Galeria de Imagens
DIGNIDADE
Esquizofrenia: Com tratamento e suporte, pacientes conseguem retomar projetos de vida
Hospitais da Rede HU Brasil oferecem acompanhamento para pessoas com esquizofrenia e outros transtornos mentais. Imagem ilustrativa: Magnific.
Nesta reportagem você verá:
Brasília (DF) – Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a esquizofrenia é a terceira causa de perda de qualidade de vida entre pessoas de 15 a 44 anos. A instituição também aponta que 1,6 milhão de brasileiros sofrem com essa doença e todos os estigmas que a cercam. Com o objetivo de combater a desinformação em relação a esse transtorno mental, é celebrado anualmente, em 24 de maio, o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esquizofrenia. Os hospitais universitários geridos pela HU Brasil oferecem tratamento gratuito para a doença por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). 
O psiquiatra e coordenador do ambulatório para pacientes com esquizofrenia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), Breno Fiuza (imagem ao lado), explica que a doença consiste em um transtorno mental crônico caracterizado pela manifestação dos sintomas chamados positivos (delírios, alucinações e pensamento desorganizado) e os negativos, geralmente compostos por retraimento social e apatia.
Para o diagnóstico, é necessário que a pessoa apresente pelo menos um dos sintomas do primeiro grupo e mantenha sinais da doença por um período mínimo de seis meses. Outro critério é o prejuízo funcional após o primeiro episódio psicótico. “Cerca de 85% dos pacientes com esquizofrenia têm esse declínio, sintoma que realmente atrapalha as suas vidas, comprometendo os estudos, o trabalho e os relacionamentos”, explica Fiuza.
Preconceito e desinformação sobre a doença
O especialista destaca que a visão distorcida da sociedade sobre os sintomas reforça os estereótipos em relação à esquizofrenia. “Temos que acabar com a ideia de que esse paciente é perigoso ou incapaz. Isso é muito difundido na cultura popular. Basta lembrar dos filmes que abordam o tema. Os personagens com essa enfermidade frequentemente aparecem cometendo crimes ou são retratados como alguém que vive no próprio mundo e não consegue realizar tarefas do dia a dia”, diz.
No entanto, Breno Fiuza acrescenta que a vida real é bastante diferente da ficção e o comportamento agressivo pode acontecer, mas é raro entre essas pessoas. “Na verdade, pacientes com transtornos mentais graves sofrem mais violência, justamente por fazerem parte de uma população vulnerável. Além disso, quem busca tratamento pode alcançar um bom nível de reabilitação”, afirma.
O caminho para retomar a autonomia
Apesar de não existir uma cura para a esquizofrenia, é possível controlar a enfermidade e garantir uma boa qualidade de vida ao paciente, quando este procura por ajuda profissional. Atualmente, o tratamento é composto por medidas farmacológicas, acompanhamento psicoterápico e terapia ocupacional. O intuito dessa abordagem multidisciplinar é gerenciar os sinais positivos e negativos, além de resgatar a autonomia do paciente e melhorar o convívio social.
Os benefícios da terapia ocupacional nesses casos ainda são pouco conhecidos. Porém, a terapeuta do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), Danielle Torres, argumenta que essa área tem um papel fundamental na recuperação dessas pessoas. “Desenvolvemos atividades que ajudam esse indivíduo a treinar habilidades e cumprir com suas tarefas diárias, como escovar os dentes, tomar banho e se alimentar no horário certo. Quando há um cuidado integral, muitas vezes a pessoa consegue voltar a estudar ou trabalhar, levando uma vida funcional”, informa a médica.
A importância da rede de apoio
O psiquiatra da infância e da adolescência do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CH-UFRJ), Lucas Hosken, alerta para uma particularidade da esquizofrenia. Segundo ele, esse é um problema que normalmente surge entre o fim da adolescência e o início da vida adulta, exigindo um olhar atento dos pais ou responsáveis, já que a enfermidade nem sempre começa com um episódio psicótico.
“Muitos indivíduos apresentam uma fase prodrômica (período que antecede os sintomas mais graves), sendo caracterizada por retraimento social, piora do desempenho acadêmico e escolar, alterações afetivas, desconfiança excessiva, às vezes, uma sensação de se sentir observado, além de prejuízo cognitivo”, afirma Lucas Hosken. Ele reforça que é possível perceber nitidamente uma quebra na curva de evolução do jovem, pois ele se torna menos funcional do que era.
Conforme o médico, o uso de drogas como a maconha por jovens e adolescentes pode funcionar como um importante gatilho para o desenvolvimento da doença, uma vez que o cérebro dessas pessoas ainda está em desenvolvimento. Lucas esclarece que, além de histórico familiar de psicose, complicações obstétricas, exposição a traumas e estresse psicossocial, existem meta-análises que já demonstram associação entre cannabis de alta potência e maior risco de transtornos psicóticos em indivíduos vulneráveis.
Maurício Malta Luiz, paciente do HC-UFMG, conta que seu primeiro episódio psicótico ocorreu justamente enquanto utilizava a droga. “Eu estava fumando maconha e tive um surto. Comecei a achar que todos estavam me perseguindo, querendo me matar ou fazer algo de mal comigo. Fui internado no Centro de Referência em Saúde Mental (Cersam) e diagnosticado com esquizofrenia”, declara.
Ao longo dos últimos 13 anos, Maurício realizou tratamento tanto para superar o vício quanto para controlar a enfermidade. Segundo ele, o principal fator para sua recuperação foi o apoio familiar. “Perdi minha mãe muito cedo, mas tenho uma avó e três tias que cuidam de mim. Elas me ajudam, principalmente comprando remédio e pagando a terapeuta”, relata.
O psiquiatra Lucas Hosken aponta que o acompanhamento dos pais ou responsáveis é fundamental para aumentar as chances de recuperação e garantir mais qualidade de vida à pessoa com esquizofrenia. “Evidências demonstram que a psicoeducação familiar e o suporte estruturado reduzem recaídas e melhoram a adesão ao tratamento. Ambientes familiares com menor nível de conflito e crítica também estão associados a um menor risco de descompensação clínica. A família é nossa maior aliada, devendo ser incluída e ouvida”, ressalta.
Maurício relata que hoje leva uma vida plenamente funcional graças a esse suporte da família. Ele está cursando Medicina Veterinária e já conseguiu ingressar em um estágio remunerado na área. “Para quem está passando pelo mesmo que passei, aconselho: Não tenha vergonha! É uma doença que qualquer um pode ter. Se passei por isso e consegui me recuperar, acredito que várias pessoas também podem sair bem dessa situação”.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Ana Ulhôa, com revisão de Rosenato Barreto
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh