Notícias
NEUROLOGIA
Miastenia gravis: quando a fraqueza muscular merece investigação
Uma queda de pálpebra que aparece ou piora no final do dia, visão dupla, dificuldade para falar depois de conversar por algum tempo ou fraqueza que aumenta com a repetição de movimentos podem ser sinais de miastenia gravis, doença autoimune crônica que interfere na comunicação entre os nervos e os músculos.
No Ceará, o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), da Universidade Federal do Ceará (UFC), vinculado à HU Brasil, realiza atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com miastenia gravis por meio do Ambulatório de Neuromuscular. Os atendimentos ocorrem às segundas-feiras, das 7h às 13h.
De acordo com o neurologista do HUWC-UFC/HU Brasil Paulo Ribeiro Nóbrega, a queda de pálpebra, também chamada de ptose, é um dos sinais mais característicos da doença. Ela pode ocorrer acompanhada ou não de visão dupla e costuma apresentar piora no final do dia.
O especialista informa que além dos sintomas oculares, a doença pode provocar fraqueza que piora com o exercício ou com a repetição dos movimentos, estrabismo que muda de padrão, fala progressivamente mais baixa durante uma conversa e dificuldade para engolir.
Diagnóstico
A miastenia gravis pode apresentar manifestações semelhantes às de outras doenças neurológicas ou musculares. Por isso, a avaliação especializada é importante para diferenciar a condição de doenças mitocondriais, doenças musculares, miastenias congênitas e, mais raramente, doenças do neurônio motor, como a esclerose lateral amiotrófica (ELA).
Segundo Paulo Ribeiro, o diagnóstico é estabelecido a partir da combinação dos sintomas com exames que podem demonstrar alterações características da doença, como a eletroneuromiografia e a pesquisa de anticorpos, sendo o anti-receptor de acetilcolina o mais comum.
A identificação pode levar tempo porque nem todos os profissionais de saúde estão familiarizados com a doença. Para o neurologista, sintomas como fraqueza muscular ou queda de pálpebra recorrente devem motivar avaliação neurológica.
“O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado e pode reduzir significativamente o risco de complicações. Com acompanhamento e tratamento, a maioria dos pacientes pode manter uma qualidade de vida próxima do normal”, ressalta Paulo Ribeiro.
Investigação do timo faz parte da avaliação
A investigação da relação entre miastenia gravis e o timo, órgão localizado no tórax e relacionado ao sistema imunológico, também faz parte da avaliação dos pacientes. Isso ocorre porque a doença pode estar associada ao timoma, um tumor que pode surgir no timo.
Embora o timoma seja mais frequente em pacientes mais velhos, ele pode estar relacionado à miastenia gravis em diferentes faixas etárias. Por isso, de acordo com o neurologista, todo paciente com miastenia deve investigar o timo.
Tratamento
A miastenia gravis costuma responder ao tratamento, que tem como objetivo controlar os sintomas e reduzir o risco de agravamento da doença. Entre as opções utilizadas estão medicamentos que atuam na comunicação entre nervos e músculos e terapias que modulam a resposta do sistema imunológico.
No SUS, segundo o especialista, fazem parte do tratamento convencional medicamentos como piridostigmina, corticoides e azatioprina, conforme a indicação clínica de cada paciente. Existem ainda terapias mais recentes, incluindo medicamentos biológicos e anticorpos monoclonais, alguns em processo de incorporação ao sistema.
A escolha do tratamento depende das características e da gravidade da doença, da resposta individual e da avaliação médica.
Atendimento imediato em crise miastênica
Em alguns casos, a doença pode evoluir para uma crise miastênica, caracterizada por piora intensa da fraqueza muscular, com comprometimento da respiração e necessidade de suporte respiratório.
O neurologista enfatiza que falta de ar, dificuldade ou piora importante para engolir e cansaço extremo são sinais de alerta que exigem atendimento médico imediato.
“Infecções também merecem atenção especial, pois podem precipitar uma crise. Alguns medicamentos, incluindo determinados antibióticos, podem interferir na transmissão neuromuscular e precisam ser utilizados com avaliação médica”, completa Paulo Ribeiro.
Acesso ao Serviço
O atendimento para miastenia gravis no HUWC-UFC/HU Brasil ocorre por meio do Ambulatório de Neuromuscular, às segundas-feiras, das 7h às 13h.
O fluxo começa na Unidade Básica de Saúde (UBS), onde o paciente deve buscar atendimento e, conforme avaliação clínica, ser encaminhado pela rede pública. No HUWC-UFC/HU Brasil, o paciente passa posteriormente pela triagem interna da neurologia, que avalia a necessidade de acompanhamento especializado.
Sobre a HU Brasil
O HUWC-UFC faz parte da HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.