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Cooperativa de assentados realiza Feira da Agricultura Familiar em Campos dos Goytacazes (RJ)
Será realizada em 24 de fevereiro (terça-feira), das 8h às 17h, a 2ª Feira da Agricultura Familiar Sabores da Terra. O evento ocorrerá no Casarão Centro Cultural, localizado no Centro de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.
A feira é promovida pela Cooperativa Sabores da Terra, formada por assentados da reforma agrária e quilombolas, com o apoio da Unidade Escola de Produtividade Rural (UEPR) da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF).
A novidade desta edição será a integração entre arte e campo com um desfile de moda autoral, com o lançamento de coleções de bolsas da 'Cesta Agrícola'. Confeccionadas por cada cooperado, as peças são um item de logística transformado em símbolo de identidade e cultura.
Algumas atrações da feira serão a tapioca de Lígia Aparecida, do assentamento Zumbi 2; o ensopado de banana verde e a feijoada da quilombola Erica Martins, do território Cambucá Imbé; e as hortaliças da Eliene, do Terra Conquistada, todos em Campos dos Goytacazes.
Do assentamento Cícero Guedes, no mesmo município, Tatiana Chagas levará pimenta, mel e mini pimentão, e Adenilza Rangel estará com suco e polpa de frutas. A banana chips será o destaque da barraca de Josilene Reis, que também terá opções veganas como caldo e escondidinho de aipim com coração de banana e empada de berinjela.
Primeira edição
A UENF sediou a primeira edição da feira, em novembro de 2025, quando a reitora, Rosana Rodrigues, acompanhou a superintendente regional do Incra/RJ, Maria Lúcia de Pontes, e o superintendente do MDA/RJ, Victor Tinoco, em uma visita às barracas dos feirantes junto com professores e pesquisadores.
“A primeira feira foi maravilhosa! A gente trabalhou muito, mas sinceramente não esperava que tivesse tanto movimento. A realização pelo Incra do Mutirão de Documentação da Trabalhadora Rural na mesma data e local ajudou bastante”, comemorou a beneficiária Tatiana Chagas, do recém-criado assentamento Cícero Guedes.
Assentada há 20 anos no Terra Conquistada, Eliene Reis concordou: “Foi nota 10, tudo que levamos, conseguimos vender. Não voltamos com nada. Tenho certeza de que a próxima feira será ainda melhor”. A quilombola Erica Martins, da comunidade Cambucá Imbé reforçou: “Foi uma bênção, pois caiu no mesmo dia do mutirão do Incra na UENF”, lembrou.
“O sentimento entre os cooperados foi de orgulho e superação. Houve uma insegurança inicial, o que fez com que alguns produtos típicos esgotassem muito rápido. Mas o retorno positivo do público e a qualidade da organização elevaram a moral do grupo. E as vendas foram expressivas, o que prova o potencial econômico da nossa união e valida o esforço dos envolvidos”, afirmou a supervisora do projeto UEPR/UENF, Géssica Santos.
O intervalo de três meses para a segunda edição foi decidido pelos próprios cooperados, para que as famílias pudessem planejar o volume necessário de produção. “Além disso, a 2ª Feira será no Casarão a convite da instituição. A proposta para o futuro é estabelecer um calendário fixo semanal na UENF, mantendo edições itinerantes por outros pontos da cidade”, complementou a supervisora.
Cooperativa
A Cooperativa Sabores da Terra conta, atualmente, com 20 agricultores familiares dos assentamentos Novo Horizonte, Zumbi dos Palmares, Cícero Guedes, Terra Conquistada e Josué de Castro, além da comunidade quilombola Cambucá Imbé, todos localizados em Campos dos Goytacazes. Seu principal objetivo é facilitar a comercialização da produção.
“Muitas famílias sofrem com o desperdício e a frustração de produzir sem a venda garantida”, contou Géssica. “A cooperativa está desenvolvendo o projeto Cesta Agrícola, inicialmente com 60 famílias de servidores da UENF, criando uma demanda estável antes mesmo do plantio”, explicou.
“Eu resolvi participar da cooperativa porque vendemos a nossa produção sem atravessador e conseguimos preço melhor”, justifica a cooperada Sandra Faria, do assentamento Josué de Castro. Recém-assentada no Cícero Guedes, Adenilza Rangel aprovou a cooperativa: “Agora teremos a nossa feira e a nossa cesta. É muito sacrifício deslocar os produtos de um lado para o outro e ainda não conseguir vender tudo”, ressaltou.
Também do Cícero Guedes, a beneficiária Josilene Reis argumentou: “Para comprar algo com CPF é uma dificuldade. Já com CNPJ a gente tem desconto. Pra vender nossa produção, as condições também são melhores. Se recebo uma encomenda grande e não tenho a quantidade necessária, o meu vizinho pode ter. Então a gente se une e dessa união o nosso poder de venda aumenta. É a vantagem de trabalhar de forma coletiva”, considerou.
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