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HUWC realiza primeiro transplante de medula óssea para tratamento da doença falciforme no Ceará
Fortaleza (CE) - O Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC), vinculado à HU Brasil, realizou o primeiro transplante de medula óssea (TMO) para tratamento da doença falciforme no Ceará, no dia 09 de setembro de 2026. O procedimento ocorreu em parceria com o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce).
A doença falciforme é uma alteração genética hereditária que altera o formato nas hemácias, também chamadas de glóbulos vermelhos. Elas assumem um formato de meia-lua, deixando de serem redondas. Essa alteração dificulta a passagem de sangue pelos vasos, provocando sintomas como crises de dores, cansaço, palidez, osteonecrose (necrose em ossos), icterícia (olhar e pele amarelados) e maior risco de infecções.
Diagnosticada com a doença aos quatro anos de idade, Jaiane Ribeiro, de 31 anos, foi a paciente que passou pelo transplante. Ela relatou que, ao longo da vida, enfrentou internações hospitalares, inclusive em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), além de crises intensas de dor e a necessidade de transfusões de sangue mensais. Moradora de Juazeiro do Norte, ela é acompanhada pelo Hemoce do Crato, depois sendo transferida ao Hemoce de Fortaleza e ao HUWC para o procedimento.
Diante desses desafios, Jaiane encontrou no transplante uma oportunidade de mudar a sua trajetória. O procedimento foi realizado com a doação da medula do seu irmão, Jaime Ribeiro, de 33 anos, que apresentou 100% de compatibilidade. “Realizei o transplante em busca de uma melhor qualidade de vida, de realizar coisas que, muitas vezes, a doença falciforme me impediu de fazer. Uma delas foi a de não poder trabalhar com tranquilidade naquilo que gosto, que é ensinar, ou de tomar um banho de piscina sem medo de sentir dor. Quero fazer planos e conseguir realizá-los. São essas mudanças que espero que o transplante me traga futuramente: uma vida com mais qualidade, possibilidades e oportunidades”, relatou.
Além da expectativa pela recuperação, Jaiane destaca a importância do acesso ao transplante pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Esse procedimento no SUS é muito importante, pois permite que pessoas, assim como eu, possam ter acesso a uma possibilidade de cura”.
Indicação do TMO para doença falciforme
A medula óssea é responsável pela produção das células do sangue (os glóbulos vermelhos, brancos e as plaquetas), por isso o TMO é uma alternativa para a doença, mas seguindo critérios específicos, de acordo com o chefe da Unidade de Hematologia e Hemoterapia do HUWC, Fernando Barroso. “A realização do procedimento amplia as possibilidades de tratamento para pacientes com doença falciforme que tenham indicação para o transplante”, afirmou.
Fernando Barroso explicou que a indicação considera fatores relacionados à gravidade e às complicações da doença. Entre os critérios avaliados estão o histórico de acidente vascular cerebral (AVC) ou alterações no Doppler transcraniano associado a alto risco de AVC; crises vaso-oclusivas frequentes e intensas, principalmente quando não respondem ao tratamento convencional; complicações em órgãos, como disfunção renal, osteonecrose e retinopatia com perda da visão, e aloimunização, situação em que o paciente desenvolve anticorpos após receber múltiplas transfusões de sangue.
A idade do paciente e as condições clínicas gerais também são levadas em conta, a fim de evitar a possibilidade de rejeição ao procedimento e agravamento dos sintomas da doença.
Sobre a HU Brasil
O CH-UFC integra a Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
Por Marília Rêgo, com informações da Unidade de Imprensa Regional Nordeste e Norte
Gerência-Executiva de Comunicação Social/ HU Brasil