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INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE
Você sabe reconhecer o capacitismo? Especialista da HU Brasil explica como atitudes comuns podem criar barreiras para pessoas com deficiência
A atenção deve incluir ainda as deficiências que não são imediatamente perceptíveis (Imagem ilustrativa: Magnific).
Manaus (AM) – Falar com o acompanhante em vez de se dirigir diretamente à pessoa com deficiência, tratar um adulto de forma infantilizada ou presumir que alguém não consegue realizar determinada atividade. Atitudes como essas podem acontecer no cotidiano sem que sejam percebidas como uma forma de preconceito, mas ajudam a entender um conceito que vem ganhando espaço nas discussões sobre inclusão: o capacitismo.
“Capacitismo é, em resumo, o preconceito contra a pessoa com deficiência. É aquela ideia ultrapassada de achar que ter uma deficiência define o que a pessoa consegue ou não fazer, ou o quanto ela vale”, explica a nutricionista Luciana Santana, membro da Comissão Biopsicossocial da Pessoa com Deficiência do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), vinculado à HU Brasil.
Entre as formas mais comuns de capacitismo estão piadas, imitações ou apelidos relacionados à deficiência; falar com acompanhantes em vez de se dirigir diretamente à pessoa; excluir a pessoa de atividades sob o argumento de protegê-la; usar termos relacionados à deficiência como ofensa; e reproduzir expressões cotidianas que associam deficiências a características negativas.
“Sabe quando alguém fala com um adulto usando voz de criança? Ou quando elogiam algo super comum que a pessoa fez como se fosse um ‘milagre de superação’? Ou até quando a gente organiza uma reunião ou um espaço sem pensar se todo mundo vai conseguir acompanhar? Tudo isso é capacitismo”, exemplifica Luciana.
Barreiras vão além do acesso físico
Dentro de um hospital, garantir acessibilidade vai além de rampas, elevadores e adaptações estruturais. A forma de receber, comunicar informações e se relacionar com a pessoa com deficiência também pode facilitar ou criar barreiras durante o atendimento.
Segundo Luciana, essas barreiras podem surgir quando se presume o que o paciente consegue ou não fazer, quando suas necessidades não são consideradas ou quando a comunicação não ocorre de maneira acessível. Aspectos do próprio ambiente, como excesso de ruídos, luzes intensas e longos períodos de espera, também podem representar dificuldades adicionais para pessoas com sensibilidades sensoriais.
A atenção deve incluir ainda as deficiências que não são imediatamente perceptíveis. “É preciso acreditar quando a pessoa fala sobre aquilo de que precisa, principalmente nas deficiências invisíveis. Também é importante tratar adulto como adulto e buscar informação. Não devemos esperar que a pessoa com deficiência tenha que nos ensinar tudo”, diz.
Outra barreira pode surgir quando o profissional se dirige primeiro ao acompanhante e não ao próprio paciente. “Na prática, isso é invisibilizar a pessoa. Quando o profissional de saúde vira para o acompanhante e pergunta ‘o que ele está sentindo?’ em vez de perguntar para o próprio paciente, ele está tirando a autonomia daquela pessoa”, explica Luciana.
O mesmo princípio vale na hora de oferecer auxílio. Em vez de presumir que a pessoa precisa de ajuda, a orientação é perguntar. “Se a pessoa disser que não precisa, respeite. Se disser que sim, ela mesma vai explicar o jeito de ajudar. Sem tirar a independência dela”, orienta.
Por Emiliana Monteiro, com edição de Maria Carvalho Costa e Raoni Santos
Gerência Executiva de Comunicação Social da HU Brasil