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CUIDADO
Especialistas da HU Brasil reforçam importância do diagnóstico precoce da artrite reumatoide, que afeta 2 milhões de brasileiros
A artrite reumatoide não possui uma causa única. Seu desenvolvimento está relacionado à interação entre predisposição genética e fatores ambientais (Imagem ilustrativa: Canva).
Brasília (DF) – Dor, inchaço e rigidez nas articulações estão entre os principais sinais de alerta para a artrite reumatoide, uma doença autoimune, inflamatória e crônica que afeta cerca de 0,5% a 1% da população no país, o que representa mais de 2 milhões de brasileiros.
Na artrite reumatoide, o sistema imunológico, que normalmente atua na defesa do organismo, passa a reagir de forma inadequada contra estruturas do próprio corpo, provocando um processo inflamatório que atinge principalmente as articulações. O acometimento das articulações costuma ocorrer de forma simétrica, afetando os dois lados do corpo, especialmente as articulações das mãos, punhos e pés.
Para conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e do cuidado adequado, especialistas de hospitais da HU Brasil explicam os principais fatores de risco, as características da doença e as possibilidades de tratamento.
Fatores de risco
A artrite reumatoide não possui uma causa única. Seu desenvolvimento está relacionado à interação entre predisposição genética e fatores ambientais. Segundo a reumatologista do Hospital Universitário do Piauí (HU-UFPI), Bruna Aurora Castro, o tabagismo está entre os fatores ambientais mais associados ao risco de desenvolvimento da doença, especialmente em pessoas geneticamente predispostas.
“Estudos identificam fatores genéticos associados a um maior risco de desenvolvimento da artrite reumatoide. Em pessoas predispostas, a exposição ao tabagismo pode contribuir para alterações na resposta imunológica, favorecendo o surgimento de autoanticorpos e o processo inflamatório característico da doença”, reforça.
A artrite reumatoide é mais frequente em mulheres e costuma se iniciar entre os 30 e 40 anos, embora possa surgir em qualquer faixa etária. O reumatologista do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol-UFRN), Rodrigo Barbalho, reforça que a condição vai além do desgaste articular simples.
“A artrite reumatoide é uma doença autoimune que pode ser controlada quando diagnosticada e tratada adequadamente. Sem a intervenção correta, ela pode provocar danos permanentes, deformidades, perda de força, limitação de movimentos e até comprometer outros órgãos”, alerta o reumatologista.
Tratamento no SUS e acompanhamento contínuo
Apesar de não ter cura, a doença conta com opções terapêuticas eficazes para alcançar a remissão dos sintomas e interromper a progressão dos danos articulares. O atendimento está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e conta com cobertura obrigatória pelos planos de saúde.
O reumatologista do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap-UFF), Bruno Bordallo, destaca que as opções de tratamento variam desde medicações orais em comprimidos até imunobiológicos administrados por via subcutânea ou intravenosa.
“A importância do diagnóstico precoce está na facilidade de controlar a inflamação no início, antes que ela se estabeleça por longo tempo e cause deformidades definitivas”, enfatiza o médico do Huap.
Além do controle articular, a reumatologista do Hospital Universitário Júlio Bandeira (HUJB-UFCG), Daniele Kelle Lopes de Araujo, reforça que o cuidado com o paciente exige uma abordagem integral.
“É fundamental monitorar os níveis de colesterol, já que esses pacientes apresentam risco cardiovascular elevado. Também orientamos a atualização da carteira de vacinação, por se tratar de pacientes imunossuprimidos e mais suscetíveis a infecções, além do acompanhamento médico regular para avaliar a evolução clínica e possíveis efeitos adversos dos medicamentos”, explica a especialista.
Pesquisa e ensino na Rede Ebserh
O avanço no manejo da artrite reumatoide e de outras doenças autoimunes também é impulsionado pela produção acadêmica nos hospitais universitários. No Hospital Universitário da Grande Dourados (HU-UFGD), a médica Marcia Midori Shinzato coordena o projeto de ensino "Casos Clínicos em Reumatologia", focado no desenvolvimento de um livro didático para os estudantes do curso de Medicina.
A obra aborda casos complexos de artrite reumatoide e outras condições reumatológicas, incluindo manifestações extra-articulares como o comprometimento pulmonar, a inflamação da pleura, infecções em pacientes imunossuprimidos e acometimentos renais e oculares decorrentes de lúpus e vasculites. A iniciativa visa capacitar futuros médicos no diagnóstico diferencial e na conduta clínica adequada para manifestações graves dessas patologias.
Gerência Executiva de Comunicação Social da HU Brasil