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SÍNDROMES RESPIRATÓRIAS
Infectologistas do HUWC-UFC/Ebserh orientam sobre prevenção, sintomas e sinais de gravidade diante do aumento de viroses respiratórias no Ceará
Fortaleza-CE - Com o retorno às aulas, o período de maior circulação de pessoas após o Carnaval e o clima chuvoso típico do início do ano no Ceará, especialistas observam um aumento na circulação de vírus respiratórios no estado. O cenário tem refletido em mais casos de síndrome gripal e também em registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas últimas semanas.
De acordo com infectologistas do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), da Universidade Federal do Ceará (UFC) e vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), a combinação de ambientes fechados, maior contato entre pessoas e condições climáticas favorece a transmissão de viroses respiratórias, especialmente entre crianças e idosos.
Dados do Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen-CE) mostram que, entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, foram analisadas 44.771 amostras suspeitas para vírus respiratórios, com cerca de 49% de resultados positivos. Entre os vírus mais detectados estão o rinovírus, responsável por 39,3% das amostras positivas, seguido pelo vírus sincicial respiratório (VSR), com 22,9%, e pela influenza A, com 21%.
Segundo a infectologista da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) e dos Serviços de infectologia do HUWC-UFC/Ebserh Evelyne Girão, nas semanas mais recentes houve crescimento na circulação da influenza. “O vírus Influenza A voltou a apresentar aumento progressivo nas últimas semanas epidemiológicas, mantendo-se como um dos principais agentes detectados no estado”, explica.
A especialista destaca ainda que o estado registrou mais de 11 mil casos de SRAG no período analisado, sendo parte deles relacionados a vírus respiratórios como influenza e rinovírus.
Crianças pequenas e idosos estão entre os mais afetados
Conforme a infectologista pediatra do HUWC-UFC/Ebserh Michelle Pinheiro, o cenário atual mostra aumento de casos de síndrome gripal, sobretudo em crianças e idosos. “Estamos observando aumento de casos respiratórios, principalmente relacionados à influenza. Esse vírus costuma atingir mais crianças entre 1 e 4 anos e pessoas acima de 60 anos, que já são grupos mais vulneráveis”, explica.
Segundo ela, também já é possível observar um crescimento, ainda discreto, no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave nas últimas semanas.
Sinais de alerta
Na maioria dos casos, as viroses respiratórias evoluem de forma leve, com manifestações como febre, tosse, coriza e espirros. No entanto, falta de ar, respiração acelerada ou com esforço, sensação de aperto no peito, febre alta persistente, sonolência excessiva ou confusão mental, sinais de desidratação ou prostração intensa, além de coloração arroxeada ou palidez acentuada indicam a necessidade de buscar atendimento médico imediato.
Segundo as infectologistas, esses quadros podem indicar agravamento da infecção, com risco de evolução para pneumonia ou para Síndrome Respiratória Aguda Grave.
Prevenção
A principal forma de prevenção continua sendo a vacinação e a adoção de medidas simples no dia a dia. Entre os cuidados recomendados estão:
- Manter a vacinação atualizada, especialmente contra influenza e covid-19;
- Higienizar as mãos com frequência;
- Evitar contato com pessoas doentes;
- Usar máscara ao apresentar sintomas gripais;
- Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar;
- Evitar frequentar escola ou trabalho quando estiver com sintomas.
De acordo com as especialistas, essas medidas ajudam a reduzir a circulação de vírus respiratórios e a proteger principalmente crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário Walter Cantídio, do Complexo Hospitalar da UFC, faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.