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ALERTA
Uso indiscriminado de testosterona pode comprometer a fertilidade e trazer riscos à saúde
Quando usada sem indicação, a testosterona inibe a produção testicular do hormônio. Outro risco são as alterações hepáticas, que podem levar o paciente à insuficiência hepática. Imagem ilustrativa: Magnific.
Teresina (PI) - A testosterona é um hormônio essencial para o desenvolvimento e a manutenção de características como massa muscular, densidade óssea, libido e outras funções do organismo masculino. No entanto, o uso do hormônio sem indicação e acompanhamento médico tem sido associado à busca por ganho estético e aumento de energia, o que pode trazer riscos à saúde.
Um resultado de testosterona abaixo do intervalo de referência laboratorial não significa, por si só, que há indicação para reposição hormonal. A avaliação médica considera a presença de níveis reduzidos de forma confirmada, associados a sinais e sintomas compatíveis com deficiência hormonal. Na entrevista a seguir, a endocrinologista do HU-UFPI/HU Brasil, Carmen Gervásio, explica quais são os critérios para indicação do tratamento e os riscos do uso da testosterona sem acompanhamento profissional.
Quais são os sintomas da testosterona baixa?
Homens com níveis baixos de testosterona podem apresentar uma redução importante da qualidade de vida, com sintomas como indisposição, dificuldade para ganhar massa muscular e redução da força. Entre as manifestações mais específicas estão a diminuição da libido, da capacidade de ereção e do desempenho sexual, além da redução das ereções matinais.
A perda de força pode ser percebida em atividades do dia a dia que antes eram realizadas com facilidade, como carregar uma criança no colo, por exemplo. Também pode haver redução do desempenho esportivo. Alguns homens ainda podem perceber alterações no crescimento dos pelos, como crescimento mais lento da barba e redução dos pelos no corpo.
Em quais situações a reposição de testosterona é indicada?
A confirmação deve ser feita por meio de exames, com a dosagem sérica de testosterona. A coleta deve ser realizada, preferencialmente, pela manhã, em laboratório que utilize metodologia adequada, porque a testosterona apresenta variações ao longo do dia, seguindo um ritmo circadiano.
Ao ser identificada uma baixa produção de testosterona, é importante realizar outras avaliações hormonais para investigar a origem do problema: se está nos testículos, órgãos responsáveis pela produção do hormônio, ou na hipófise, glândula localizada na base do cérebro que regula essa produção.
Existem, portanto, dois grandes grupos de causas para a testosterona baixa: aquelas relacionadas ao funcionamento dos testículos e aquelas ligadas às regiões hipofisária e hipotalâmica. Cada uma dessas condições exige uma investigação específica e pode ter condutas e tratamentos diferentes.
Quais outros pontos devem ser considerados?
É muito importante também excluir causas gerais que possam estar relacionadas à queda da testosterona. Por isso, é necessário avaliar se há alterações hepáticas ou renais, se existe diabetes descompensado e como estão os hábitos de vida. Também é importante observar a qualidade do sono, o controle do estresse e a prática de atividade física. É impressionante como o homem que começa a treinar, perde peso e começa a se cuidar pode ter uma elevação natural da testosterona.
Que cuidados são necessários antes e durante o tratamento?
Antes de iniciar o tratamento, é indispensável realizar uma avaliação criteriosa com um médico endocrinologista para confirmar a indicação da reposição e identificar possíveis fatores de risco. Durante o tratamento, o paciente também deve ser acompanhado regularmente para avaliar a resposta à terapia e definir a preparação e a dose mais adequadas de testosterona, já que existem diferentes formulações disponíveis.
O acompanhamento inclui a avaliação dos níveis séricos de testosterona e o monitoramento de possíveis efeitos adversos. Entre eles está a policitemia, condição que aumenta a viscosidade do sangue, além de alterações como apneia do sono, irritabilidade, agressividade e acne.
É de fundamental importância observar a saúde prostática. O uso de testosterona pode causar hiperplasia da próstata, que é o aumento não cancerígeno da próstata, mais comum em homens mais velhos, ou elevar o nível de PSA, que pode indicar alguma alteração nas células da próstata.
Outro ponto muito importante é que a reposição não deve ser iniciada em homens com câncer de próstata conhecido ou suspeito. O acompanhamento médico é fundamental para avaliar os riscos e benefícios do tratamento.
Quais são os riscos do uso de testosterona sem indicação médica?
Quando usada sem indicação, a testosterona inibe a produção testicular do hormônio. Essa inibição pode ser temporária, mas também pode ser definitiva, e isso é imprevisível. Ou seja, o uso pode causar hialinização dos túbulos seminíferos e levar à infertilidade, com lesões irreversíveis nos testículos.
Outro risco são as alterações hepáticas, que podem levar o paciente à insuficiência hepática. Há pacientes que usam testosterona como anabolizante durante anos e não apresentam complicações aparentes. Outros, já no primeiro ciclo de uso, podem apresentar alguma alteração grave, às vezes ameaçadora à vida. Por isso, a testosterona não deve ser utilizada fora do contexto de uma deficiência hormonal confirmada e sem acompanhamento médico.
Gerência Executiva de Comunicação Social da HU Brasil