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SETEMBRO VERDE
HUSM participa da rede de cuidado envolvida na doação e no transplante de órgãos
Santa Maria (RS) – O Dia Nacional da Doação de Órgãos é celebrado em 27 de setembro e foi instituído pela Lei nº 11.584/2007. A data amplia a oportunidade de falar sobre o tema e conhecer as diferentes etapas que envolvem a doação de órgãos e tecidos. Por isso, o processo de transplante começa muito antes da cirurgia e continua depois dela. Entre a identificação de um potencial doador e o acompanhamento da pessoa que recebe um órgão, diferentes profissionais e serviços participam de uma rede de cuidado que envolve avaliação, exames, acolhimento e acompanhamento.
Durante o Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), integrante da Rede HU Brasil, explica como suas equipes participam desse processo e contribuem para o cuidado de pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a chefe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Adulto do HUSM, Janice Cristina Soares, a comunicação com a família constitui uma das etapas fundamentais durante o processo de doação. Após a identificação de um paciente em situação de morte encefálica, a equipe assistente comunica a família e mantém o diálogo ao longo das diferentes etapas do processo. Nesse sentido, Janice destaca: “O importante é que essa clareza, essa transparência seja desde o início da suspeição até o término do processo, que a equipe vá conversando com a família, para essa transparência ser mantida e o processo, que é muito doloroso, se manter em uma situação de tranquilidade.”
A doação de órgãos envolve diferentes etapas, desde a identificação de um potencial doador até a captação e o encaminhamento dos órgãos para transplante. No HUSM, esse processo conta com a atuação da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), que trabalha de forma articulada com as demais equipes e serviços envolvidos.
A confirmação da morte encefálica segue protocolos específicos e envolve a realização de exames clínicos e complementares. Sobre as etapas desse processo, Janice explica: “São feitos dois testes clínicos, um teste de apneia e depois uma confirmação com o exame de imagem, que pode ser feito antes, durante ou após o término dos testes clínicos.” Em relação às captações realizadas entre o ano passado até o momento, foram realizados, em 2025, 12 protocolos de potenciais doadores, dos quais 4 resultaram efetivamente em doação. Em 2026, até agora, foram identificados 9 potenciais doadores, porém nenhuma doação foi efetivada.
Após a confirmação da morte encefálica, são encaminhadas informações e exames do potencial doador para avaliação das equipes transplantadoras. A viabilidade dos órgãos é analisada conforme as condições clínicas do paciente e os critérios estabelecidos para o transplante.
Entre os órgãos e tecidos que podem ser doados estão coração, pulmões, fígado, pâncreas, córneas, ossos e pele. Em alguns casos, o fígado também pode ser dividido para atender mais de um receptor. A definição sobre quais órgãos poderão ser utilizados depende da avaliação das equipes responsáveis pelo transplante.
Todo o processo é realizado de acordo com os protocolos do Sistema Nacional de Transplantes, envolvendo profissionais de diferentes áreas, desde a assistência ao potencial doador e o acolhimento da família até a captação e o encaminhamento dos órgãos para transplante.
Para quem aguarda por um transplante, a doação pode representar uma possibilidade de continuidade da vida e do cuidado. Por isso, conversar com a família sobre a intenção de doar e manifestar essa vontade em vida são atitudes importantes para que os familiares conheçam a decisão.
No Brasil, após a morte, a autorização para a doação de órgãos depende do consentimento da família. Por isso, além de informar-se sobre o processo, falar sobre a decisão de ser doador pode contribuir para que a vontade da pessoa seja conhecida pelos familiares.
Gerência-Executiva de Comunicação Social/HU Brasil
Por Franck Kardorel – estagiário de Jornalismo/UFSM