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16 DE ABRIL
No Dia Mundial da Voz, fonoaudiólogos da Rede HU Brasil alertam para cuidados e reforçam importância do diagnóstico precoce
Rouquidão por mais de duas semanas, dor ao falar, cansaço vocal, falhas na voz, perda vocal e o hábito frequente de pigarrear são sintomas que não devem ser ignorados (Imagem ilustrativa: freepik).
Brasília (DF) – Celebrado em 16 de abril, o Dia Mundial da Voz reforça a importância dos cuidados com a saúde vocal, essencial para a comunicação e qualidade de vida. Alterações na voz, muitas vezes ignoradas, podem ser sinais de problemas que vão desde inflamações simples até doenças mais graves. Fonoaudiólogos dos hospitais da Rede HU Brasil reforçam a importância do diagnóstico precoce e da atenção aos sinais relacionados à saúde vocal.
Rouquidão por mais de duas semanas, dor ao falar, cansaço vocal, falhas na voz, perda vocal e o hábito frequente de pigarrear são sintomas que não devem ser ignorados. Embora muitas vezes associados a situações passageiras, eles podem estar ligados a condições que vão de inflamações simples a doenças mais graves, exigindo avaliação clínica.
Causas e diagnóstico
De acordo com Vanessa Ponsano Giglio, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), administrado pela HU Brasil, as disfonias (alterações na qualidade vocal) estão entre as principais condições que afetam a voz. “Os problemas podem ter causas variadas, desde laringites até lesões nas pregas vocais, como nódulos e pólipos. Também há casos mais graves, como paralisias e até tumores malignos, como o câncer de laringe”, explica.
O uso excessivo da voz, como falar muito alto ou gritar, segundo Martha Takishima, do Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT), está entre as principais causas, além da baixa hidratação, estresse e fatores clínicos, como infecções, alergias e o refluxo laringofaríngeo. “Também são comuns lesões benignas, como nódulos e pólipos, decorrentes desse comportamento vocal inadequado ao longo do tempo”, afirma.
Apesar de, na maioria dos casos, as causas serem benignas, a fonoaudióloga faz um alerta importante. “A rouquidão que persiste por mais de duas semanas precisa ser investigada, pois pode estar associada a doenças mais graves, como o câncer de laringe”.
O diagnóstico de doenças relacionadas à voz é realizado por médicos, como otorrinolaringologistas ou cirurgiões de cabeça e pescoço, enquanto alterações funcionais podem ser avaliadas por fonoaudiólogos especialistas. Quando identificadas precocemente, muitas dessas condições apresentam tratamento mais simples, com melhores resultados e menor impacto na rotina do paciente.
Prevenção e cuidados diários
Manter a saúde vocal depende, principalmente, de hábitos cotidianos, orienta Ivis Pinheiro, do Hospital de Doenças Tropicais (HDT-UFT). A ingestão adequada de água é essencial para o bom funcionamento das pregas vocais. Também é importante evitar gritar, falar em excesso ou competir com ruídos - situações que exigem maior esforço vocal.
O uso de cigarro e bebidas alcoólicas, assim como mascarar sinais com pastilhas e sprays sem orientação profissional, pode agravar problemas vocais. “Respeitar os limites da voz, falar de forma pausada e fazer pequenas pausas ao longo do dia são medidas simples que ajudam a prevenir lesões”, afirma o especialista.
Outro ponto de atenção é buscar ajuda ao perceber qualquer alteração persistente, evitando a automedicação e o adiamento do diagnóstico.
Voz muda ao longo da vida
A produção da voz depende de um sistema complexo que envolve musculatura, respiração e ressonância. Esse sistema passa por transformações ao longo da vida.
“Nos bebês, as pregas vocais são menores e a laringe fica em uma posição mais alta, facilitando a amamentação. Já nos adultos, há um desenvolvimento completo dessas estruturas, favorecendo a projeção vocal”, explica Giglio.
Com o envelhecimento, surgem mudanças naturais. “A perda de massa muscular e a redução da mobilidade da laringe podem causar a chamada presbifonia, que resulta em uma voz mais fraca, instável ou trêmula”, afirma.
Relação entre voz e alimentação
Outro ponto destacado por Martha Takishima é a relação entre voz e deglutição. Ambas compartilham estruturas musculares e podem ser afetadas por alterações semelhantes.
“O fortalecimento da musculatura orofacial e laríngea é fundamental tanto para a produção da voz quanto para a alimentação. Quando há fraqueza ou falta de coordenação, podem surgir problemas vocais e dificuldades para engolir, como na disfagia”, explica.
Em pacientes com disfagia, o tratamento envolve exercícios específicos para melhorar a segurança da deglutição, além de técnicas e adaptações alimentares.
Sobre a HU Brasil
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede HU Brasil