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HUMANIZAÇÃO
HU-UFSC promove evento para marcar debate sobre luto perinatal
No Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC), integrante da HU Brasil, a Semana de Conscientização sobre o Luto Perinatal, que acontece de 9 a 15 de outubro, será marcada por atividades envolvendo profissionais da equipe multiprofissional e demais interessados. A programação prevê uma roda de conversa e uma Webconferência sobre o tema, em que serão abordados os principais pontos da Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, os avanços e desafios na garantia de uma atenção humanizada na maternidade e o papel dos profissionais neste cenário.
A psicóloga da maternidade do HU-UFSC Zaira de Oliveira, consultora do Ministério da Saúde, explicou que a campanha visa a aumentar a conscientização das instituições e profissionais de saúde sobre o impacto da perda gestacional e neonatal e a importância que o apoio ao luto desempenha na sua jornada de elaboração.
De acordo com a profissional, o luto perinatal diz respeito a um processo natural e esperado, com diferentes reações emocionais frente a uma perda gestacional ou neonatal, e repercussões na saúde mental dos pais e familiares.
“O luto perinatal é um tipo de luto invisibilizado e não reconhecido socialmente, o que reforça a necessidade de diretrizes e protocolos que direcionem os profissionais de saúde para uma prática ética, compassiva e interdisciplinar, que assegure a dignidade e o cuidado integral nesse momento de extrema vulnerabilidade”, acrescentou a psicóloga. Dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), referentes a 2024, mostram que no Brasil ocorreram 22,9 mil óbitos fetais e 20 mil óbitos neonatais, totalizando em torno de 43 mil perdas no período.
Profissional reforça papel de hospital universitário
Para Zaira, o HU-UFSC, como um hospital de ensino, tem um papel fundamental na formação dos profissionais das diferentes áreas que lidam com as perdas perinatais, na medida em que seus protocolos e diretrizes assistenciais contemplam as boas práticas já estabelecidas nesse cuidado, como as definidas na Lei 15.139, de 23 de maio de 2025, que institui a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental. “Esperamos que os profissionais de saúde se sensibilizem cada vez mais para uma prática ética, compassiva e interdisciplinar, que se engajem num cuidado respeitoso e integral nesse momento de extrema vulnerabilidade”, disse.
A psicóloga Amanda Kliemann acrescentou que a sensibilização sobre o tema é permanente e deve começar ainda na formação, por meio de espaços de reflexão, discussões de casos e experiências que integrem as dimensões técnicas, emocionais e éticas do cuidado: “É fundamental compreender que a perda de um bebê envolve não apenas a morte, mas também a ruptura de vínculos, expectativas e projetos familiares. Não podemos eliminar a dor da perda, mas podemos evitar que, além dela, as famílias vivenciem o desamparo, a invisibilidade e a falta de acolhimento”.
Programação
No HU-UFSC/HU Brasil, as atividades previstas para o 15 de outubro, Dia Internacional de Sensibilização para a Perda Gestacional, Neonatal e Infantil, começam às 8 horas, com um encontro de sensibilização entre profissionais da equipe multiprofissional da Maternidade e outros profissionais interessados no tema, encerrando com uma roda de conversa. Às 14h30, será realizada a webconferência “Perda perinatal e luto – o direito de existir. O direito de se despedir. O direito de ser cuidado”, com a participação da médica neonatologista e paliativista Lilia Embiruçu e da psicóloga perinatal Amanda Kliemann, com transmissão pelo YouTube e exibição no auditório do HU-UFSC.
Origem da data
A campanha de conscientização sobre a perda fetal, neonatal e infantil teve início em 1988, nos Estados Unidos, instituindo o dia 15 de outubro como o dia de conscientização sobre o tema naquele país. Em 2000, o Reino Unido realizou as primeiras ações alusivas à campanha e, em 2004, organizações se uniram e fundaram a Aliança para a Semana de Conscientização sobre a Perda de Bebês (BLAW Alliance). “A morte de um filho gera um dos mais complicados enlutamentos, provocando sintomas duradouros e impactos na saúde física e psicológica de um terço dos pais”, explicaram os organizadores do evento. Segundo eles, o luto é um processo individual e encará-lo somente como um processo privado e subjetivo, ao longo dos anos, produziu implicações sociais como a medicalização e a disciplinarização da experiência da perda, trazendo invisibilidade a esses pais e suas dores e sentimentos.
O HU-UFSC vem trabalhando em ações de humanização do luto perinatal como parte de sua filosofia assistencial, buscando ao longo do tempo se atualizar com base nas melhores evidências científicas e, mais recentemente, na implementação das práticas de cuidado conforme determina a Política de Humanização ao Luto Materno e Parental. O hospital sediou e coordenou, nos últimos anos, seminários sobre o luto perinatal em parceria com instituições e ONGs estaduais, reunindo profissionais, estudantes e comunidade em torno desse debate.
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Sobre a HU Brasil
O HU-UFSC integra a HU Brasil desde março de 2016. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
Coordenadoria Executiva de Comunicação Social