.

Produção

O açaizeiro é uma palmeira de frutificação demorada. O período entre o plantio e a primeira colheita pode chegar a mais de três anos.

A Cooperativa dos Pequenos Agricultores Organizados (Coopeagro) atua na região e foi responsável pelo incentivo ao plantio do açaí no assentamento Bom Jesus e em Maragogi. A Assistência Técnica e Extensão Rural do Incra (Ater) apoia na orientação da produção e comercialização do produto.

O engenheiro florestal José Ubiratan Rezende Santana, analista em Reforma e Desenvolvimento Agrário do Incra, explica que a polpa de açaí comercializada por Vera é diferente das conhecidas e adquiridas no mercado.

“A polpa de Bom Jesus não possui mistura com nenhum outro produto, é 100% natural, de um tipo que não era encontrado antes em Alagoas, e isso garante um espaço próprio de mercado.”

Segundo o engenheiro, a consistência é obtida com a mesma técnica de beneficiamento usada no estado do Pará, maior produtor e consumidor de açaí no País.

Sucos e sorvetes são produzidos com a polpa. O café é beneficiado a partir do caroço.

Créditos

A família de Vera Lúcia teve acesso a alguns créditos do Incra. Já recebeu o Crédito Instalação para construção e reforma de casa e o Apoio Inicial. Agora, se prepara para o Fomento Mulher.

Técnicos da autarquia estão fazendo visitas ao lote para acelerar o acesso a esse e outros créditos liberados para assentados de todo o estado.

Essa linha de crédito é específica para mulheres da reforma agrária e apoia projetos de segurança alimentar. O valor do Fomento Mulher é de R$ 5 mil, com taxas de juros de 0,5%. Do total, o governo federal entra com 80%. A assentada assume a obrigação de pagar 20% até o prazo de vencimento.

Vera tem planos para a aplicação do recurso. Pretende ampliar a Casa da Fruta, como chama o local de beneficiamento. “Vamos comprar mais um freezer, adquirir balcão e baldes de inox.”

Irrigação

O superintendente do Incra, César Lira, está firmando parceria com a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) e a Universidade Federal de Viçosa, de Minas Gerais, para apoiar a fruticultura na região, incluindo o açaí.

“Levamos técnicos para estudar a implantação de um sistema de irrigação, e isso vai expandir o açaí para a chamada ‘terra firme’, gerando mais potencial produtivo.”

O açaizeiro é uma espécie nativa da Amazônia. Com a expansão comercial do fruto, produtores de outras regiões, em especial o Nordeste, vêm mostrando interesse no cultivo.

A palmeira é encontrada, naturalmente, em solos de várzea, na região de origem. E é assim que também tem sido cultivada no assentamento Bom Jesus.

Lira afirma que o açaí é uma alternativa para ambientes com solos encharcados, possível de entrar no manejo sustentável de áreas de reserva legal. “Estamos falando de áreas pouco ou nunca utilizadas pelas famílias e que, agora, passam a ter uso econômico.”

Café de Açaí

A parceria trazida pelo Incra chega em bom momento para a família de Vera. Eles estão satisfeitos em divulgar o trabalho, sobretudo o café de açaí, mas reconhecem as dificuldades.

“O trabalho com açaí é cansativo. Passamos um dia inteiro para obter a polpa, e, no dia seguinte, já temos que nos dedicar a outro serviço demorado na torra do café.”

Vera Lúcia afirma que o acesso à irrigação e a novos créditos vai fortalecer a produção. A assentada demonstra conhecimento e dedicação ao tema e cita os benefícios da bebida.

“O poder do café do açaí é tanto que pode melhorar os níveis de colesterol e tratar doenças cardíacas e diabetes, tudo isso por conta dos altos níveis de taninos existentes.”

Assessoria de Comunicação Social do Incra/AL
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