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SAÚDE
Quando a informação e o cuidado previnem muito mais do que fraturas
Quedas podem ser evitadas com informação e prevenção (Imagem ilustrativa: Magnific).
Brasília (DF) - Muitas pessoas acreditam que cair é uma consequência natural do envelhecimento. Será? As quedas afetam milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente a população idosa, e são um sinal de alerta que merece investigação e cuidados.
Segundo a médica geriatra Joana Camila, do Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC-UFCG), vinculado à Rede HU Brasil, cair não é uma condição esperada do envelhecimento saudável. “Muitas vezes, ela está relacionada a uma condição aguda ou crônica que está prejudicando o equilíbrio do corpo, como efeito de medicamentos, infecções, doenças ortopédicas ou neurológicas”, explica.
Diversos fatores podem contribuir para a ocorrência de quedas. Entre os mais comuns estão doenças reumatológicas, ortopédicas e neurológicas, sedentarismo, perda de força muscular, alterações no equilíbrio, uso de determinados medicamentos, ambientes inadequados e dificuldades sensoriais, como problemas de visão, audição e tato.
A especialista destaca que o envelhecimento natural deve ser acompanhado de funcionalidade e independência. Por isso, episódios frequentes de queda ou o medo constante de cair não devem ser ignorados. “Se houve comprometimento da qualidade de vida ou preocupação excessiva com quedas, é importante procurar uma avaliação geriátrica. Cair repetidamente não é algo esperado”, ressalta.
O impacto invisível das quedas
Embora fraturas e lesões sejam as consequências mais conhecidas, os efeitos de uma queda podem ir muito além dos danos físicos. De acordo com a geriatra, muitas pessoas desenvolvem o medo de cair novamente, o que pode desencadear uma série de impactos emocionais e sociais. “Entre os mais comuns estão a fobia de quedas, perdas funcionais e da independência, ansiedade e depressão, levando o idoso a restringir suas atividades, piorando sua qualidade de vida”, afirma.
Esse receio pode fazer com que o idoso deixe de sair de casa, abandone atividades físicas, reduza o convívio social e se torne mais dependente de familiares e cuidadores. Por isso, a prevenção das quedas está diretamente relacionada à preservação da autonomia e do envelhecimento saudável.
Entre as medidas recomendadas estão a prática regular de atividade física, a prevenção e o controle de doenças crônicas, a adaptação dos ambientes e o acompanhamento médico periódico. A especialista também alerta para os riscos da automedicação.
Segurança do paciente também passa pela prevenção de quedas
No ambiente hospitalar, a prevenção de quedas integra as ações prioritárias de segurança do paciente. O objetivo é reduzir riscos e garantir uma assistência cada vez mais segura e qualificada. Segundo o chefe do Setor de Gestão da Qualidade do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), Luis Fernando Beserra Magalhães, as quedas estão entre os eventos adversos mais frequentes nos serviços de saúde e podem causar consequências graves.
“Quando ocorre uma queda, o processo de recuperação pode ser comprometido devido ao surgimento de novas lesões ou limitações físicas, resultando em aumento do tempo de internação, necessidade de tratamentos complementares, maior dependência para atividades diárias e atraso na alta hospitalar”, explica. Por isso, segundo o especialista, a prevenção faz parte dos programas de Segurança do Paciente e são monitoradas por meio de indicadores institucionais.
Durante a internação, pacientes considerados mais vulneráveis recebem acompanhamento diferenciado. A avaliação do risco é realizada na admissão e periodicamente ao longo da permanência hospitalar, permitindo que a equipe adote medidas específicas de prevenção. Entre as ações estão a identificação visual do risco, orientações ao paciente e acompanhante, auxílio na movimentação, adequação do ambiente e monitoramento mais frequente.
“A cultura de segurança fortalece o compromisso de todos os profissionais com a prevenção de riscos. Ela estimula a comunicação efetiva entre as equipes, a identificação precoce de situações de risco e a adesão aos protocolos institucionais e a notificação de incidentes com foco nas melhorias. Para isso, a HU Brasil possui o Vigihosp, uma ferramenta própria de notificação de incidentes”, destaca Luís Fernando.
Informação acessível salva vidas
Além das ações assistenciais, o envolvimento dos pacientes e acompanhantes é fundamental para a prevenção de quedas. No Hospital Universitário da Universidade Federal de Roraima (HU-UFRR), a técnica em Enfermagem do Setor de Gestão da Qualidade, Rosiany Viana, desenvolve um trabalho de orientação diretamente nas enfermarias e unidades de internação, distribuindo materiais educativos em português, espanhol e inglês. A iniciativa leva em consideração a realidade de Roraima, estado que faz fronteira com a Venezuela e a Guiana e recebe pacientes de diferentes nacionalidades.
“A proposta surgiu a partir das diretrizes do Núcleo de Segurança do Paciente, que prevê o envolvimento dos pacientes e familiares nas ações de segurança. Dessa forma, damos autonomia a eles e fortalecemos seu protagonismo no cuidado”, explica.
Durante as orientações, são repassadas recomendações simples, mas que podem fazer a diferença na prevenção de acidentes, como utilizar calçados adequados, sentar-se antes de levantar para verificar se há tontura, solicitar ajuda quando necessário e manter as grades da cama elevadas.
A comunicação em diferentes idiomas também tem papel importante nesse processo. “Como atendemos pacientes estrangeiros e também populações indígenas, conseguimos transmitir as informações de forma mais clara e com equidade. Muitos não falam português, e isso pode comprometer o entendimento das orientações”, relata.
Segundo Rosiany, o acesso às informações no idioma de origem faz com que os pacientes se sintam mais acolhidos e participem mais ativamente dos cuidados. “Eles gostam, se sentem acolhidos. Isso traz mais humanização para o cuidado”, conclui.
A principal mensagem dos especialistas da Rede HU Brasil é clara: cair não é algo normal. Com informação, acompanhamento adequado e medidas preventivas, é possível reduzir riscos, preservar a autonomia e promover mais segurança tanto em casa quanto no ambiente hospitalar.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Danielle Morais, com revisão de Danielle Campos
Gerência Executiva de Comunicação Social HU Brasil