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GESTÃO HOSPITALAR
HU-Furg realiza 1º Seminário de Regulação Assistencial
Rio Grande (RS) - O Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr., da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), promoveu, em 14 de agosto, o 1º Seminário de Regulação Assistencial. O evento reuniu cerca de 130 profissionais, gestores, docentes, residentes e estudantes da área da saúde, representando diversas instituições e municípios de Rio Grande e região. O objetivo foi debater estratégias, alinhar práticas e aprimorar processos que garantam o acesso equitativo da população aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante a abertura do evento, a superintendente do HU-Furg, Sandra Crippa Brandão, detalhou que “A regulação assistencial, apesar de já estar presente na prática hospitalar há bastante tempo, ainda precisa ser mais divulgada nas instituições. Muitos ainda trabalham em modelos antigos, onde o acesso era regulado pelos próprios serviços ou profissionais. É preciso compreender que existe um sistema que vai ao encontro dos princípios do SUS, garantindo equidade, organização e direcionamento do acesso a leitos, consultas e procedimentos”. Também ressaltou que “A regulação envolve integração regional, abrangendo 22 municípios, e, na prática, essa articulação é complexa e demanda equipes multidisciplinares para compreender e atender as necessidades da população”.
Sandra lembrou que, quando a atual gestão assumiu o Hospital, há oito anos, a Unidade de Regulação ainda estava em início de estruturação e que houve avanços. “Ainda não temos uma regulação plena dentro do HU-Furg, mas isso se constrói com o tempo. Felizmente temos pessoas engajadas que trabalham para que a regulação cumpra totalmente seu papel”, afirmou. Para a gestora, o seminário é um espaço de troca de experiências e de alinhamento entre serviços. “Só vai trazer benefícios para quem executa e para o usuário do SUS, que é o nosso grande objetivo. Que este seja o primeiro de muitos”, completou.
Segundo a diretora de Atenção à Saúde da Pró-Reitoria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas da Furg, Juliana Fausto Flores, “Estamos debatendo padronização e melhoria de processos, protocolos e fluxos, que são parte do trabalho do administrador na área da saúde”. Para ela, discutir regulação é um passo para melhorar o acesso do usuário, valorizar o serviço público e fortalecer o SUS. Juliana parabenizou o HU-Furg e a universidade pela realização do seminário e defendeu a continuidade desse debate em futuros encontros.
Organizado pela Unidade de Regulação Interna e Gestão da Informação Assistencial (Urigia), o encontro teve programação ao longo de todo o dia, incluindo conferências, apresentações de experiências multiprofissionais e discussões sobre ferramentas de gestão e qualidade dos registros assistenciais. Entre os temas abordados, estiveram a regionalização em saúde, a importância do registro qualificado de informações e o papel da regulação hospitalar em situações de crise, como a pandemia de Covid-19 e as enchentes de 2024.
Diálogo e integração entre serviços de saúde
O chefe da Urigia, Matheus Souza Silva, pontuou que a proposta do Seminário nasceu da necessidade de qualificar e fortalecer os processos regulatórios que garantem acesso integral e resolutivo à atenção à saúde no SUS. “A regulação assistencial é um compromisso ético e técnico com o uso racional dos recursos, a equidade na oferta de serviços e a integração entre os diferentes níveis de atenção à saúde”.
Segundo Matheus, “Em um hospital universitário, como o HU-Furg, o desafio é constante, pois exige repensar fluxos de acesso, pactuações de serviços e critérios de decisão, sempre conforme as necessidades da população e com os princípios do SUS”. Matheus reforçou que “o Seminário foi pensado como um espaço de diálogo, troca de experiências e atualização técnica, reunindo profissionais da rede de saúde, docentes, residentes e estudantes. É a oportunidade de transformar ideias em práticas concretas para uma assistência mais justa e resolutiva”.
Para a coordenadora regional da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde do Rio Grande do Sul, Mara Elis Fredes, “A regulação qualifica o processo de organização dos serviços e este Seminário é uma oportunidade de trocas importantes”. Também falou da “Satisfação em estar presente no Seminário e manter o diálogo com os territórios, pois eventos como este ajudam a alinhar práticas e ampliar a integração entre as diferentes esferas da saúde pública”.
Para a secretária Municipal de Saúde do Rio Grande, Juliana Acosta Santorum, “Nosso cotidiano é qualificar e promover o acesso. Quando organizamos um Seminário e articulamos a Rede para qualificar o processo regulatório no SUS, também estamos investindo na melhoria do acesso, a partir de protocolos clínicos e critérios técnicos para garantir a integralidade do cuidado”.
Para o chefe do Setor de Contratação e Regulação do HU-Furg, Clark Theisen, “A regulação é um pilar da política do SUS e não apenas um mecanismo administrativo. Ela segue os princípios do SUS, da equidade, integralidade e universalidade, para garantir que o paciente tenha acesso seguro, ágil e humanizado aos serviços de saúde”. Ele reforçou que o seminário é um espaço para reflexão, diálogo e troca de experiências entre profissionais, contribuindo para fortalecer o trabalho conjunto e a melhoria dos processos assistenciais.
Palestras e mesas-redondas
A palestra de abertura foi com enfermeira Maria Carolina Pinheiro, que apresentou uma retrospectiva histórica do SUS e explicou a importância da regulação em saúde como ferramenta para efetivar os princípios de integralidade, universalidade, equidade e participação no controle social. Em seguida, a mesa-redonda sobre experiências multiprofissionais reuniu a médica Bettina Beskow, pioneira no trabalho junto ao Núcleo Interno de Regulação (NIR) do HU-Furg, o enfermeiro Bruno Barcelos, coordenador do NIR do Hospital Beneficência Portuguesa de Pelotas, e a assistente social Dioneli Reis, da Secretaria Municipal de Saúde do Rio Grande, que atuou na gestão e implementação da regulação no município. O debate trouxe relatos de diferentes cenários e áreas de atuação, ampliando a compreensão sobre o tema.
No turno da tarde, a chefe da Divisão Médica do HU-Furg, Kamylla Schaidhauer, que atua como médica auditora que atua na Unimed Litoral Sul, abordou a importância e qualidade dos registros assistenciais, destacando como evoluções e anotações em prontuário influenciam diretamente no faturamento e na sustentabilidade dos serviços de saúde. Na sequência, Maria Carolina Pinheiro voltou para falar sobre regionalização, ressaltando sua relevância para municípios pequenos ou distantes que não conseguem ofertar determinadas especialidades, reforçando a necessidade de organização em rede.
Encerrando a programação, a mesa-redonda com os profissionais da Urigia e do NIR do HU-Furg, Priscila Cadaval, Cíntia Santana e Matheus Souza Silva, apresentou as experiências do Núcleo durante a pandemia de Covid-19 e as enchentes. Os participantes discutiram a organização das ações e os aprendizados adquiridos na gestão de crises.
Sobre a Ebserh
O HU-Furg faz parte da Rede Ebserh desde julho de 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires
Apoio e fotos: Leonardo Andrada de Mello/UCR15 e Alan Bastos/UAO5
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh