Relatos e Historias
RELATOS E HISTÓRIAS
Pet Terapia transforma rotina hospitalar e fortalece cuidado humanizado no HE-UFPel
Pelotas (RS) – O Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel), integrante da Rede HU Brasil, celebra um ano da retomada do projeto de Pet Terapia na Unidade da Criança e do Adolescente (UCA), com visitas semanais de animais treinados que têm transformado a rotina de crianças internadas, familiares e profissionais. A iniciativa ocorre no ambiente hospitalar, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), e leva acolhimento, afeto e novas formas de cuidado à Pediatria.
O projeto foi incorporado à rotina da UCA por meio de encontros planejados na Brinquedoteca, com participação da equipe multiprofissional e integração ao plano terapêutico dos pacientes. A proposta contribui para reduzir ansiedade e estresse, fortalecer vínculos e ampliar o cuidado para além do tratamento clínico, considerando dimensões emocionais, sociais e cognitivas da saúde.
Como parte das ações de integração e para aproximar ainda mais as equipes do projeto, foi realizada, na terça-feira (14), uma recepção voltada aos colaboradores, com a apresentação dos animais terapeutas e compartilhamento de informações sobre os benefícios do projeto, convidando os trabalhadores a conhecerem de perto a proposta e vivenciarem esse momento de interação.
Cuidado que acolhe e transforma
A chefe da UCA, Evelyn Roballo, explica que “O projeto Pet Terapia faz parte de um conjunto de iniciativas desenvolvidas na unidade que buscam ofertar um cuidado mais humanizado e uma experiência mais positiva à criança e à família durante a internação hospitalar. Ele se integra à rotina por meio de visitas semanais, previamente planejadas, com ações terapêuticas realizadas na brinquedoteca. Essas atividades fortalecem o vínculo das crianças e famílias com a equipe de saúde e tornam o ambiente mais acolhedor”
Segundo ela, o trabalho envolve diferentes áreas do conhecimento e amplia o olhar sobre o cuidado. “As ações contemplam aspectos educativos, clínicos e psicossociais, estimulando a socialização, a afetividade e o desenvolvimento cognitivo e motor das crianças e adolescentes hospitalizados. As intervenções com os animais são discutidas previamente e integradas ao plano terapêutico interdisciplinar, o que reforça a importância de diferentes olhares sobre as necessidades de saúde da criança”, destaca.
Ela ressalta ainda a relação da iniciativa com os princípios do SUS: “A Pet Terapia está alinhada ao princípio da integralidade, ao considerar que a saúde envolve dimensões que vão além da ausência de doença, incluindo o bem-estar mental e social. A iniciativa reconhece o impacto emocional da hospitalização e atua como complemento ao tratamento clínico”.
A pedagoga da Unidade, Adriana Coutinho, responsável pelo projeto Educação em Saúde na Infância, destaca os efeitos institucionais da iniciativa e sua contribuição para o cuidado no SUS. “Hoje já podemos dizer que o projeto impacta diretamente na cultura organizacional. A presença dos animais torna o ambiente hospitalar menos estressante e alinha a instituição com práticas modernas de cuidado centrado no paciente. É uma iniciativa que promove acolhimento e valorização, assegurando um atendimento digno e respeitoso”, afirma.
Vivência que resgata a infância no HE
A coordenadora do projeto Pet Terapia, Marlete Cleff, relembra que a Pet Terapia já havia sido desenvolvida no HE-UFPel antes da pandemia de Covid-19 e foi retomada a partir de articulação com a equipe da Pediatria. “A hospitalização rompe a rotina da criança e da família. A presença dos animais surge como uma forma de resgatar vínculos com o cotidiano e trazer conforto. É um momento em que elas voltam a brincar, sorrir e se expressar. Ao longo desse ano, percebemos melhora no humor, maior interação com a equipe e até maior aceitação dos tratamentos”, relata.
Ela destaca que a hospitalização impacta diretamente a rotina: “A criança se afasta da escola, das atividades diárias e a dinâmica familiar também se transforma. A presença dos animais surge como uma forma de resgatar esse vínculo com o que é familiar, com a casa, com a rotina que foi interrompida”. Segundo Marlete, o contato com os animais favorece a aproximação e cria um ambiente mais acolhedor. “Muitas crianças têm animais em casa e, quando encontram os pets no Hospital, passam a compartilhar suas experiências, a falar sobre suas vivências. A família também participa desse momento, o que aproxima ainda mais todos da equipe de saúde. É uma estratégia que promove benefícios psicológicos, sociais e até na forma como a criança enfrenta a doença”, relata.
Ela observa que os efeitos são perceptíveis desde a chegada dos animais ao HE-UFPel: “Desde a portaria até as equipes assistenciais, a presença dos animais desperta sentimentos de alegria e afeto. Para as crianças, faz uma diferença muito significativa”. Ao longo deste primeiro ano de retomada, a coordenadora destaca: “Recebemos relatos de profissionais de que, após as visitas, algumas crianças passaram a aceitar melhor as terapias, apresentaram melhora no humor e maior interação com a equipe. Também observamos benefícios emocionais e até na resposta ao tratamento”, afirma.
A pediatra Júlia Martins ressalta: “A internação envolve a realização de diversos procedimentos, muitas vezes associados a desconforto e dor, além de períodos prolongados até a resposta terapêutica adequada. Nesse contexto, torna-se fundamental o esforço conjunto da equipe em preservar o espaço lúdico da infância no ambiente da enfermaria”.
Segundo ela, a saúde emocional tem impacto direto na recuperação das crianças. “Intervenções como a pet terapia atuam diretamente nesse aspecto, ao promover momentos de alegria e acolhimento, contribuindo para a manutenção do bem-estar emocional, mesmo diante de experiências potencialmente dolorosas. Além dos pacientes, essa abordagem também favorece familiares e profissionais, proporcionando momentos de leveza, conexão e fortalecendo o sentimento de pertencimento no ambiente hospitalar”, explica.
A pediatra destaca ainda que estratégias lúdicas fazem parte do cuidado integral. “A construção de um ambiente mais inclusivo, acolhedor e humanizado é parte do trabalho na Pediatria. Nesse cenário, a inserção da pet terapia demonstra impacto no bem-estar emocional e como potencial modulador da resposta imunológica, contribuindo de forma integral para o processo de recuperação”, observa.
Afeto que faz diferença na experiência da internação
Para as famílias, o impacto é imediato. A mãe da paciente Esther, Graziele Danda Amaral, relata que a filha chegou para internação no mesmo dia da atividade e encontrou na interação com a cadela Frida um alívio naquele momento. “Ela chegou para internação e encontrou a Frida. Ficou feliz, a autoestima melhorou porque ela adora animais. Esse momento amenizou a chegada ao Hospital. O maior significado é a troca de afeto. Eu amei a doutora Frida”, conta.
Durante as visitas, os animais interagem de forma segura e supervisionada, sempre respeitando as condições clínicas de cada criança. A presença dos pets contribui para tornar o ambiente mais leve e acolhedor, sem interferir na assistência.
Sobre a HU Brasil
O HE-UFPel faz parte da Rede HU Brasil desde 2014. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Andreia Pires
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede HU Brasil