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SETEMBRO AMARELO
Hospital Walter Cantídio alerta para Prevenção do Suicídio
Setembro Amarelo é uma campanha dedicada a um importante problema de saúde pública que é o suicídio, uma realidade mundial que atinge toda a sociedade. Em todo o mundo, segundo a última pesquisa realizada em 2019 pela Organização Mundial de Saúde, OMS, foram registrados 700 mil suicídios, sendo a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 e 29 anos de idade. No Brasil, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) realiza, desde 2014, o “Setembro Amarelo” com intuito de conscientizar a sociedade para prevenção do suicídio. O tema este ano é “Se precisar peça ajuda”!
Para o coordenador do Ambulatório de Psiquiatria do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC-UFC/Ebserh), o psiquiatra Fábio Gomes de Matos e Souza, “Setembro Amarelo” é um mês de discussão, de reflexão de políticas públicas sobre a prevenção ao suicídio. “O Setembro Amarelo não pode obviamente funcionar somente em setembro. Ele tem que funcionar durante o ano todo. Setembro é um lembrete para a sociedade que nós não estamos fazendo a prevenção do suicídio de forma adequada”, comenta. Segundo o especialista, entre 2019 e 2020, houve uma diminuição do número de suicídios no resto do mundo e, no Brasil, houve um aumento de 18%, sendo a comunidade mais jovem especialmente afetada. Ele atribui o aumento específico desses jovens pertencentes à comunidade LGBTQIA+, à estigmatização e à discriminação. “É uma comunidade que infelizmente é extremamente discriminada, estigmatizada e que sofre muito com isso, essas duas questões principais de estigmatização e da discriminação são fatores precipitadores ao suicídio, especialmente nessa população, mas não só nela, obviamente, todas as pessoas discriminadas e estigmatizadas têm que ter uma resiliência muito grande para sobreviver nesse ambiente de tanta injustiça com essas pessoas”, justifica o médico.
No HUWC-UFC /Ebserh é realizado desde 2004, o Programa de Apoio à Vida “Pra Vida”, que toda quinta-feira atende a comunidade que tentou suicídio e que tem alto risco de cometer. “Nesses 19 anos quase três mil pessoas foram atendidas e nenhuma delas, graças a Deus, cometeu suicídio durante o acompanhamento do HUWC-UFC/Ebserh através do Pra Vida”, comemora o especialista. Entre os tratamentos disponíveis na instituição estão todos em relação aos transtornos mentais como: depressão, transtorno bipolar, abuso de álcool e substâncias tóxicas, transtorno bordeline. Ele acredita que o Programa “Pra Vida” sozinho não dá conta de toda a demanda de prevenção de suicídio da cidade de Fortaleza, sendo necessário mais investimentos e mais instituições para participar de uma forma mais efetiva na prevenção do suicídio.
Quando procurar ajuda
De acordo com o especialista, a pessoa deve procurar ajuda quando acha que a sua vida não vale a pena mais ser vivida. Ele considera esse o momento crucial em que a família, amigos e todos que convivem com aquela pessoa tem que estar atento à mudança de comportamento. Os cinco quadros mencionados são os mais suscetíveis e vulneráveis ao suicídio que são a depressão, o transtorno bipolar, o abuso de álcool e outras drogas e o transtorno borderline.
Como ajudar
O especialista orienta que a primeira coisa que devemos fazer é a prevenção primária e ver se a pessoa está em risco. “As pessoas que estão em risco, elas mudam o comportamento e às vezes as outras pessoas não dão valor ao que ela realmente está sentindo ou dizendo. Quando a pessoa está dizendo que está querendo morrer e as outras pessoas dizem não, isso é besteira, isso é uma fase, isso logo passa, esse tipo de comportamento, não ajuda”, conclui o médico. Segundo ele, é melhor encaminhar para um profissional de saúde mental para que possa avaliar o quadro de uma forma completa e abrangente.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário Walter Cantídio, do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh, faz parte da Rede Ebserh desde novembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.