Relatos e Historias
ABRIL AZUL
Colaborador TEA do HU-Unifap mostra importância da conscientização e do respeito às pessoas neurodivergentes
Macapá (AP) – Muitas são as histórias de sucesso de trabalhadores autistas. Uma delas é a do enfermeiro Ítalo Cunha Barbosa, de 39 anos, chefe substituto da Unidade de Bloco Cirúrgico e Processamento de Material Esterilizado (UBCME) do Hospital Universitário da Universidade Federal do Amapá (HU-Unifap), vinculado à estatal HU Brasil. Ele foi admitido no HU-Unifap em setembro de 2021 como técnico de Enfermagem, antes mesmo de descobrir seu diagnóstico de TEA.
“Em dezembro de 2023, fui convocado como enfermeiro”, conta Ítalo. No entanto, o caminho para o diagnóstico foi desafiador, diante do alto custo envolvido nos testes de investigação do TEA, ele só pode iniciar seu processo de acompanhamento com a neuropsicóloga após abril de 2024. Ítalo recebeu o laudo da neuropsicóloga em dezembro de 2024 e do psiquiatra em fevereiro de 2025.
“Minha maior dificuldade foi me adaptar às mudanças inesperadas em minha rotina diária, bem como o excesso de barulho. Em alguns momentos, tenho que utilizar abafador de ruído”. A declaração de Ítalo ressalta a importância da inclusão e conscientização sobre o autismo, reforçando o compromisso do HU-Unifap com a causa. Com 12 colaboradores diagnosticados com TEA, o hospital mostra que, com direitos garantidos, respeito e inclusão, os neurodivergentes podem se destacar e contribuir significativamente no trabalho e na sociedade.
Aceitação
“A aceitação do diagnóstico e compartilhamento com todos os que trabalham comigo foi o ponto primordial e focal para conseguir lidar com as dificuldades”, afirma o chefe da UBCME. “Aliado ao TEA, também fui diagnosticado com TDAH, com predomínio de desatenção. Posso afirmar que o acompanhamento profissional e o uso dos medicamentos trouxeram maior qualidade de vida”, completa. Ítalo também destaca a compreensão dos colegas de trabalho: “Eles compreenderam o fato de eu ser neurodivergente, e são bastante empáticos nos momentos em que tenho as crises de ansiedade ou irritabilidade”.
Chefia da UBCME
“Com experiência profissional, conhecimento técnico, vivências e muita dedicação, consegui conquistar uma vaga na chefia da UBCME”, enfatiza o enfermeiro, destacando o apoio da equipe: “Tenho muito apoio de todos que trabalham comigo, como os enfermeiros e técnicos de enfermagem do Bloco Cirúrgico e da CME”. Sobre seus planos para a unidade, ele afirma: “Temos investido em treinamentos, aperfeiçoamento das rotinas atuais, criação de POP's e instituição de novos protocolos. O foco atual é sobretudo no desenvolvimento de habilidades e competências das equipes da UBCME”, ressalta Ítalo.
Condição diferenciada
“No primeiro momento, pensei em esconder meu diagnóstico, temendo sofrer preconceito dos colegas de trabalho. Entretanto, após acompanhamento em psicoterapia, tornar pública minha condição diferenciada foi a melhor solução”, confessa. Ítalo percebeu que o TEA não o fez menor que as outras pessoas, apenas permitiu que ele enxergasse o mundo de maneira diferente.
“Busquei o laudo para me entender melhor enquanto ser humano, e verificar até que ponto isso influenciaria em minha vida profissional. Consigo lidar bem com os prejuízos que essa condição me trouxe, e posso afirmar que sou bem acolhido no meu ambiente de trabalho”, frisa Ítalo. Ele declara que recebe apoio, é respeitado diante das suas limitações e seus colegas de trabalho evitam sempre situações que possam ser gatilhos ruins para ele.
Importância da inclusão
“Acredito que o HU-Unifap promove uma boa inclusão no ambiente hospitalar”, avalia o profissional. Ele reforça a importância da campanha Abril Azul: “Achei importante citar essa pauta, tendo em vista que os colaboradores com TEA existem, conseguem desempenhar muito bem as suas funções, não são ‘pobres coitados’ e estão no ambiente de trabalho para entregar sempre o seu melhor”. Ele acrescenta que seu objetivo foi justamente provocar reflexões sobre a vida profissional desses indivíduos para servirem de exemplo de força, resiliência e, principalmente, superação de barreiras.
Bem-estar do trabalhador
De acordo com a chefe da Unidade de Saúde Ocupacional e Segurança do Trabalho, Analu De Lavor, o HU-Unifap dispõe de iniciativas voltadas à promoção do bem-estar dos trabalhadores, incluindo pessoas neurodivergentes. Um exemplo é o Programa de Qualidade de Vida no Trabalho (PQVT), que contempla ações voltadas à saúde física e mental e à oferta de práticas integrativas no ambulatório institucional, contribuindo para o cuidado integral do trabalhador. “Outra iniciativa é o Programa Acolhe, voltado ao apoio psicossocial, que oferece escuta qualificada, orientação e suporte aos colaboradores, favorece a adaptação ao ambiente de trabalho e o enfrentamento de demandas emocionais”, diz.
Ainda segundo Analu, um ambiente inclusivo e humanizado, que valoriza as individualidades, promove uma cultura organizacional mais empática e acolhedora, melhorando relações interpessoais e a segurança assistencial.
Sobre a HU Brasil
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil foi criada em 2011, tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Neurizete Duarte com edição de Rosenato Barreto
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede HU Brasil