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SAÚDE PÚBLICA
HUSM-UFSM realiza cirurgia complexa de aneurisma com atuação conjunta de especialistas
Profissionais atuaram em conjunto durante procedimento inédito de aneurisma no HUSM
Santa Maria (RS) – No dia 8 de julho, o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM-UFSM), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizou uma cirurgia de alta complexidade para o reparo de um aneurisma de aorta toracoabdominal (TAAA). A intervenção foi realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e envolveu as equipes de cirurgia vascular, cirurgia cardiovascular, anestesiologia e perfusão.
A intervenção cirúrgica foi planejada de forma conjunta devido à gravidade do caso: uma paciente com um aneurisma volumoso, de 7,5 cm, próximo às artérias viscerais. Ela também apresentava dor intermitente e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), o que elevava o risco de complicações. O caso exigiu planejamento integrado entre as especialidades envolvidas.
A cirurgia foi realizada pelas equipes de cirurgia vascular, com o planejamento e a execução pelos médicos Nastassja Stine Mendes de Souza, Alcides André Dezordi Vogel, Renato Maranhão de Albuquerque, Cristina de Oliveira Fenner, Stela Karine Braun, Elton Luiz Schmidt Weber e Johanns Loureiro Braz, e de cirurgia cardiovascular, com os médicos Ralf Stuermer e Rômulo Castagnino. A perfusão foi conduzida por Roberta Senger, com anestesia do médico Eduardo Corrêa.
Estratégia conjunta
A cirurgiã vascular Nastassja explicou que o procedimento realizado foi o reparo aberto de aneurisma de aorta toracoabdominal. “Utilizamos técnicas específicas como a perfusão retrógrada de artérias viscerais por meio de canulação átrio-femoral, o uso de circulação extracorpórea, monitorização invasiva da Pressão Arterial Média (PAM) em membro superior e inferior, sistema de autotransfusão e drenagem liquórica”, detalhou.
Segundo a especialista, “a cirurgia foi precedida por uma discussão conjunta entre as equipes de cirurgia vascular e cardíaca para o planejamento do procedimento”. Ela acrescentou que “o foco principal foi aplicar técnicas de reperfusão das artérias viscerais durante o clampeamento da aorta, a fim de minimizar o tempo de isquemia e as repercussões clínicas associadas”.
Sobre o quadro clínico, a Nastassja pontuou: “A paciente apresentava um aneurisma de grandes dimensões e uma condição pulmonar crônica que agravava o risco cirúrgico. Por isso, cada etapa foi cuidadosamente pensada em conjunto com as demais equipes”.
Após a cirurgia, a paciente foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “A evolução geral da paciente tem sido satisfatória”, afirmou Nastassja. O prognóstico, segundo a literatura médica, é significativamente melhor após o reparo cirúrgico: “A sobrevida estimada após o procedimento é de 83% no primeiro ano, 63% em cinco anos e 37% em dez anos”, explicou. Sem o reparo, o risco de ruptura em aneurismas com mais de 7 cm pode chegar a 12% ao ano.
Nastassja também ressaltou que “esse é um procedimento de grande porte, que envolveu a colaboração de diversas equipes e representa um atendimento de excelência ao paciente do SUS no HUSM. A iniciativa promoveu a troca de experiências entre os profissionais e contribuiu para o aprendizado de estudantes e residentes que participaram de todas as etapas do cuidado, desde o preparo até o pós-operatório”.
Perfusão especializada garantiu segurança do fluxo sanguíneo
A perfusionista Roberta Senger destacou o papel do suporte circulatório durante a cirurgia e explicou que “a equipe de perfusão foi fundamental, pois precisávamos manter o fluxo sanguíneo em órgãos-alvo, evitando eventos adversos graves decorrentes da interrupção do fluxo sanguíneo”. Para isso, foi utilizada “uma técnica de perfusão que consistiu na miniaturização de circulação extracorpórea arterial-arterial, permitindo o suporte necessário durante o procedimento”.
Sobre a Ebserh
O HUSM-UFSM faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh