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MARCO
HUWC realiza centésima cirurgia de implante coclear
O Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC), realizou, no dia 12 de março, o implante coclear de número 100. O procedimento foi conduzido pela equipe do Ambulatório de Diagnóstico, Habilitação e Reabilitação Auditivas (ADHRA), vinculado ao Serviço de Otorrinolaringologia e especializado no atendimento a pacientes com perda auditiva. O CH-UFC é vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
A centésima cirurgia foi realizada no pequeno Arthur, de 1 ano e 11 meses. O teste da orelhinha apontou que poderia haver alteração auditiva e, ao longo do acompanhamento do desenvolvimento, ao perceberem que ele não respondia a estímulos sonoros por volta dos seis meses, seus pais, Andressa Cavalcante e Ermeson dos Santos, buscaram avaliação médica. Os exames confirmaram a perda severa de audição e ele foi encaminhado para o HUWC.
“Foi assustador no começo, mas, pesquisando e entendendo a situação, ficamos mais tranquilos ao saber que ele pode ter uma vida normal. Graças à medicina e ao Hospital, esse processo está sendo bem melhor”, disse Ermeson. A mãe também complementou: “Quando descobrimos a surdez dele, foi um baque muito grande, mas logo pensamos no que fazer para ajudá-lo. O implante foi a luz no fim do túnel”, disse Andressa.
O HUWC realiza este procedimento desde 2019, sendo considerado um dos principais recursos para reabilitação auditiva nos casos em que o uso de aparelhos auditivos convencionais não apresenta resultados satisfatórios, explicou o otorrinolaringologista e professor da UFC, Marcos Rabelo. Arthur foi um desses casos que chegou a utilizar o aparelho auditivo, mas, sem apresentar resultados, foi indicado para o implante.
O implante coclear é um dispositivo eletrônico que substitui a função da cóclea, estrutura do ouvido interno responsável pela audição. Cerca de um mês após a cirurgia, o sistema é ativado com a instalação do componente externo, chamado de processador de som. Arthur tem a previsão de realizar essa ativação em abril, com data ainda sendo confirmada, mas será próximo ao seu aniversário de dois anos, comemorado no dia 18.
Segundo Marcos Rabelo, o procedimento representa uma mudança significativa na qualidade de vida dos pacientes. “O implante coclear é um procedimento de alta complexidade e alto custo, mas que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente. Com o implante e a reabilitação adequada, os pacientes conseguem desenvolver ou recuperar a capacidade de comunicação semelhante a quem não tem perda auditiva”, afirmou.
Acompanhamento multidisciplinar
O otorrino também esclareceu que a perda auditiva é classificada como pré-lingual, naqueles pacientes que nasceram surdos ou perderam a audição antes do desenvolvimento da linguagem; ou pós-lingual, quando a perda auditiva ocorre após a aquisição da fala. Nos casos pré-linguais, o diagnóstico precoce e a realização do implante são fatores decisivos para os resultados.
Após a ativação do aparelho, os pacientes permanecem acompanhados pelo Serviço e realizam periodicamente o mapeamento, explicou a fonoaudióloga Alessandra Mendonça: as crianças a cada dois em dois meses, e os adultos a cada três meses durante o primeiro ano de implante. “Esse mapeamento é a programação do aparelho do componente externo, que é o processador. No primeiro ano, esse mapeamento é feito com maior frequência e, a partir do segundo ano, o paciente retorna para os acompanhamentos de quatro em quatro meses”.
Além do mapeamento, também são realizadas terapias fonoaudiológicas para treinamento auditivo e para reabilitar fala e linguagem. O Ambulatório de Diagnóstico e Reabilitação Auditiva conta com uma equipe multidisciplinar composta por otorrinolaringologistas, fonoaudiólogas, enfermeira, psicóloga e assistente social.
Sobre a Ebserh
O CH-UFC faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Marília Rêgo
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh