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OUTUBRO ROSA
Rastreamento é melhor estratégia para barrar avanço do câncer de mama
Brasília (DF) – Outubro Rosa chegou e, com ele, a importância de levantar a bandeira do diagnóstico precoce como fundamental para a cura do câncer de mama. A doença, quando diagnosticada na fase inicial, apresenta cerca de 95% de chances de cura. Caroço e manchas escuras nos seios podem ser indicativos de que a doença está presente. Procurar ajuda médica imediata é um passo decisivo.
A presença de nódulos endurecidos na mama ou nas axilas merece atenção. Saída de secreção através do mamilo (sanguinolenta ou água de rocha), alteração no formato (mamilo invertido) e mudanças na pele como vermelhidão, inchaço, retração ou aspecto de casca de laranja também são sinais de alarme.
A mastologista Ana Andrade, que atende no Hospital Universitário Júlio Bandeira da Universidade Federal de Campina Grande (HUJB-UFCG/HU Brasil), explica que o rastreamento é necessário para barrar o avanço da doença. “Quando os sintomas estão presentes, é porque a doença já está mais avançada. Precisamos dar o diagnóstico antes que eles apareçam. Descobrir precocemente aumenta a chance de cura”, enfatiza.
De acordo com o médico oncologista Bruno Fernandes, chefe da Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia do Hospital Universitário João de Barros Barreto, integrante do CHU-UFPA/HU Brasil, o rastreio deve iniciar a partir dos 40 anos de idade com exames clínicos, mamografia e ultrassonografia das mamas. “Essa avaliação é feita até uma idade a ser discutida com o paciente de acordo com as características de saúde, mas, ao menos até os 65 ou 70 anos”, indica.
Doença multifatorial
Os fatores de risco para o câncer de mama vão de aspectos comportamentais, hormonais, hereditários e até ambientais. Entre eles estão obesidade e sedentarismo, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, histórico familiar de ocorrência da doença, ausência de gestação e de lactação (mulheres que nunca engravidaram ou amamentaram), menarca precoce (ocorrência da primeira menstruação antes dos 10 anos de idade) e uso de hormônios sem orientação.
O oncologista Bruno Fernandes reforça que a prevenção deve apontar para o combate aos fatores que causam o câncer de mama. “Diversos hábitos ajudam a reduzir o risco de câncer de mama como combate ao tabagismo e dieta equilibrada para manutenção de um peso adequado (a exemplo do baixo consumo de gorduras e carboidratos simples)”, enfatiza.
De acordo com a mastologista Sabrina Ribas Freitas, que atua no Hospital Universitário de Santa Maria da Universidade Federal de Santa Maria (HUSM-UFSM/HU Brasil), o principal fator para o câncer de mama é ser mulher. “As mulheres têm um risco significativamente mais elevado de terem a doença em relação aos homens, que representam apenas 1% dos casos diagnosticados de câncer de mama”, esclarece.
Com o avanço da idade, o risco aumenta, sendo o crescimento mais significativo após os 50 anos. Sabrina alerta que, mesmo a média de idade de diagnóstico entre as brasileiras ser em torno dos 54 anos, cerca de 1/3 dos casos ocorre abaixo dos 50, o que significa uma proporção elevada de casos mesmo em pacientes mais jovens.
Foi nesta faixa etária que a cabelereira Elizabete Machado descobriu o câncer de mama: aos 53 anos. Durante rotina de autocuidado, ela percebeu algo diferente em um dos seios. “Descobri, pois tinha o hábito de apalpar as mamas para sentir se tinha alguma coisa diferente. A doutora perguntou se eu estava preparada, respondi, segurando a respiração, que sim. Só que não. Passei uns dias sentindo que era o meu fim”, relata.
Após uma sequência de tratamentos realizados no Hospital Universitário de Santa Maria, entre eles quimioterapia, cirurgia para retirada total da mama esquerda e radioterapia, Elizabete segue a vida com hábitos mais saudáveis e um grande aprendizado. “Hoje estou melhor que antes. Faço exercícios, valorizo a minha nova chance, sou agradecida a Deus e aos profissionais do HUSM que me trataram, desde a recepção”, afirma.
“Tempo é a palavra-chave”
Em 2017, durante exames de rotina, a técnica de enfermagem Maria da Guia Faustino da Silva, de 60 anos, descobriu um nódulo na mama esquerda. O pequeno caroço foi detectado na ultrassonografia e, mesmo sem sentir nenhum sintoma, a confirmação da doença veio por meio da core biópsia (procedimento para retirar pequenos fragmentos de tecido).
Há dois anos, graças ao diagnóstico precoce e o tratamento correto, Maria da Guia está curada da doença. “Os exames periódicos e o tempo de início das intervenções foram essenciais para o êxito do tratamento. O diagnóstico feito no início nos dá uma margem de tempo em relação à doença. Tempo é a palavra-chave!”, aconselha.
Além do diagnóstico, Maria da Guia obteve todo o acompanhamento médico com mastologista, além de exames e cirurgias, no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW-UFPB/HU Brasil), incluindo exames e procedimentos de mastectomia e de reconstrução mamária imediata. “Fiz hormonioterapia durante seis anos. Estou curada há dois, quando terminou toda a medicação. Hoje, vou às consultas e faço exames anualmente”, celebra.
Prevenção e Tratamento
A prevenção do câncer de mama pode ser primária ou secundária. A primária visa à redução de fatores de risco da doença e incluem um estilo de vida saudável, como manutenção do peso adequado, alimentação saudável e prática regular de atividade física. A prevenção secundária consiste na detecção precoce, que inclui a visita regular ao médico para exames clínico e de imagens.
“Evitar ingestão alcoólica, cessar tabagismo, procurar ter boa noite de sono e redução do estresse são estratégias para prevenir a doença. O autoconhecimento das mamas também é muito importante em conjunto com todas as outras orientações”, informa a mastologista Sabrina Ribas Freitas.
Com o avanço da medicina, os procedimentos tornaram-se menos invasivos sem comprometer os resultados. O tratamento envolve abordagens que variam conforme o tipo de tumor, o estadiamento da doença e as características da paciente. Entre as alternativas estão procedimentos cirúrgicos, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e reconstrução mamária (realizada após a cirurgia para retirada do tumor).
“Identificar os subtipos de tumor é importante para definir o protocolo de tratamento para cada paciente, avaliação de necessidade de quimioterapia, bem como para definição da sequência do tratamento, ou seja, se a paciente deverá começar pela cirurgia ou por quimioterapia, entre outras especificações”, acrescenta Sabrina.
Logo após o diagnóstico, em 2015, Elizabete Machado iniciou o tratamento do câncer de mama. Após finalizar todo o protocolo, a cabelereira conseguiu realizar a cirurgia para reconstrução mamária no Hospital Universitário de Santa Maria da Universidade Federal de Santa Maria (HUSM-UFSM), integrante da HU Brasil. “O alerta que eu dou para as mulheres é que estejam atentas, que procurem atendimento e façam direitinho as recomendações médicas”, avisa.
Estatística
Entre 2026 e 2028, são estimados cerca de 78,6 mil novos casos de câncer de mama entre as brasileiras, o que equivale a mais de 200 diagnósticos por dia, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O câncer de mama é o tipo de neoplasia mais comum entre as mulheres no país (excluindo o de pele não melanoma) e no mundo, embora também possa afetar homens (representando 1% dos casos).
Ainda de acordo com o Inca, nesse período, a previsão é que sejam registrados 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil. Dos tipos mais prevalentes em mulheres, estão mama (30,0%), cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), pulmão (6,4%), tireoide (5,1%). As previsões confirmam que o câncer segue se consolidando como uma das principais causas de adoecimento e morte, aproximando-se das doenças cardiovasculares.
Gerência-Executiva de Comunicação Social/HU Brasil