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SETEMBRO VERDE
HU-UFSC participa da rede de cuidado envolvida na doação e no transplante de órgãos
Um transplante começa muito antes da cirurgia e continua depois dela. Entre a identificação de um potencial doador e o acompanhamento da pessoa que recebe um órgão ou tecido, diferentes profissionais e serviços participam de uma rede de cuidado que envolve avaliação, exames, acolhimento e acompanhamento. Durante o Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, evento no Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC), vinculado à HU Brasil, destaca a atuação integrada das equipes no processo de transplante no Sistema Único de Saúde (SUS).
No HU-UFSC, esse processo conta com a atuação da Comissão Hospitalar de Transplantes (CHT), que trabalha de forma articulada com as demais equipes e serviços envolvidos, contribuindo para o fortalecimento da rede estadual de transplantes. Em cada etapa, são realizados procedimentos específicos para viabilizar a doação e fazer com que o órgão chegue a quem aguarda por um transplante.
Durante palestra realizada no HU-UFSC como parte da programação do Setembro Verde, o coordenador da Central de Transplantes de Santa Catarina, Joel Andrade, que atuou como médico intensivista no HU, ressaltou que Santa Catarina apresenta resultados expressivos na doação de órgãos, mas ainda enfrenta desafios para ampliar a doação de córneas e reduzir o tempo de espera para transplantes. “A doação tecidual é algo complexo, requer uma interação muito grande e, às vezes, pequenos passos, como a comunicação de um óbito à Coordenação de Transplantes, são difíceis de articular”, explicou.
Doação que transforma vidas
O impacto da doação de tecidos pode ser percebido na trajetória de pacientes como Marcelo Domiciano de Bem, que realizou dois transplantes de córnea, em 2016 e 2018. Diagnosticado com ceratocone e perda progressiva da visão, ele conta que recuperou a autonomia e a qualidade de vida após os procedimentos. “Essa mudança a gente só consegue perceber quando volta a enxergar bem”, relata.
Após os transplantes, ele voltou a realizar atividades que haviam sido prejudicadas pela perda visual. “Consegui recuperar a qualidade do meu trabalho. Consegui recuperar a minha autonomia, como dirigir de noite, por exemplo. Consegui recuperar muito do que eu tinha perdido de coisas simples do dia a dia”, afirma.
Para ele, conversar sobre a doação de órgãos e tecidos é fundamental. “Quem tiver essa possibilidade, que manifeste o desejo de doar e converse com a família. Muitas vidas podem ser transformadas por essa decisão”, destaca.
A partir da identificação de um potencial doador, são realizadas avaliações clínicas e exames para verificar a possibilidade de doação e a viabilidade dos órgãos e tecidos. As equipes envolvidas acompanham cada etapa do processo, desde a assistência ao potencial doador e à família até a captação e o encaminhamento para transplante, conforme os protocolos estabelecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes.
Para quem aguarda por um transplante, a doação pode representar uma nova oportunidade de tratamento e qualidade de vida. Por isso, falar sobre o tema e manifestar em vida a vontade de ser doador são atitudes importantes. No Brasil, a autorização para a doação de órgãos após a morte depende do consentimento da família. Informar essa decisão aos familiares pode facilitar esse processo em um momento de grande sensibilidade.
Sobre a HU Brasil
O HU-UFSC integra a HU Brasil desde 2016. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.