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MELHORIA DE PROCESSOS
HUSM-UFSM promove primeiro Ideathon em saúde para transformar desafios em soluções inovadoras
Santa Maria (RS) – Como transformar desafios do dia a dia em soluções aplicáveis no serviço público de saúde? Com esse objetivo, o Hospital Universitário de Santa Maria, da Universidade Federal de Santa Maria (HUSM-UFSM), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizou, no dia 17 de março, o primeiro Ideathon em saúde. A atividade ocorreu no Espaço Collab do Inovatec, no prédio 61H, e reuniu chefias do Hospital, totalizando 80 participantes.
A oficina foi organizada pela Unidade de Gestão da Inovação Tecnológica em Saúde (UGITS) e pelo Setor de Gestão da Pesquisa e da Inovação Tecnológica em Saúde (SGPTIS), da Gerência de Ensino e Pesquisa (GEP) do Hospital, em parceria com a Pró-Reitoria de Inovação e Empreendedorismo (Proinova) da UFSM. A proposta foi utilizar metodologias ativas para estimular a identificação de problemas reais e o desenvolvimento colaborativo de soluções aplicáveis à rotina institucional.
Para o superintendente do HUSM, Humberto Moreira Palma, a proposta é dar continuidade à iniciativa e ampliar os espaços de construção coletiva na instituição. “É um programa que pretendemos repetir, reunindo pessoas para discutir temas já identificados e, a partir disso, encontrar soluções”, afirmou. Segundo ele, a metodologia aplicada durante o Ideathon favoreceu o trabalho em grupo e possibilitou a construção de propostas convergentes. “Foram propostas interessantes, que apontam caminhos comuns entre os diferentes grupos”, destacou.
O superintendente também ressaltou que a inovação no serviço público está diretamente ligada ao cotidiano de trabalho. “A inovação não precisa ser de alta tecnologia. Ela pode estar na mudança de processos do dia a dia”, explicou. Para ele, os hospitais universitários oferecem um ambiente propício à criatividade: “Temos autonomia, independência e poder de criação. Isso precisa ser despertado nas pessoas”. Humberto reforçou que esse movimento impacta diretamente o cuidado com os pacientes. “Quando o dia a dia se torna mais criativo e inovador, o Hospital também se transforma, e quem ganha com isso são os pacientes que nos procuram”.
Com carga horária de quatro horas por turma, a oficina abordou temas como inovação em saúde pública, identificação de desafios, técnicas de ideação, trabalho colaborativo e estruturação de propostas.
Inovação aplicada à realidade do HUSM
Durante a atividade, os participantes foram divididos em grupos e desafiados a propor soluções para situações concretas do HUSM, a partir de sete desafios institucionais relacionados a processos assistenciais, gestão, ensino e infraestrutura. Entre os temas trabalhados, estiveram o cadastro em múltiplos sistemas, a integração de dados institucionais, dificuldades no agendamento de exames e consultas, solicitações duplicadas, risco de desabastecimento de insumos críticos e o adoecimento de colaboradores.
O facilitador da Coordenadoria de Educação Empreendedora da Proinova, Maurício Medina, destacou que “a metodologia do Ideathon contribui ao estruturar um processo que começa pelo entendimento dos problemas vivenciados no dia a dia do hospital. Em vez de buscar soluções imediatas, os participantes são estimulados a analisar causas, impactos e contextos”. Segundo ele, “o Ideathon promove um ambiente de colaboração e troca de experiências, permitindo que diferentes ideias sejam consideradas na construção das soluções”, além de incentivar “uma mudança de cultura, ao estimular os colaboradores a assumirem um papel mais ativo na identificação de problemas e na proposição de melhorias”.
Medina também ressaltou a importância do trabalho coletivo nesse processo. “O trabalho em grupo é fundamental porque os desafios são complexos e envolvem diferentes áreas. Quando profissionais com diferentes formações e experiências se reúnem, eles conseguem enxergar o problema de forma mais ampla e complementar”, afirmou. Ele acrescenta que “essa diversidade de olhares contribui para identificar pontos que, muitas vezes, não seriam percebidos por uma única área, além de gerar soluções mais completas e integradas”, algo que, segundo ele, “ficou evidente no Ideathon, pois as chefias puderam trocar experiências, compartilhar dificuldades e construir alternativas de forma conjunta”.
Outro aspecto destacado pelo facilitador foi o fortalecimento do engajamento das equipes. “Esse tipo de dinâmica fortalece o senso de pertencimento e corresponsabilidade, já que as soluções não vêm de forma hierárquica, mas sim de um esforço coletivo”, explicou. Para ele, isso “aumenta o engajamento e facilita a implementação das propostas no cotidiano do hospital”. Por fim, Medina reforçou que “foi incentivado que as chefias repliquem essa metodologia com suas equipes”, pois, dessa forma, “o Ideathon amplia esse movimento colaborativo, criando uma cultura contínua de diálogo, inovação e melhoria dos processos”.
Desenvolvimento de competências e cultura de inovação
A realização da oficina responde a uma necessidade institucional de desenvolver competências relacionadas à inovação, pensamento estratégico e atuação integrada entre áreas. Para a docente e gerente de Ensino e Pesquisa, Márcia Keske, “Investir em metodologias ativas é qualificar a aprendizagem a partir da realidade do serviço, estimulando análise crítica, participação e construção coletiva de soluções. Em um hospital de ensino como o HUSM, isso é essencial para formar profissionais mais preparados para lidar com desafios complexos e atuar de forma integrada e resolutiva”.
Segundo ela, o Ideathon também cumpriu um papel importante ao criar um espaço estruturado para que as chefias conhecessem a metodologia e pudessem olhar para os desafios institucionais de forma coletiva, pensando soluções conectadas à realidade do hospital. “A atividade promoveu integração entre áreas, corresponsabilização e uma visão mais sistêmica do trabalho, elementos fundamentais para consolidar a inovação como prática institucional”, pontuou.
Márcia avaliou ainda que a iniciativa contribui para impulsionar mudanças no cotidiano do Hospital. “Acredito que esse movimento ajuda a colocar o HUSM em ação, estimulando criatividade, pensamento estratégico e, principalmente, a transformação dos processos e do cuidado prestado à população”, completou.
A proposta também dialoga com lacunas identificadas na instituição, especialmente na capacidade de propor soluções criativas para problemas complexos e de utilizar ferramentas de inovação no cotidiano do trabalho. A expectativa é que as propostas desenvolvidas durante a oficina possam subsidiar melhorias nos processos internos e contribuir para a qualificação do atendimento à população.
Sobre a HU Brasil
O HUSM-UFSM faz parte da HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Andreia Pires
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh