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Sem o tratamento adequado, a sífilis pode permanecer por anos no organismo sem apresentar sintomas
A sífilis é uma infecção que pode ser transmitida verticalmente da pessoa gestante infectada para o bebê. Imagem ilustrativa: Magnific.
Brasília (DF) – A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) provocada pela bactéria Treponema pallidum. É uma doença silenciosa que é capaz de permanecer no corpo durante anos, além de desenvolver sintomas graves e levar à morte se não tratada corretamente. A transmissão da sífilis ocorre principalmente por relações sexuais, mas também por transmissão sanguínea e da pessoa gestante para o bebê. O Sistema Único de Saúde (SUS) possui preparo suficiente para o diagnóstico e tratamento da sífilis, que tem cura.
O 17 de outubro marca o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita. Especialistas de hospitais universitários da HU Brasil alertam sobre os cuidados necessários para prevenir e tratar a doença.
A sífilis adquirida é o tipo mais comum de transmissão, que acontece através de relações sexuais desprotegidas com penetração vaginal ou anal. “O sexo oral, quando há contato com áreas infectadas, também pode transmitir a infecção”, explica Julius Monteiro, médico infectologista do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CH-UFPA/HU Brasil).
“Depois que a pessoa adquire a sífilis [pode surgir uma] lesão ulcerada, geralmente indolor e que consegue passar despercebida porque ela desaparece espontaneamente, mesmo não tratada”, diz o especialista ao se referir à sífilis na fase primária, período em que a doença tem alta taxa de transmissão.
Fases
Informações do Boletim Epidemiológico Sífilis 2025 do Ministério da Saúde (MS), mostram que essa infecção possui quatro fases: primária, latente, secundária e terciária. Na fase primária o ferimento (cancro duro) normalmente surge no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele). O que pode acontecer entre 10 e 90 dias após o contágio. Esse tipo de ferimento não dói, não coça e não tem pus, podendo ainda manifestar ínguas na virilha. Alguns dias depois, o cancro duro desaparece sozinho, o que não significa que a doença foi curada.
“Após a sífilis primária, algumas pessoas podem evoluir para a fase latente, que ela não apresenta sinais e sintomas. Mesmo assim, pode ainda ocorrer a transmissão e a pessoa pode ficar anos sem sinais e sintomas”, frisa Julius Monteiro.
A sífilis secundária, por sua vez, “ocasiona manchas pelo corpo, febre, mal-estar, queda de cabelo. A terciária, - forma mais grave da doença - é caracterizada por complicações cardiovasculares, neurológicas graves”, destaca Thallyta Antunes, médica infectologista do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI/HU Brasil). Quando não tratada adequadamente, a sífilis em sua fase terciária pode manifestar sintomas entre um e quarenta anos após o início da infecção e é capaz de levar à morte, informa o Boletim Epidemiológico do MS.
“A sífilis pode permanecer por muitos anos no organismo sem apresentar sintomas, o que reforça a importância da testagem e da atenção dos profissionais de saúde,”, reitera Fernanda Sarmento, médica infectologista do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, da Universidade Federal de Alagoas (HUPAA-Ufal/HU Brasil). “Como o teste rápido está disponível na rede básica de saúde, a investigação deve considerar não apenas os sintomas apresentados pelo paciente, mas também seu histórico e possíveis situações de exposição à infecção. Dessa forma, é possível identificar os casos e indicar o tratamento adequado”, completa.
De acordo com Julius Monteiro, também existe uma outra fase chamada neurossífilis, que pode ser aguda ou tardia. “Ela pode acontecer [em diferentes fases, tanto nas iniciais quanto nas mais avançadas] e acometer o sistema nervoso central”, esclarece.
Sífilis congênita
A sífilis é uma infecção que pode ser transmitida verticalmente da pessoa gestante infectada para o bebê. A transmissão pode ocorrer durante o parto, pelo contato direto com lesões infecciosas ou durante a gestação através da placenta, classificada como sífilis congênita, podendo provocar sérios problemas de saúde e, em casos mais graves, levar à morte da criança.
“A sífilis congênita acomete o bebê ainda durante a formação dele no útero materno e é capaz de causar prematuridade, baixo peso ao nascer, aumento de fígado e baço, anemia, alterações ósseas”, detalha Thallyta Antunes.
Esse tipo de infecção no bebê também pode ser diagnosticada até dois anos depois do nascimento, como explica o especialista do HUJBB, que também destaca os principais aliados no combate à infecção. “Essa proteção pode ocorrer através do pré-natal adequado, realização das testagens rápidas durante esse período; (...) e a realização do tratamento não só da pessoa gestante, como também a investigação das parcerias sexuais, para identificar quem é a parceria sexual que está com sífilis, realizar o tratamento e o controle de cura”, frisa.
Prevenção e tratamento
Os especialistas dos hospitais que compõem a Rede HU Brasil reforçam a importância do uso do preservativo e da testagem rápida enquanto importantes método de prevenção da doença.
A sífilis é uma IST que tem cura e o tratamento mais indicado é feito com a penicilina benzatina, conhecida como Benzetacil. “O número de doses vai variar de acordo com a fase da doença em que o paciente se encontra. A gente avalia sinais e sintomas e aí sim define-se a dose adequada”, explica Fernanda Sarmento.
“Para aquelas pessoas que tenham, porventura, alergia documentada à penicilina benzatina, a gente tem como opção a doxiciclina, que é uma medicação comprimido, e ainda nós temos também a ceftriaxona, que pode ser feita tanto pela via intramuscular quanto venosa. Mas reforço que o tratamento padrão ouro é com penicilina benzatina”, complementa Julius.
Redação e revisão: Elizabeth Souza
Gerência Executiva de Comunicação Social/HU Brasil